Aos 50 anos, ator estreia o espetáculo "Mistério Buffo" e volta a ser palhaço em palco paulista

Domingos Montagner sobre a estreia tardia na TV: “Fui tão bem recebido e tinha tantas proximidades, que fui me adaptando”
Daryan Dornelles/Divulgação
Domingos Montagner sobre a estreia tardia na TV: “Fui tão bem recebido e tinha tantas proximidades, que fui me adaptando”
Domingos Montagner está de volta às origens em palco de São Paulo ao interpretar um palhaço no espetáculo “Mistério Buffo”. O ator começou sua carreira no circo, com sua companhia de teatro La Mínima, na década de 1980. Foi na pele de palhaço que Domingos fez seu nome, até que em 2010 aceitou o convite da Rede Globo e fez uma participação no seriado “Força Tarefa”.

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Em pouco espaço de tempo, participou nos seriados “A Cura”, “Divã” e logo ganhou destaque ao interpretar o Coronel Herculano na novela "Cordel Encantado”. O folhetim mal tinha acabado e Domingos logo interpretou um presidente da República em “O Brado Retumbante” e agora está reservado para a novela das 21h “Salve Jorge”, de Gloria Perez .

Domingos Montagner:
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Domingos Montagner: "Tive um certo receio de entrar para a TV"
O ator, apontado como o novo galã da emissora, estreia “Mistério Buffo” para convidados vips nesta segunda-feira (19) e fica em cartaz de 22 de março a 3 de junho no Teatro SESI, na capital paulista. Domingos conversou com o iG sobre sua trajetória no circo. Durante o bate-papo, ele falou sobre seu retorno à pele de palhaço e ainda comentou sobre a fama de galã. Modesto, ele diz que “quem elege um galã é o público” e ainda afirma que não se considera um, já que passou da idade de se “iludir”. 

Aos 50 anos, casado há 10 anos Luciana Lima e pai de três filhos - meninos de 1 anos, 5 e 9 anos -, Domingos declara que teve receio ao mudar de formado e migrar para a TV, mas ressalta que, apesar do desafio, o artista precisa estar aberto às mudanças e ele consegue manter suas origens circenses inalteradas. 

Confira abaixo o bate-papo:

iG: Depois de grande sucesso na TV, como é voltar às origens na pele de palhaço?
Domingos Montagner:
Nunca deixei de ser palhaço, minha formação é essa a maior parte da minha vida artística. Quando a gente está em cartaz, essa opção pelo palhaço é por ele ser um meio artístico de comunicação. O palhaço tem sempre um olhar diferenciado. Ele passa esse sentido da comunicação com um pouco mais de tranquilidade, de aceitar as irregularidades naturais do ser humano. É uma comunicação mais sincera. O palhaço tem permissão para tudo, você pode criticar posturas, dogmas, sem ser julgado.

iG: Como virou palhaço?
Domingos Montagner:
Não foi uma decisão virar palhaço, minha decisão foi entrar para o circo. Já fazia teatro e surgiu a escola picadeiro. Isso era uma grande novidade e era difícil ter acesso, era muito raro e a primeira escola de circo despertou interesse. Foi uma maneira de reunir minha arte em uma expressão só. Foi um processo de sedução o universo do palhaço.

Domingos Montagner durante os ensaios da peça
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Domingos Montagner durante os ensaios da peça "Mistério Buffo"

iG: Apesar de nunca ter deixado de ser palhaço, qual a diferença você sentiu ao voltar em cena depois da TV?
Domingos Montagner:
É um novo exercício desse olhar do palhaço. Nós estamos comemorando 15 anos da companhia, Dario Fo é um autor que a gente admira muito, não só pela obra, mas pela técnica. Para os palhaços, ele é uma referência muito grande. Faz tempo que sonho em fazer o “Mistério”, faz dois anos que estamos desenvolvendo esse projeto com leituras, escolhas das falas. O espetáculo tem mais de 20 monólogos baseados nos jograis da Idade Média para estudar toda essa obra e se adaptar à linguagem do palhaço.

iG: E como foi feita a adaptação do palhaço – mesmo que sem nariz em cena – de um texto bíblico para os palcos, sem atingir as religiões cristãs?
Domingos Montagner:
Os jograis eram humor crítico da época, com temas tão complexos como o sagrado. Fizemos histórias bufas a partir do sagrado, do medieval da época. Antigamente, eles faziam mistérios religiosos, mas com abordagem profanas, sem blasfemar. O texto não questiona a crença religiosa, nem a religião. Ele fala sobre o aproveitamento de quem tinha o poder. É uma reflexão de toda a arte do palhaço.

Sobre o papel em
Daryan Dornelles/Divulgação
Sobre o papel em "Cordel Encantado: "Eles confiaram em um ator que nunca tinha feito nada na TV e procurei corresponder"
iG: Sua carreira foi consolidada nas artes circenses. Ficou com medo de aceitar o convite para a TV em um primeiro momento?
Domingos Montagner:
Tive um certo receio de entrar para a TV, mas tive referências muito boas. Eu perguntava para amigos como o Leopoldo Pacheco . Ele foi um grande exemplo, pois conseguiu fazer sua proposta nos teatros e continua fazendo TV. Tive sim o receio de entrar a essa altura da minha vida em um outro metiê.

i G: A adaptação na nova mídia foi difícil?
Domingos Montagner:
Fui tão bem recebido e tinha tantas proximidades, que fui me adaptando. Procuro conciliar as duas coisas e considero uma etapa nova. O artista tem que estar disposto a mudar, mas a essência dos princípios tem que ser mantida. Arte você pode fazer em qualquer lugar, faço com a mesma seriedade, me sinto trabalhando, criando, conhecendo outras técnicas, agregando conhecimento.

iG: Qual a sua percepção sobre o rápido sucesso na TV?
Domingos Montagner:
Fico muito feliz por encarar uma coisa que dá um certo medo e ver que tem um retorno profissional. Isso é estimulante. Foi um conjunto de fatores que favoreceram esse sucesso: peguei excelentes produtos, trabalhos de profissionais muito competentes e bons personagens. Acredito ter cumprido com a expectativa em “Cordel” porque peguei um personagem muito importante. Fiquei muito agradecido com a confiança depositada em mim. Eles confiaram em um ator que nunca tinha feito nada na TV e procurei corresponder. Chega uma hora que todo mundo faz com a vontade de dar supercerto.

iG: Vendo o sucesso na TV, se arrepende de não ter entrado antes?
Domingos Montagner:
Não tenho arrependimento nenhum. Admiro a minha estrada percorrida e acredito que foi melhor assim. Aprendi muito, consolidei a minha atuação, conheci de tudo no sentido de ter passado por todas as áreas. Produzi meu trabalho até chegar lá, viajei por muitos países. Estou supergrato e esse é um momento superfeliz do meu caminho.

Domingos Montagner estreia o espetáculo
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Domingos Montagner estreia o espetáculo "Mistério Buffo"

iG: Você se considera um galã?
Domingos Montagner:
Não tenho a menor cara de galã. Quem elege é o público, se você se eleger como galã, você está falido. Acredito no galã no sentido técnico. É aquele cara que conduz a trama. Fora isso, tem a fantasia. Acredito que a Globo tem um cast variado e diversos atores em faixas etárias variadas e isso vai influenciar também na escolha de um galã, pois isso ajuda muito a pegar bons personagens. Mas não me considero galã, já passei da idade de me iludir.

iG: E o assédio feminino é muito grande?
Domingos Montagner:
Fisicamente o assédio não é muito grande. Não tem muito ataque, mas sinto ataque do personagem. Em “O Brado” eu era um protagonista. As pessoas fazem muita solicitação para fotos, mas as aproximações são sempre respeitosas.

iG: Você imaginou que seria tão bem recebido pelo público?
Domingos Montagner:
Essa é a grande beleza da nossa profissão, nunca sabe quando vai encantar o público.

Essa é a grande beleza da nossa profissão, nunca sabe quando vai encantar o público"

iG: E como foi entrar ainda para outra mídia: o cinema? Você vai participar do filme “Gonzaga – De Pai para Filho”. Sentiu frio na barriga?
Domingos Montagner:
Já filmei no mês passado. Foi muito bacana, tive convite por parte do diretor. Foi um filme lindo, com uma história centrada na relação de pai e filho. Foi uma experiência muito gratificante.

iG: E sobre a novela “Salve Jorge”, em que você vai atuar ao lado de Cleo Pires? Já tem alguma novidade?
Domingos Montagner:
Ainda não tivemos nada, só uma pequena reunião sobre perspectiva de cronograma. Fui oficialmente convidado, estou oficialmente na novela e a partir de maio começamos as leituras.

iG: Foi a autora Gloria Perez que o convidou?
Domingos Montagner:
Foi ela quem me convidou. Na verdade a equipe toda, mas com indicação dela. Já me reservaram à medida em que souberam que eu estava disponível.

Domingos Montagner estará na próxima novela de Gloria Perez,
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Domingos Montagner estará na próxima novela de Gloria Perez, "Salve Jorge"


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