Viúva do empresário Roberto Marinho, fundador das organizações Globo, estava internada desde o dia 13 de dezembro no Rio

Lily Marinho era viúva do jornalista Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo
Agência O Globo
Lily Marinho era viúva do jornalista Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo

Viúva do jornalista e empresário Roberto Marinho , fundador das Organizações Globo, Lily Marinho , morreu às 20h05 da noite desta quarta-feira (5), de falência de múltiplos órgãos. Ela tinha 89 anos. Dona Lily, como era conhecida, estava internada com uma infecção respiratória desde o dia 13 de dezembro na UTI da clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio, conforme foi noticiado pela coluna Poder Online .

Lily Marinho deixa um filho, João Baptista , quatro netos, Phillipe, Gabriela, Anthony e João Victor, além dos três enteados, filhos de Roberto Marinho - Roberto Irineu , João Roberto e José Roberto .

Da Alemanha para o Brasil

Filha única da francesa Jeanne Bergeon e do militar britânico John Lemb, dona Lily Marinho nasceu em Colônia, na Alemanha em 1921, quase por um acaso. "Da Alemanha nada herdei a não ser o nome de uma cidade no passaporte. Quanto ao resto, não posso tecer comentários, pois desconheço o idioma. Além disso, representou para mim, durante muito tempo, o país que por duas vezes em um século invadiu a França de mamãe e combateu a Inglaterra de papai. Em 1941 foram eles quem, a partir de uma denúncia, prenderam meu pai e enviaram-no a um campo de concentração. Hoje tudo foi perdoada e confesso, de bom grado, que a música alemã me desperta grande simpatia, em especial a de Richard Wagner, renegado até hoje por muitos, pelo fato de certos membros de sua família serem simpatizantes do nazismo e por ter, ele próprio, idéias anti-semitas", escreveu Lily em sua biografia.

Registrada na Inglaterra, foi educada na França, mas se naturalizou brasileira há 28 anos. , aos 17 anos ganhou o título de miss Paris e logo em seguida ficou noiva do jornalista e fazendeiro brasileiro Horácio Gomes Leite de Carvalho Filho , com quem se mudou para o Rio de Janeiro. Horácio era dono do extinto "Diário Carioca".

A união durou 45 anos. Juntos tiveram um filho biológico - Horácio de Carvalho Junior , que morreu aos 26 anos, em 1966, em um acidente de carro em que também morreu a cantora Sylvia Telles - e João Baptista - adotado por Lily com pouco menos de 1 ano de vida e alguns meses após a morte do primogênito.

História de amor

Dona Lily conheceu seu segundo marido, Roberto Marinho, durante um jantar, em 1941, no Copacabana Palace. Dona Lily tinha 20 anos e havia chegado recentemente ao Brasil. Então solteiro, com 36 anos, o fundador das Organizações Globo apaixonou-se à primeira vista pela mulher do concorrente. Mas guardou segredo. O amor ficou adormecido por quase 50 anos e ressurgiu na terceira idade de ambos.

Somente em 1989 - após a morte de Horácio - Lily e Roberto Marinho se reencontrariam, também em Copacabana, em uma festa na Avenida Atlântica. Ele tinha 83 anos; ela tinha 68. Roberto Marinho, que se lembrava até da roupa que dona Lily vestia na primeira vez que a vira, logo lhe propõs casamento.

“Ele me perguntou se eu queria casar com ele. Eu disse: ‘Eu gostaria, mas você não me conhece’. Ele disse: ‘Você está completamente enganada. Conheço muito bem’. Fui felicíssima durante 14 anos”, revelou ela em uma entrevista.

Em 1991 se casaram e ficaram juntos por 14 anos - até 6 de agosto de 2003, data da morte do fundador das Organizações Globo.

Viúva do jornalista Roberto Marinho, Lily Marinho, morreu nesta quarta-feira, aos 89 anos
Agência O Globo
Viúva do jornalista Roberto Marinho, Lily Marinho, morreu nesta quarta-feira, aos 89 anos

A mansão rosa

Assim que se casou com Roberto Marinho, dona Lily foi morar em sua mansão no Cosme Velho, zona sul do Rio, aos pés do Corcovado. O casal era uma refência na vida social carioca. E suas recepções ficaram famosas. Com cerca de três mil metros quadrados, a mansão cor-de-rosa já abriu suas portas para muitos jantares e recepções para artistas, políticos, reis e rainhas, comandados de perto pela anfitriã, renomada pela elegância.

No jardim da mansão, projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx , dezenas de flamingos provocam curiosidade. Não só pelos animais em si, mas pelo fato de alguns deles terem sido presenteados por Fidel Castro na década de 90.

A última recepção organizada por dona Lily foi durante a campanha eleitoral. Em julho, ela abriu a casa no Cosme Velho para um almoço só para mulheres em homenagem à então candidata à Presidência, Dilma Rousseff .

Atividades

Apaixonada pelas artes, Lily Marinho, foi uma grande dama da cultura. Além de colecionadora, teve uma atuação importante na organização de exposições e na divulgação da arte. Ela presidiu as comissões de honra das grandes mostras de Rodin, Picasso, Camille Claudel e Monet realizadas no País em boa parte por iniciativa sua.

Por defender uma cultura de paz e não-violência, Lily Marinho foi nomeada em 1999 embaixadora da Boa Vontade da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Ela apoiava projetos pelos direitos das crianças de rua e famílias necessitadas.

Lily e Roberto

Mas seu nome ficou ligado ao de Roberto Marinho e à história de amor tardio que viveram. Após a morte do marido, dona Lily escreveu, em francês, o livro de memórias “Roberto & Lily”, lançado em 2004. Na obra, sobre o dia 6 de agosto de 2003, Lily Marinho falou: “Estava escrito que aquele seria o dia da nossa separação neste mundo, que eu nada poderia fazer a não ser esperar que chegasse a minha hora, para revê-lo e, dessa vez, ficarmos juntos... por toda a eternidade”.

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