Durante bate-papo com o iG, ator revela sua paixão por guitarras e conta que já se inscreveu para a meia maratona de Berlim, em setembro

O papel de vilão cai bem em Gabriel Braga Nunes . E foi para viver as maldades do amoral Léo Brandão, personagem de Gilberto Braga e Ricardo Linhares em “Insensato Coração”, que o ator voltou à Rede Globo depois de integrar por cinco anos o primeiro escalão da Rede Record, onde interpretou protagonistas em “Essas Mulheres”, “Cidadão Brasileiro”, “Caminhos do Coração”, “Os Mutantes” e “Poder Paralelo”.

Braga recebeu a equipe do iG no flat onde mora no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. Na varanda de seu apartamento, com visão privilegiada para o mar, ele até driblou a timidez e sorriu abertamente para as lentes do fotógrafo. E foi nesse mesmo clima de descontração que Gabriel admitiu se divertir com as maldades de seu personagem. “Ele não tem salvação e é um caso perdido mas, mesmo assim, sinto que o Léo agrada e estou conseguindo uma coisa que eu queria desde o princípio: dar um certo ar cativante”, diz.

Aos 39 anos, ele, nem de longe, sentiu o frio da geladeira que os atores que deixam a Record costumam enfrentar antes de voltar ao trabalho na emissora global. Foi logo chamado para participar, ao lado de Paola Oliveira , do episódio “A atormentada da Tijuca”, na série “As Cariocas”, com direção de Daniel Filho. Os elogios foram tantos que Gabriel foi logo convidado pelo diretor Dennis Carvalho para substituir Fábio Assunção , que pediu afastamento da novela das nove para voltar à reabilitação por dependência química.

Gabriel defende seu atual papel diz que ele não é um vilão calculado, maquiavélico. “É um homem de ideias que sabe, sobretudo, aproveitar as oportunidades da vida”. Essa, aliás, é a única característica apontada pelo ator como semelhante entre os dois. “Assim como Léo, eu agarro o que vejo de bom pela frente. A minha vida profissional tem ido muito por esse caminho”, comenta.

O ator admite que interpretar protagonistas é uma função que lhe cai bem porque gosta de responsabilidade. Segundo Gabriel, a necessidade de ter voz ativa vem da infância. “Desde a época da escola gosto de ter controle sobre as áreas da minha vida. Não preciso necessariamente ser o líder, mas preciso sentir que influencio”, revela.

Colecionador de guitarras
Gabriel começou a tocar violão com 10 anos, teve quatro bandas – “Ovni Som”, “Úlcera Rock”, “Anjos de Vidro” e “Maria” - e até os 18 achava que música seria seu futuro profissional. Foi quando se apaixonou pela primeira vez por uma atriz e decidiu se matricular no curso de Artes Cênicas, criado por seu pai, o diretor Celso Nunes, na Unicamp, e onde sua mãe, a atriz Regina Braga, dava aulas. “Respirava teatro o tempo inteiro: em casa, na faculdade, com os amigos”, conta. Até que veio o convite para o primeiro trabalho em televisão, em 1996, em “Razão de Viver”, no SBT.

Desde então, a música ocupa o espaço de um hobby em sua vida. “Quando não estou envolvido com gravações, o que eu mais gosto de fazer é tocar”, afirma ele, que prefere blues e rock and roll e tem nove guitarras em casa. Para ele, funciona mais como um objeto de desejo que precisa ser adquirido. “Quando eu gosto de uma guitarra, eu preciso ter”, explica.

O ator ainda guarda sua primeira guitarra, uma Giannini 1986. “Ela é vintage e tem um valor afetivo pra mim. Fica guardadinha em São Paulo”. Com as outras oito ele faz um revezamento trazendo-as uma de cada vez para passar uma temporada no Rio. “Tenho sempre uma comigo aqui. No momento, estou com uma Fender Stratocaster, de 1960. Mas não toco o quanto gostaria e acabo sofrendo com bolhas. “Me machuco e fico com os dedos doloridos porque perco os calos”.

Não preciso ser o líder, mas preciso sentir que influencio
Léo Ramos
Não preciso ser o líder, mas preciso sentir que influencio

Maratonista por acaso
Música não é sua única paixão. Gabriel vai participar pela primeira vez de uma meia maratona e sua estreia vai acontecer no dia 25 de setembro, em Berlim. “Estou treinando bastante e tenho conseguido correr 15km diários”, conta entusiasmado. O esforço vai ter que ser maior já que o percurso na Alemanha é de 21km. “Terei que fazer o equivalente a três voltas na Lagoa Rodrigo de Freitas. Até o momento só consigo duas”, conta rindo.

Com 77kg distribuídos por 1,76m, ele conta que começou a correr quando esteve na Itália, em 2009, para gravar as primeiras cenas do mafioso Tony Castellamare, de “Poder Paralelo”. “O clima ameno ajudou e, sem perceber, já estava correndo mais de 10km”.

O ator não tem pretensão nenhuma de virar atleta e vem praticando o esporte por conta própria. “Converso bastante com amigos que costumam correr e pego várias dicas, principalmente sobre alimentação, para ter bastante energia”.

Futuro não existe
Braga não acredita em futuro. “A gente inventa, cria o futuro. Ele não existe”, costuma dizer. E também não gosta de planejar seus passos. Mesmo assim, já pensa em viajar tão logo “Insensato Coração” termine no segundo semestre. “Não sei qual vai ser meu próximo passo profissional. Pode ser que eu decida fazer um contrato de prazo longo com a Globo mas, por enquanto, não tenho pensado sobre isso”, desconversa.

Se ele não sabe o rumo em televisão, no cinema o ator se prepara para lançar três longas a partir de setembro: “O País do Desejo”, com Fábio Assunção (de Paulo Caldas); “O Homem do Futuro”, com Wagner Moura (de Claudio Torres); e “Garibaldi”, com Ana Paula Arósio (de Alberto Rondalli).

Ator começou a correr, quando esteve na Itália, em 2009
Léo Ramos
Ator começou a correr, quando esteve na Itália, em 2009

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.