Ator é filho do diretor Jayme Monjardim, neto da cantora Maysa Matarazzo e garante que uma de suas virtudes é ser humilde para aprender

Jayminho anda de skate para se sentir mais livre
André Durão
Jayminho anda de skate para se sentir mais livre
Jayme Matarazzo nunca pensou em ser ator até aceitar o convite do autor Manoel Carlos para interpretar seu próprio pai, o diretor Jayme Monjardim , na minissérie "Maysa — Quando fala o coração", sobre a vida de sua avó a cantora Maysa Matarazzo, em 2009. Desafio aceito, cumprido com louvor e com repercussão que rendeu a Jayminho, como é chamado pelos amigos, a responsabilidade de protagonizar “Escrito nas Estrelas” como um fantasma e logo convidado para dar vida ao príncipe Felipe de “ Cordel Encantado ”.

Aos 25 anos, ele garante que o peso do sobrenome não é tão árduo assim e que o mais importante é conquistar seu próprio espaço. “No momento, só consigo pensar que preciso de férias e avaliar tudo o que já aconteceu em minha vida em apenas três anos. Minha postura é a mesma do início: muita humildade para aprender”, diz o ator que pretende viajar para fora do país tão logo a trama de Thelma Guedes e Duca Rachid termine.

O convite do iG para a sessão de fotos com seu skate praticamente soou como um grito de liberdade para o rapaz que quase não tem tido tempo livre. “Demorou! Encontro vocês na rampa”, despediu-se já tomando impulso. De braços abertos e cabelos ao evento, Jayminho nem parecia se preocupar com os olhares curiosos que despertou no meio do caminho. “O skate me dá uma puta sensação de liberdade, tá ligado?”. É... dá pra ficar ligado mesmo é no rosto de galã do rapaz.

Jayminho já se despede do príncipe Felipe de Cordel Encantado
André Durão
Jayminho já se despede do príncipe Felipe de Cordel Encantado
iG: Você começou interpretando seu pai, Jayme Monjardim, um dos grandes diretores da TV Globo...
Jayme Matarazzo:
Foi um ato de coragem interpretar meu pai. Foi uma linda homenagem e um monstro de desafio. Tenho orgulho do meu começo de carreira.

iG: A cobrança é maior por ser filho dele?
Jayme Matarazzo:
Acho que as pessoas já conseguem separar mais as coisas. As pessoas já me enxergam por mim mesmo. Me veem totalmente independente da relação com o meu pai. Confesso que tive muito medo no início, mas sabia que só iria vencer isso com humildade e honestidade. Ele é só o meu pai. (risos)

iG: Você tenta se espelhar nele de alguma forma?
Jayme Matarazzo:
Sempre em vários aspectos que não têm a ver com a profissão. Aprendo muito com meu pai a ser solidário, humilde, o quanto ele tem domínio de equipe. Esse jeito de lidar com o ser humano é algo que me inspira e faço questão de me espelhar. Aprendo tudo o que posso com meu pai.

iG: Mas você foi criado por sua mãe, a produtora Fernanda Lauer.
Jayme Matarazzo:
As pessoas sempre me perguntam pelo meu pai e eu sempre tenho muita vontade de falar da minha mãe. É uma pessoa muito responsável pelo que eu sou. Gosto de homenageá-la sempre que posso. Para que todos saibam que a minha criação e as minhas qualidades são de quase total responsabilidade e mérito dela.

iG: Você é um bom irmão para a Fernanda (filha da produtora Fernanda Lauer), André (filho da atriz Daniela Escobar ) e Maysa (filha da cantora Tânia Mara)?
Jayme Matarazzo:
Sou mas tenho estado ausente. Sempre fui muito companheiro e aberto para os meus irmãos. Tenho visto muito pouco os três e tenho muita saudade deles. Por ser o mais velho, me sinto na obrigação de ser exemplo para eles.

iG: A Maysa é a que mais se parece com você?
Jayme Matarazzo:
Você acha? Vejo alguns traços da Tânia Mara nela. A Maysinha está linda. Anota o que eu estou te falando: ela é uma menina muito iluminada. Dá pra ver nos olhos dela que vem um grande talento por aí. Ela não é frágil. Já falei para o meu pai que os cabelos brancos dele vão aumentar. (risos)

iG: Você está namorando?
Jayme Matarazzo:
Estou solteiro mas não sozinho! (risos)

Jayme:
André Durão
Jayme: "Estou solteiro mas não sozinho"
iG: Essa é a primeira vez que você trabalha com a diretora Amora Mautner?
Jayme Matarazzo:
Não. Posso falar? Virei fã número 1 dela. Ela me conta que me convidou por causa do filme (" A Suprema Felicidade ") do Arnaldo Jabor . Ela acreditou em mim desde o primeiro momento. Ela é parceira e troca muito. É aquela diretora altamente disponível.

iG: Ela não é mandona?
Jayme Matarazzo:
Tem poucas mulheres como diretoras. Ela é a comandante do batalhão. Ela é doce e sensível quando tem que ser e também é séria quando tem que ser séria. Ela aceita muito nossas ideias. Ela constrói junto. Sou fã.

iG: Durante a novela saíram diversas notas sobre “possíveis” desentendimentos da Amora com algumas pessoas do elenco.
Jayme Matarazzo:
Em primeiro lugar, ela é séria e comprometida com o trabalho. E aí tem gente que vai bater de frente mesmo. Não tem o que fazer.

iG: Que diferença do seu figurino em "Escrito nas Estrelas" para "Cordel Encantado".
Jayme Matarazzo:
Muita. A Globo resolveu gastar comigo no figurino do príncipe o que não gastou na outra novela. O Daniel só vestia calça jeans e camiseta branca. (risos) Mas um dos grandes pontos positivos da novela é mesmo o figurino. Ele me ajuda muito a compor o príncipe.

iG: Você não fez curso de dramaturgia e estreou em televisão a convite do Maneco. Isso faz diferença pra você?
Jayme Matarazzo:
Gostaria de ter tido tempo para estudar mais essa profissão, mas aprender na raça é bom demais. Claro que eu preciso de um momento para sentar e estudar e pretendo fazer isso agora nas minhas férias.

iG: Você faz questão de uma preparação mais formal para trabalhar como ator?
Jayme Matarazzo:
Acho que a formação intelectual é importante sim. Só que o ator está diariamente aprendendo. O ator aprende facilmente com o mundo ao seu redor.

iG: Você tem uma carreira relativamente nova. O que vem pela frente?
Jayme Matarazzo:
Gostaria de ter certeza dentro de mim que eu posso fazer vários personagens. Isso ainda é um desafio para mim. Acho que peguei personagens que tinham semelhanças comigo e eu vou trabalhar muito para ter coragem de enfrentar desafios maiores.

iG: Que tipo você gostaria de interpretar?
Jayme Matarazzo:
Personagens que são diferentes de mim, por exemplo, pessoas problemáticas. Os grandes atores já fizeram de tudo: o bom, o mal, o bêbado, o louco, o drogado e a puta.

iG: Esse é seu terceiro trabalho em televisão e uma dobradinha com a atriz Nathalia Dill .
Jayme Matarazzo:
A Nath é uma das melhores atrizes da minha geração. O talento, a generosidade e a dedicação dela são impressionantes. A Nathalia é uma grande referência na minha vida.

iG: Quem você considera fundamental na sua vida pessoal e profissional?
Jayme Matarazzo:
O Jabor foi um cara que me deu muita coragem. Acho que ele foi o primeiro que acreditou muito em mim. Também tenho muita consideração pelo Humberto Martins e pela Cássia Kiss . Mas, na verdade, gostaria de ser tão bom como o Marco Nanini . O dia que eu chegar próximo de 10% do que ele é já está ótimo. Meus pais também me deram paz para enfrentar o início dessa carreira.

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