Atriz abusa da maquiagem para viver uma roqueira sem limites na ópera-rock “Outside”

Pode esquecer os papéis que Letícia Spiller coleciona na carreira televisiva. Esqueça a manicure gostosona Babalu, a sensual perua Betina, a vilã Carla Regina e esqueça com-ple-ta-men-te que ela foi paquita da Xuxa . Com figurino justo e de renda preta, descabelada, maquiagem borrada, lembrando a de um palhaço, Letícia agora mostra versatilidade e vive no teatro a doidona trash Peggy Guggenheim, dona de uma galeria de arte decadente, que anseia por algo novo no mundo das artes. É esse o mote central da ópera-rock “Outside - Um Musical Noir”, em cartaz no Rio.

Letícia Spiller:
Léo Ramos
Letícia Spiller: "Gosto de ser meio camaleônica"

“Gosto de ser meio camaleônica, como o próprio David Bowie , que inspira a peça. Odeio ficar amarrada a um tipo de história, um tipo de cabelo. Isso é entediante”, diz Letícia ao iG , no camarim do Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio.

O musical traz ainda um novo desafio para a atriz: a de cantar ao vivo. Isso porque não dá para se levar em consideração o que ela cantarolava como a Pituxa Pastel da Xuxa, no final dos anos oitenta. As apresentações eram feitas em playback. “O canto e a dança são essenciais para um ator. Tem muita gente que não tem ritmo, mas graças a Deus essa facilidade eu tenho”, analisa Letícia, sempre segura, mesmo com as criticas que vem recebendo nas redes sociais da internet.

Trending topics

Apesar de a peça receber críticas profissionais positivas, sua perfomance do clássico “Let’s Dance” no programa Altas Horas da TV Globo, há três semanas, não agradou e foi parar no quinto lugar do trending topics do Twitter na mesma madrugada. Um dos comentários no microblog: “A sétima trombeta do Apocalipse soou: Letícia Spiller cantando no Altas Horas”. Um outro, também cheio de gracinha, postou: “O que a Leticia Spiller tentou cantar no Altas Horas ontem? Fiquei com medo”.

Nos palcos, Letícia interpreta Peggy Guggenheim, dona de uma galeria de arte decadente, que anseia por algo novo no mundo das artes
Léo Ramos
Nos palcos, Letícia interpreta Peggy Guggenheim, dona de uma galeria de arte decadente, que anseia por algo novo no mundo das artes
O humorista Rafinha Bastos , via twitter, a defendeu: “ Lady Gaga põe roupa estranha e é musa. Letícia Spiller faz o mesmo e é esquizofrênica. Decidam-se”. O programa CQC, da Band, incluiu sua cantoria como um dos Top 5 da semana, quadro que satiriza momentos toscos da televisão brasileira.

Nada disso tirou o bom humor da atriz, que jogou a culpa para a parte técnica. “Não pensei que fosse repercutir tanto. O som estava muito ruim, o backing vocal não estava equalizado. Mas televisão é assim mesmo”, argumenta ela, que se divertiu com as comparações à cantora Lady Gaga. “Pelo menos, ela é irreverente e original. O mesmo clima do nosso espetáculo”.

Eterna manicure

A peça tem um argumento nada convencional: a história esboçada por David Bowie no encarte do disco Outside, lançado pelo músico inglês em 1995. “Acho que todo mundo já sonhou em ser um astro de rock. Rock é revolução, é estar passando uma mensagem através da música”, afirma Letícia, que diz expressar seus pensamentos através de poesias. “Comecei a escrever na virada do milênio. Quem sabe um dia publico um livro?”

Letícia Spiller:
Léo Ramos
Letícia Spiller: "No teatro não se sente dor"
Aos 38 anos, Letícia se recorda com certa graça do título de símbolo sexual, conquistado com a eterna manicure Babalu, de Quatro por Quatro, novela de 1994. “Tenho um pouco de medo dessas palavras porque daqui a pouco as coisas começam a cair... Mas não me prendo a isso”.

Gravidez Rock’n’Roll

Para encarnar a “trash” Peggy nos palcos, a atriz teve de encarar uma pesada rotina de ensaios e aulas de interpretação e canto. Nada de diferente se a atriz não estivesse entrando no quinto mês de gravidez, com um barrigão e tanto. “Fui ao meu limite. Mas o problema é que no teatro não se sente dor”, diz ela, que continuou em atividade até o final da gestação de Stella, de sete meses, fruto do seu relacionamento com o fotógrafo Lucas Loureiro.

Mãe de Pedro, 14 anos, do casamento com Marcello Novaes , Letícia conta que Stella - que ganhou dois “L” em homenagem a Letícia e Lucas – é o xodó da família. “Ela é uma delícia. Bem sapequinha e cheia de personalidade. É um chameguinho. Fico dividida entre o trabalho e poder ficar com ela full time. Mas faz parte da vida”, conta a atriz que, além da peça, está gravando a nova temporada de “Malhação”.

Mesmo afirmando que ainda não seja o momento, Letícia não descarta a possibilidade de ter mais filhos. “Ser mãe é um dom e uma vocação. Quem nasce com isso, tem de ser mãe. Não pode deixar esse momento passar”, afirma. Entre os próximos planos no campo pessoal, a atriz pensa em oficializar a união com Lucas. “Gostaríamos de fazer uma celebração quando a Stella estiver maiorzinha para ela e Pedro entrarem segurando as alianças”.

Quanto ao prosseguimento da carreira de cantora, oportunidade que um musical abre para diversos atores, Leticia nega qualquer projeto. “Vida de cantor exige muito”.

Confira abaixo a galeria de fotos com os bastidores de "Outside - Um Musical Noir":


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