iG Gente adianta em primeira mão trechos do "Medida Certa: Como Chegar!", que chega às livrarias dia 14 de dezembro

Leia aqui a íntegra da semana 10 (página 205 até 212) do livro "Medida Certa: Como Chegar", que será lançado pela editora Globo 

Divulgação
"Medida Certa" com Renata Ceribelli e Zeca Camargo
"Abri a MALA e...

Visivelmente mais magra, eu ainda resistia em vestir aquelas roupas guardadas. Algumas “quase” cabiam, mas outras já precisavam de bons ajustes

A décima semana foi bastante importante na minha relação com o espelho. Já fazia quinze dias que a produção vinha insistindo para eu abrir meu armário e vestir as roupas que mostrariam minhas novas medidas. Mas eu resistia a essa ideia. Acho que, no fundo, estava com medo de não corresponder às expectativas do público. Quando comecei o Medida Certa, enchi uma mala com blusas e calças de que eu gostava, mas não me serviam. Era uma mala que eu só abriria no fi nal do desafi o... se funcionasse. E o final do desafi o estava chegando.

O Zeca, animadíssimo, fez questão de mostrar e comemorar com muito barulho seu novo manequim. Eu estava ainda um pouco tímida para isso. Aliás, demoro muito para comemorar as minhas vitórias. Eu já havia emagrecido, todos ao redor notavam isso, minhas roupas já revelavam as novas medidas, mas eu ainda não me sentia “no direito” de comemorar. Como se tudo aquilo que estava acontecendo em minha vida ainda não fosse sólido o sufi ciente para merecer prêmios e recompensas. Era como se eu ainda duvidasse do que já havia conquistado.

TEM QUE COMEMORAR

Nesse aspecto, a convivência com o Zeca estava sendo um aprendizado. Ao menor sinal de vitória, ele curte, comemora, anuncia, exibe, grita para o mundo! Se passar por alguma privação, alguma difi culdade, imediatamente ele se presenteia e se apropria de todas as recompensas possíveis. Minha reação já é bem mais tímida. Como se tudo fosse uma obrigação e, portanto, não merecesse prêmios. Que atitude mais ditatorial comigo mesma! Isso me fez pensar muito durante esses noventa dias. Eu achava muito estranho o Zeca festejar tanto por tão pouco. Mas, entenda bem, “tão pouco” na minha visão autoritária comigo mesma. Fui descobrindo que ele estava certo. Tinha que comemorar. Estávamos numa luta enorme, com nossa vida exposta, trabalhando muito, conquistando novos hábitos, cativando o público e
atraindo seguidores, e eu não conseguia me apropriar desse sucesso todo? Claro que eu estava errada. E não era a primeira vez que cometia esse erro. Foram anos de terapia para eu aprender a me cobrar menos e me valorizar mais. Ainda cometia erros, mas pelo menos conseguia enxergá-los.

A CAMISA TRANÇADA SERVIU!

Quando, na décima semana do desafi o, tive de abrir meu guarda-roupa para o Fantástico, mergulhei nos motivos que estavam me deixando tão desconfortável com aquela situação. Vi que eles eram pouco racionais. E marquei o dia da gravação. Por sorte, e completamente por acaso, minha costureira estava em casa por conta de uma capa de sofá que precisava costurar. Aproveitei a presença dela e lhe pedi
para fi car e participar da gravação. Assim, a cena seriamais verdadeira, e menos encenação para as câmeras, já que eu realmente precisava ajustar algumas roupas. Quando abri a mala e joguei as roupas no sofá, vi o resultado do efeito sanfona em meu corpo nos últimos anos. Eu tinha roupas que ainda estavam apertadas, roupas que “quase” cabiam e roupas que estavam largas e precisando de ajustes! Era muito fácil observar, naqueles vestidos, calças e blusas, minha oscilação de peso nos últimos anos. E isso
me fez querer acabar de vez com o problema.

Primeiro, peguei uma camisa, toda trançada na frente, que havia comprado com uma amiga em Paris pouco antes de o desafi o começar. Minha amiga, Flávia Cristófaro, comprou uma igual, e nela a camisa fechava completamente. Mas eu precisava usar uma blusinha por baixo, porque o “trançado” não fechava completamente. Não “fechava”, porque agora estava certinha em mim, e foi a primeira roupa acinturada que vesti depois de muitos anos. Vesti várias peças e fi quei impressionada. A costureira colocou um
palmo entre minha cintura e o cós de várias calças. Eu havia diminuído quase dois números, o que equivalia a dizer que passara de 44 para 40 ou 42. Vestidos que fi cavam horríveis, marcando o corpo, agora caíam lindamente. Acho que foi a semana mais feliz desses noventa dias.

TÁTICAS PARA JORNALISTAS

Tínhamos mais duas semanas pela frente, e uma imensa coleção de e-mails do público com perguntas,
dúvidas e elogios ao quadro. A dúvida mais recorrente era sobre o que comer nos intervalos das refeições. Marcamos um lanche com a Laura Breves, nossa nutricionista, para que ela nos desse alguns exemplos. Entendi algo que ainda estava confuso na minha cabeça. Devemos fazer, no mínimo, quatro refeições por dia, mas o ideal para quem quer perder peso são seis: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. O problema é que essa programação só pode ser cumprida por quem tem horário fixo: café da manhã por volta das 7 ou 8 horas; almoço entre 12 e 13 horas; lanche entre 15 e 16 horas; jantar por volta das 19 ou 20 horas; e ceia entre 22 e 23 horas. Essa é uma rotina que cabe bem na vida de quem cumpre o “horário comercial” de trabalho, ou seja, a maioria dos mortais, como bancários, lojistas etc., mas é absolutamente impossível para o dia a dia imprevisível de um jornalista. A nutricionista ofereceu a solução: eu deveria manter as seis refeições, sempre a intervalos de três ou quatro horas, mas seu conteúdo teria que se modifi car conforme as condições do momento.

Por exemplo, se estiver impossibilitada de almoçar na hora prevista, devo “adiantar” o lanche da tarde. Para isso, é fundamental que meu lanche esteja disponível em minha bolsa. Caso contrário, corro o risco de comer a primeira besteira que me aparecer pela frente. Quando chegar a hora do lanche, aí, sim, devo almoçar. Outro exemplo: se o jantar for muito tarde da noite, o ideal é “antecipar” a ceia, como se fosse um segundo lanche da tarde. Assim, não vou chegar ao jantar morrendo de fome nem fi car muito tempo sem comer entre o lanche e a próxima refeição. Entendendo isso, ficou mais fácil seguir o fracionamento de três em três horas. Mas o que comer nesses intervalos? O ideal é um sanduíche, que tem volume e fi bras: pão integral, queijo cottage ou queijo branco, presunto sem gordura ou blanquet de peru. Se você colocar um tomatinho com orégano e uma folha de alface, fi ca mais gostoso ainda. Também se pode substituir esse sanduíche por uma barra de cereal, mais dois polenguinhos light, mais duas castanhas-do-pará. Quer outras dicas? Um copo de leite semidesnatado batido com banana e aveia; um iogurte desnatado com cereal; ou cinco biscoitos de água e sal com requeijão light.

EXERCÍCIO: SEMPRE!

Nessa décima semana, deu a louca no Atalla. Ele intensifi cou pra valer o nosso treino. Fizemos corrida no calçadão, treino intervalado e de resistência na areia da praia e até aula de remo. Era a última mensagem sobre a importância de ter disciplina quando o assunto é atividade física. Era muito importante que, nesses três meses, detectássemos em que atividade conseguiríamos manter a regularidade. Regularidade é a palavra-chave na atividade física. Anote isso e nunca mais esqueça! Se dependesse só do meu prazer e da minha vontade, eu fi caria na bicicleta ao ar livre. Mas minha vida não permite isso. E talvez eu até me
cansasse de uma rotina repetitiva. Escolhi quatro atividades que gosto de fazer: ciclismo, corrida na
praia, corrida na esteira e spinning. Correr na praia ou na esteira são atividades mais práticas para pessoas que viajam muito, como eu e o Zeca. E o ciclismo fi ca para os fi ns de semana ou para os dias em que meu horário estiver mais folgado.

Meu treino, montado pelo Atalla para ser incorporado para sempre na minha rotina, ficou assim:
  * Treino aeróbico seis dias por semana. Alternar os treinos durante a semana para variar os estímulos. Quando o corpo recebe sempre o mesmo estímulo, com o tempo tende a queimar menos calorias.
  * Fazer dois treinos intervalados: escolher entre bike e corrida.
  *Corrida: trinta minutos; um minuto correndo forte (sensação de esforço entre oito e nove), e dois minutos andando.
  * Bicicleta: trinta minutos; quarenta segundos pedalando forte, carga 10 e rpm 100. Descansar um minuto e andar vinte, carga 2 e rpm 70.
  * Dois treinos contínuos: bike ou esteira cinquenta minutos, frequência entre 135 e 145.
  * Dois treinos de limiar: terça e sábado, frequência cardíaca entre 150 e 165.
  * Pilates duas vezes por semana.
  * O spinning pode substituir o treino intervalado se alternar música forte e música lenta, mas não substitui o treino longo e contínuo.

MEU DESAFIO FINAL

Para se ter uma ideia do meu pique nessa semana, às 7h15 eu já estava subindo a trilha do Parque Nacional da Tijuca rumo à Vista Chinesa. Mesmo com frio e neblina, eu ia disposta e feliz da vida. Menos de um mês antes, meu desafio era subir os cinco quilômetros dessa estrada. Agora, eu já conseguia pedalar esse percurso com certa “tranquilidade”. Esse limite eu já havia ultrapassado. Então, me impus um novo desafi o, bem mais difícil: atravessar o Parque Nacional da Tijuca e chegar, pelas suas trilhas, ao principal cartão-postal da cidade: a estátua do Cristo Redentor. Agora seriam 24 quilômetros, com algumas paradas no meio do caminho, um trajeto cheio de ladeiras, sendo as do último quilômetro incrivelmente íngremes. Comecei a treinar muito para isso. Apesar de a nona semana ter sido uma das mais “pesadas” em termos de atividade física, eu me sentia bem. Acho que foi uma das fases de
maior disposição nesses noventa dias. E olha que pedalamos, corremos e remamos. Uma verdadeira maratona de esportes!

Estar com o corpo mais leve faz muita diferença. O exercício rende mais, a preguiça vai embora, o bom humor impera. Eu estava com condicionamento físico, e os benefícios eram imensos. Quanto mais condicionada eu me sentia, mais vontade e disposição eu tinha para treinar. Nosso exemplo havia contagiado o país inteiro. Todos os dias chegavam à redação relatos de pessoas que eram sedentárias, haviam começado conosco um programa de emagrecimento com saúde e já colhiam resultados. Era só eu sair na rua para ouvir: “Renata, perdi três quilos graças a você! Renata, você é minha inspiração! Renata, estou fazendo tudo igual a você!”. Ao mesmo tempo que esse sucesso era tudo que eu poderia desejar, a cada pessoa que me parava para dizer uma frase dessas aumentava a minha responsabilidade. Há muito tempo eu não via um quadro de televisão atingir todas as classes sociais. O Medida Certa era assunto em
todo lugar!

Um dia, cheguei ao banco para resolver problemas pessoais, e a gerente foi logo me mostrando a silhueta nova que havia conquistado seguindo as dicas do Medida Certa. Incentivada pelo programa, ela tinha voltado para a academia. Pouco depois, a garçonete que serve café veio atrás de mim para dizer que estava com uma lipoaspiração marcada e, quando assistiu pela primeira vez ao nosso reality, desistiu da cirurgia e decidiu seguir nossas dicas. Dá pra ter uma ideia de quanto eu me senti feliz? Fiquei imaginando quantas pessoas não teriam se animado e começado a caminhar ou a fazer qualquer outra atividade física. E quantas dessas pessoas não ganharam anos a mais de vida por conta disso?

Em tempos de concorrência acirrada na TV aberta, quando algumas emissoras fazem qualquer coisa para ter audiência, sem pensar em prestar um serviço para o seu público, eu estava muito feliz de fazer parte daquele momento do Fantástico. Feliz de estar chegando ao fi nal do projeto e ter tido apoio do público do início ao fim. Feliz de não ser uma simples “personagem” de reality, mas uma repórter de televisão experimentando um programa de saúde que pessoas do país inteiro passaram a seguir. Eu não queria que o programa terminasse dali a duas semanas só com desafi os pessoais. Por isso, dei uma ideia ao meu diretor, Luiz Nascimento: encerrar o Medida Certa convidando as pessoas para um domingo de caminhada. Quem ainda não havia começado a mudar hábitos alimentares e colocado a atividade física em sua rotina poderia aproveitar a oportunidade e começar. Marcaríamos um local em cada cidade, as afiliadas da Globo gravariam a caminhada, e mostraríamos trechos no último episódio do Medida Certa.

O Marcio Atalla e o Luiz Nascimento adoraram a ideia, que foi ganhando adeptos, a ponto de extrapolar o Fantástico e receber apoio de outros departamentos da emissora. Foi assim que surgiram as “Caminhadas Medida Certa” pelo país. Elas nasceram por volta da décima semana e passaram a acontecer no mês de julho, um domingo depois do último episódio do reality.

MEDIDA CERTA NAS REDES SOCIAIS

Não era só na rua que eu via o sucesso do Medida Certa. Nas redes sociais, especialmente no Twitter, meu número de seguidores não parava de aumentar. Muitos só escreviam palavras de apoio, mas outros queriam saber detalhes da minha rotina: o que eu comia, que quantidade de exercícios eu fazia, que
comida era liberada e qual era proibida etc. etc. Sou muito responsável na hora de passar qualquer informação, mesmo que informalmente. Afi nal, sou jornalista e não podia responder como se fosse uma nutricionista ou preparadora física. Todas as perguntas eu respondia perguntando ao @marcioatalla se a minha resposta estava correta. Ou passava as dúvidas diretamente para ele responder. Claro que o Marcio Atalla, um poço sem fundo de gentileza e educação, respondia a todas.

Fiz amizades no Twitter. Passei a conhecer histórias de pessoas que tinham problema de peso, recebia fotos e também postava muitas, muitas fotos mesmo. Era só começar um treino e logo postava uma foto
minha em cima da esteira, da bicicleta, ou correndo na areia. E ainda colocava uma provocação do tipo: “Eu já treinei hoje, e você?”. Se alguém respondia que não tinha tempo, eu repassava para o Marcio, que ia logo dizendo que falta de tempo não existe, mandava trocar o elevador pela escada, descer em um ponto de ônibus antes do habitual para dar uma caminhada mais longa para chegar ao trabalho ou de volta para casa. O Marcio e eu passamos a ter um discurso “motivacional” na rede. Ríamos, nos divertíamos com isso. Nos restaurantes era a mesma coisa. Eu sempre fazia questão de fotografar meus pratos e colocar as fotos no Twitter. As pessoas adoravam participar desse momento. E o assunto não esfriava de um domingo para o outro, porque o relacionamento com o público continuava no blog do programa e no meu Twitter pessoal.

CELEBRIDADE, EU?

Outro termômetro do sucesso do Medida Certa nessa semana foi a quantidade de revistas interessadas em fazer uma reportagem comigo e com o Zeca. Muitas revistas femininas estavam me procurando. E eu, claro, adorando. Eu estava muito mais magra, mais segura e com legitimidade para afirmar que a atividade física, aliada a hábitos alimentares saudáveis, funciona muito mais que qualquer remédio ou dieta da moda. Mas só entenderiam a minha mensagem as pessoas que não estivessem esperando de mim um corpinho de modelo. Eu contava sobre a experiência de uma mulher de 47 anos, em uma fase em que nem sempre conseguimos ter controle sobre as oscilações de nossos hormônios, que estava conseguindo emagrecer com saúde, independentemente da idade, do tão “culpado” metabolismo lento, da rotina intensa de trabalho e da falta de tempo. E era tudo verdade. Escrever tudo isso agora é fácil. Mas, na reta fi nal, com tanta repercussão e em contagem regressiva para subir novamente na balança, nem a carga toda de adrenalina do exercício físico conseguia aplacar a minha ansiedade."

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