Apresentadora lança produtora cultural, mostra personalidade em entrevista ao iG e brinca com sua mais marcante característica física: “Sou nariguda, né?”

As sobrancelhas grossas, o nariz com sardas, a voz rouca e a discrição ao falar sobre certos assuntos. Em um encontro com a apresentadora de TV Érika Mader é possível notar características em comum com a tia famosa, a atriz Malu Mader . No entanto, aos 26 anos, Érika trilha um caminho bem diferente do que consagrou a estrela global. O gosto pela atuação – Érika também é atriz – pode até ser o mesmo, mas é como apresentadora que até agora a sobrinha de Malu conseguiu realmente se destacar.

Érika Mader apresenta o programa
Dario Zalis
Érika Mader apresenta o programa "Bastidores", do Multishow, ao lado de Luisa Micheletti


Uma surpresa para a própria. “Caí de pára-quedas nessa profissão. Um dia me ligaram e me perguntaram ‘Quer morar em Nova York por um ano apresentando o Lugar Incomum ’. Não pensei duas vezes. Era irrecusável”, lembra. O jeito simples e easygoing da moça agradou a direção do canal a cabo Multishow que a convidou para apresentar o programa “Bastidores” e para escrever o seriado “Na Fama e na Lama”, que foi exibido no início do ano. “Posso transparecer que sou desencanada e que tudo é muito normal para mim. Mas não é bem assim. Sou autocrítica”, diz, acrescentando: “Ai, que difícil! Acho sempre piegas falar de mim mesma, me autodefinir”, brinca.

Na entrevista concedida ao iG Gente em sua charmosa casa na Gávea, na Zona Sul do Rio, Érika usa o humor para se desviar de perguntas que não lhe agradam. “A saída do humor é bom para tudo. Não ironizar tudo que acontece, mas é uma saída saudável e que sempre funciona”, afirma.

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Sem querer uma fama vazia, Érika investe em seu trabalho autoral. Seja atuando, dirigindo ou até escrevendo. “Acho meio esquisito quando a fama não corresponde ao trabalho. É tipo um ex-BBB. Você começa a ver a pessoa demais, mas não sabe o que ela faz direito”. Pensando nisso, Érika abriu a sua própria produtora a AUCH – que significa “também” em alemão. “É uma forma de conseguir concretizar projetos que sempre quis e, às vezes, via morrer na praia por falta de apoio”. O primeiro evento da produtora, TOCAYO, que junta música a várias manifestações artísticas, acontece nesse sábado (3), no Espaço Ação e Cidadania, na Gamboa, Zona Portuária do Rio. “Estou superansiosa, vivendo para esse dia”, diz ela.

iG: A novela é um dos principais expoentes para os atores brasileiros. Mesmo assim, até hoje você fez apenas uma ponta na novela “Paraíso Tropical” de 2007. Por quê?
Érika Mader:
Para falar a verdade, não sei dizer o porquê. Acho que a minha vida não me guiou para esse lado. Já fiz vários testes para novela, mas nunca rolou. Vou atrás de projetos que me instiguem.

Érika faz graça com os panfletos do TOCAYO, primeiro evento da sua produtora AUCH
Dario Zalis
Érika faz graça com os panfletos do TOCAYO, primeiro evento da sua produtora AUCH
iG: Novela, então, não te interessa?
Érika Mader:
Não, de jeito nenhum estou falando isso. Fazer novela não é fácil. Mas é que nós atores novos, quando entramos em uma novela, não sabemos muito bem o que é. Acho que no cinema, você incorpora mais o personagem. Eu fiz “Mandrake”, depois participei dos filmes “Pode Crer”, “O Maior Amor do Mundo”, “ Apenas o Fim ” e “Meu Nome não É Johnny”.

iG: É uma forma de se desvincular também da carreira da sua tia?
Érika Mader:
A partir do momento que você opta por alguma coisa está correndo esse tipo de risco, das pessoas acharem que você esta ali só por causa da minha tia. Mas nada que me acovarde.

iG: Mas ela te deu algum empurrãozinho para conseguir algum papel?
Érika Mader:
Imagina! Se fosse assim, com a quantidade de atores que têm filhos e sobrinhos, não teria mercado para todos (risos). Os critérios para escolha de um papel nunca são claros. Às vezes, em um teste, achamos que fomos mal, mas passamos ou vice-versa. Minha tia é uma influência direta para minha carreira e vida, afinal foi ela que falou para eu fazer o curso de atores doTablado.

iG: No ano passado, você escreveu a série “Na fama, na Lama”, para o Multishow, sobre o cotidiano de uma celebridade instantânea que tenta voltar a fazer sucesso. Qual é a sua relação com o tema?
Érika Mader: Me preocupo bastante com a fama. Na verdade, é um peso muito grande que me faz pensar se realmente quero ser atriz. É o meu lado negativo, na balança, na hora da escolha da profissão. A gente está vivendo um momento aonde alguma coisa vai ter que mudar.

Érika Mader:
Dario Zalis
Érika Mader: "Acho que a minha vida não me guiou para o lado das novelas"
iG: Como assim?
Érika Mader:
Estamos vendo dois movimentos: o das pessoas que estão sendo consumidas pela fama e das pessoas que a querem a qualquer custo. Não estamos vivendo nenhuma revolução política, mas revolução tecnológica. Onde tudo esta sendo registrado o tempo todo. Isso me preocupa. Essa superexposição e invasão de privacidade.

iG: Você sofre com a fama?
Érika Mader:
Dá para correr desse tipo de fama. Aparece quem quer. Mas quando escolhi a carreira de atriz, sabia que tinha de abrir a mão de certas coisas. Por exemplo, tem amigos que não vão à praia comigo porque sabem que podem ser fotografados. Não estou preocupada com o que vai sair depois ou se vão tirar fotos minhas mergulhando. O que é chato é que os fotógrafos às vezes atrapalham o que você está vivenciando.

iG: Aprendeu a se preservar com a sua tia?
Érika Mader:
A Malu lida muito bem com a fama, é incrível. Mas com ela aprendi a ver os dois lados da moeda. Às vezes meus primos – os filhos dela – não queriam sair de casa porque sabiam que podiam ser fotografados. As pessoas acham que só por você ser parente de alguém célebre, o mundo é mil maravilhas e que todos têm direito de tirar fotos. Porcaria nenhuma!

iG: A TV mexe com as pessoas...
Érika Mader:
Não vejo nenhum glamour. Sem nenhuma hipocrisia. Apagou a luz, meu amor, o palco acabou. Hora de desacreditar naquela ilusão. Às vezes trabalhar com a imagem é um problema. Uma espinha se torna a maior catástrofe do mundo. Mas sou pé no chão. Em um minuto, me dou uma rasteira e vejo que estou me preocupando com bobeiras.

Érika Mader:
Dario Zalis
Érika Mader: "As pessoas acham que só por você ser parente de alguém célebre, o mundo é mil maravilhas e que todos têm direito de tirar fotos"
iG: Você se acha bonita?
Érika Mader:
Hoje existem padrões de beleza impostos, que não se enquadram no meu perfil. Não tenho as pernas da Nicole Bahls e não sou magrela como as modelos. Talvez por estar na TV, as pessoas me olhem de outra forma. Confunde o fato de eu estar na TV com ser bonitinha. Todo mundo tem um dia que se acha bonita ou feia. Se eu falar que não me acho bonita, você vai colocar ‘Érika Mader se acha feia’. Mas não é isso.

iG: Você fazia sucesso no colégio?
Érika Mader:
Já tive uma fase que fazia sucesso, outra que não. Beleza é muito complexa. Já tenho a tendência a achar todo mundo bonito. As pessoas dizem que tenho gosto meio estranho (risos).

iG: Uma das suas características mais marcantes é o seu nariz. Algum momento já pensou em operá-lo?
Érika Mader:
Sou nariguda, né? (risos) No início da adolescência, você quer ser igual a todo mundo, mas sou vaidosa ao ponto de confiar mais na genética do que em uma pessoa me moldando. Alguns momentos, me encanava. Não mudaria nada em mim. Jamais entraria na faca por estética. Tenho medo de hospital. Tem muita doença para você se arriscar com uma bobeira dessas.

iG: Está namorando?
Érika Mader:
Não vou falar sobre isso. Não falo para determinados amigos, vou expor na mídia? De jeito nenhum.

iG: Na série Mandrake da HBO, seu primeiro trabalho na TV, você viveu um papel polêmico para uma estreia, com cenas ousadas e de nudez. Isso não te preocupou?
Érika Mader:
Não sou a primeira nem a última a fazer um papel que tem um apelo sexual. Pô, era um personagem do Rubem Fonseca, uma série da HBO. Na boa, não estava preocupada com a temática nudez. Acho que nem parei para pensar nisso. Estava envolvida artisticamente. A nudez foi algo que não ficou em evidência para mim. O meu corpo estava sendo usado a favor da arte.

iG: Aceitaria posar nua?
Érika Mader:
De jeito nenhum! Não é um dinheiro que me compre.

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