No ar em Fina Estampa e em cartaz com “Eri pinta Johnson borda”, ator fala que apanhou muito na infância e diz por que nunca teve filhos

Eri está em cartaz com o espetáculo
George Magaraia
Eri está em cartaz com o espetáculo "Eri pinta Johnson borda"
Conversar com Eri Johnson significa trazer à mesa do café um pouco de Romário , Caetano Veloso , Roberto Carlos e até o ex-presidente Lula . Imitador implacável, o ator – que não teme dizer que só faz humor, não gosta de dramas - reestreou no Rio a peça “Eri pinta Johnson borda”, na qual conta casos de sua carreira. Ha varios episódios engraçados. Como a reação da família ao perceber que ele faria um gay em “Barriga de Aluguel” ou suas impagáveis sátiras a famosos.

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Atualmente Eri também interpreta Gigante, um típico malandro carioca em “Fina Estampa”, novela que não tem o que, na sua opinião, faz falta à TV atualmente: Família “de verdade”. “Aquilo (o núcleo da Giselda Pereirão) não é família, não dá para chamar mesmo de família. Estou falando de família do sentindo normal. Todo mundo bem”, reclama.

Carioca, cinquentenário, vascaíno, salgueirense... E, apesar de se dizer um homem tradicional, solteiro convicto. Eri nunca casou nem teve filhos. “Construir família não é uma necessidade. Não quero conhecer mais ninguém, a minha galera já me basta. Ser solteiro é poder tudo”, diz ele, que gesticula tanto quanto fala.

Em quase duas horas de entrevista ao iG , em um café no shopping Fashion Mall, no Rio, o ator interrompeu o papo algumas vezes. Numa delas, para cumprimentar o diretor Carlos Magalhães, que o dirigiu em sua primeira novela da TV, “Hipetensão”. Em outro momento, perguntou à garçonete se ela queria ir vê-lo naquela noite no teatro. “Quer ir hoje? Arruma convite para ela”, autorizou ele ao seu produtor.

iG: Em algum momento você já se sentiu censurado pelo público ao fazer uma piada que não deu certo?
Eri Johnson:
Tenho 30 anos de profissão e nunca senti isso. Tenho a preocupação de ser responsável, entrando em cena sabendo que determinadas coisas não devem ser feitas.

iG: Como o quê?
Eri Johnson:
Não é justo sacanear alguém para arrancar gargalhada. Isso é fraco. Tinha uma piada do Lula na minha peça, por exemplo, que eu brincava com o fato dele ser ex-presidente e não ter o que fazer. Tirei do texto porque não cabe brincar no momento.

iG: Você imita muito bem o Romário. Depois que ele se elegeu deputado Federal, ficou mais fácil fazer piada?
Eri Johnson:
Falei pra ele fazer alguma merda que eu incluo no espetáculo. Ele: “Já falei um monte de merda, não usou nada disso?”. Brinco com o momento político dele. (ele imita a voz do Romário) Agradeço quem votou ‘em mim’ e peço para que levante a mão quem é meu eleitor. Ninguém levanta. Aí pergunto: como foi então que Romário se elegeu? Ele adorou a piada.

iG: Você votou no Romário?
Eri Johnson:
Não. Estava viajando fora do Brasil. Você sabia que Romário está adorando a política? Somos amigos, ele me falou em particular que está adorando transferir para a política esta oportunidade de tentar consertar as coisas.

iG: Como recebe as críticas de que sempre faz o mesmo papel?
Eri Johnson:
Eu fico chateado, mas se elas são verdadeiras... Como vou fugir disso? Não tenho como não aceitá-las. Ninguém é obrigado a gostar do meu trabalho. Eu é que sou obrigado a fazer com que gostem do que eu faço.

iG: E por que só faz comédia?
Eri Johnson:
Porque gosto. Uns tempos atrás me perguntavam: ‘Eri, você não tem vontade de fazer um drama para se exercitar?’. Não, não tenho! Sempre respondi isso. As pessoas se assustavam um pouco. Há trinta anos mantenho este pensamento. Acho desnecessário me tirarem da comédia.

iG: Foi difícil para você, que sempre passou uma imagem de eterno garotão, fazer 50 anos?
Eri Johnson:
Não tive crise, juro por Deus. Acho bacana falar que tenho 50 anos. Quantos anos tem aquele moço ali (Eri aponta para um homem de cabelos brancos que passa pelo corredor)? Ele está mais acabado que eu. Se eu tenho 50, ele tem que ter cem!

iG: Nunca pensou em se casar?
Eri Johnson:
Teve uma época que eu queria ser pai, casar na igreja, escolhi até música do Roberto Carlos para entrar na igreja. O tempo passou e hoje eu sou ‘nosso’. Não dá mais para eu casar.

iG: Por quê?
Eri Johnson:
Construir família não é uma necessidade. Não quero conhecer mais ninguém, a minha galera já me basta. Estou falando isso para você agora, mas vai que faço a peça daqui a pouco e vejo uma garota linda na plateia? Chego e falo: ‘vamos engravidar?’. Ser solteiro é poder tudo.

iG: Como assim?
Eri Johnson:
Não sou aquele tipo de ator que vai a uma cidade fazer uma peça, acabou, volta para o hotel e dorme. Vou para a night. Quero sair, ir para a boate, a um bom restaurante, curtir... Como vou abrir mão dessa vida que amo? Vida de casado deve ser muito chata, não posso me casar. Ter filho significaria abrir mão disso.

iG: Está satisfeito com seu personagem em “Fina Estampa”?
Eri Johnson:
Novela é uma coisa que aprendi a não ter mais expectativa. Tem semanas de altos e baixos, a não ser quando você é Griselda Pereirão, aí só tem alto. Novela é dia a dia. Quanto mais você procurar fazer o presente legal, o futuro será legal.

Eri Johnson é carioca, cinquentenário, vascaíno e salgueirense
George Magaraia
Eri Johnson é carioca, cinquentenário, vascaíno e salgueirense
iG: É verdade que o Gigante vai ter um romance com o Crô ( Marcelo Serrado )?
Eri Johnson:
Não sei o que vai acontecer com Gigante. Comecei a novela e, depois de algumas semanas, surge a mulher dele. Ele é casado? Então tá. Soube que Gigante trabalha no mercado financeiro. Como assim? Ele vive na praia, ué. E agora está a fim da Deusa, mora na pousada...

iG: Está achando confuso este papel?
Eri Johnson:
Fica mais fácil para a gente quando se sabe aonde vai o personagem. O trabalho é mais coerente. Assim fico sem saber o que fazer.

iG: E se tiver que dar um beijo gay na trama?
Eri Johnson:
Seria um outro caminho... Será? Eu já fiz um gay em “Barriga de Aluguel”, personagem maravilhoso. Não vejo relação do Gigante com o Crô. Aguinaldo (Silva) adora soltar boatos, não sei. Adoro o Marcelo Serrado, é meu amigo (risos). Quem sabe?

iG: Você gosta de novela?
Eri Johnson:
Já falei isso para o Roberto Thalma, para o Wolf Maya. Gostaria de ver uma TV mais família, sem frescura, que todos pudessem se reunir em frente à televisão para ver um programa, sem problema de classificação etária.

iG: A TV está erotizada?
Eri Johnson:
Falta família nas novelas e nos programas. Acho bacana a versão clássica de pai, mãe, irmãos, a filha com o namorado, a avó. Falta esta estrutura normal representada na novela.

iG: Em “Fina Estampa” tem a família da Griselda...
Eri Johnson:
Aquilo não é família, não dá para chamar de família. Estou falando de família do sentindo normal. “Cadê papai?”, “Foi na casa da vovó”. “Ah, que bom”. Isso é uma família em estado normal. Agora, como é tudo representado? “Cadê teu Pai?”, “Saiu”. “Foi pra onde?”. “Pra casa da mãe dele, aquela cobra!”... Que coisa chata isso. Precisamos de alegria. Mostra-se muito problema. O que quero é a felicidade. Falta mais otimismo nas novelas.

iG: Este é o seu lado tradicional?
Eri Johnson:
Eu sou um homem tradicional, sou antigo. Meu pai era militar, severo. Uma vez, quando eu tinha 19 anos, ele me viu abrir a porta do carro para uma amiga. Outro dia ele viu um amigo comigo no carro, e eu não abri a porta. Ele me perguntou: ‘vem cá, sua educação tem sexo?’. Fiquei sem graça, mas ele queria dizer que deveria tratar todos de forma igual.

iG: Como foi sua educação?
Eri Johnson:
Apanhava muito, claro que sim. Fazia merda, apanhava. E era com cinta. Aí fomos crescendo e ele parou com a cinta. Só olhava. Bastava um olhar para entender que estava errado. Tipo agora, como você me olha de forma intimidadora. É olhar e eu responder (risos).

iG: Você se acha um homem feliz?
Eri Johnson:
Sou feliz porque tenho absoluta certeza de que fui um bom filho. São duas perdas que estão sendo superadas na minha vida. Perdi meu pai em 1999 e minha mãe em 2003. O último natal fiquei sozinho, dormi a noite toda em casa. Os amigos me ligaram e eu não quis sair.

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