Com 22 anos de estrada e no auge da carreira, o Ceará do "Pânico" abre sua casa e revela que está na hora de formar uma família

Wellington Muniz, o Ceará, recebe o iG Gente em sua casa de 1300 metros quadrados em São Paulo
André Giorgi
Wellington Muniz, o Ceará, recebe o iG Gente em sua casa de 1300 metros quadrados em São Paulo

Para passar a tarde conversando com Wellington Muniz é preciso estar preparado para rir. E muito. A cada frase, o humorista do programa “Pânico na TV”, da Rede TV!, solta uma piada ou muda o tom de voz para imitar alguns de seus célebres personagens, entre eles Silvio Santos , Clodovil ou a Gabi Herpes, inspirada em Marília Gabriela .

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O bate-papo com o iG Gente aconteceu em uma terça-feira de sol na casa para qual Ceará se mudou no final de 2010. Há oito meses, ele está morando com o irmão e dois empregados em um espaço de 1.300 metros quadrados no bairro do Brooklin, em São Paulo. Sala de estar ampla, mesa de sinuca, piscina e jacuzzi compõem os ambientes. "Eu sempre tive o sonho de ter uma casa. Foi meu maior luxo", conta ele.

Wellington Muniz:
André Giorgi
Wellington Muniz: "Tenho obrigação de fazer algo legal. É impossível chegar à perfeição"

Mas se as pessoas pensam que aquele cara divertido da TV, que adora uma "zoação", construiu a casa somente para se divertir com os amigos, estão enganados. Aos 38 anos, o que ele quer mesmo é uma família. "Eu me via na casa com uma mulher, com filho, com cachorro", diz, mostrando o closet e o banheiro da suíte principal,  tudo pensado numa futura parceira. "O homem precisa ter uma grande mulher", diz ele, solteiro há mais de um ano, desde quando colocou um ponto final no casamento de seis anos com a nutricionista Tatiana .

Quando o assunto é vida pessoal, Ceará é adepto de uma postura "low profile" desde o início de sua carreira na televisão. Mas é impossível escapar de perguntas sobre seu mais recente affair: a repórter da mesma emissora, Mirella Santos , com quem foi visto em uma boate em março. Apesar do humorista negar o romance, a assessoria dele afirma que os dois "estão se conhecendo melhor".

André Giorgi
"Para fazer piada tem que ter algum motivo, tem que acordar em um dia bacana", diz Ceará

De sua sala envidraçada, ele diz que cuida pessoalmente de cada detalhe da casa - da escolha de cada quadro à manutenção do impecável jardim -, e conta como conheceu Marília Gabriela, dos elogios que recebeu da apresentadora, e como trilhou a bem-sucedida carreira.

A gostosa prosa foi encerrada com uma palhinha no violão. Wellington fez uma rápida retrospectiva dos personagens que imita ao longo de seus 22 anos de humor. E mandou ver em um "pot-pourri" de Caetano Veloso , Maria Bethânia e Chico Buarque . Confira o bate-papo:

Contar piada é igual pintar um quadro, acontece quando estou inspirado. O artista não pinta um quadro todo dia

iG: É fácil contar piada?
Wellington Muniz: Acontece quando estou inspirado. Às vezes você não consegue. É igual pintar um quadro: o artista não pinta um quadro todo dia.

iG: Você se sente cobrado para ser engraçado o t empo todo?
Wellington Muniz : Não me sinto obrigado a fazer piada ou incomodado com isso, mas todo mundo acha que você tem que ser engraçado o tempo todo. Me encontram na rua e perguntam: “Você é o Ceará? Cadê a dentadura, cadê a peruca e o microfone?”. E não é só o povão não, é gente que estuda, que tem cultura.

Eu acho bacana isso, quando a pessoa gosta de você artista, não só do personagem
André Giorgi
Eu acho bacana isso, quando a pessoa gosta de você artista, não só do personagem

iG: Você tem quase dois milhões de seguidores no Twitter, que usa para conversar com os fãs e postar piadas. Essa ferramenta é importante para manter uma relação com os fãs?
Wellington Muniz : Você testa a piada no Twitter. Piada é muito democrática. Às vezes quando alguém critica a piada, eu vou lá e respondo o cara, me coloco também como alguém que possa errar. E me sacaneio: “gente, a minha perna é tão fina, se eu levar uma picada de uma abelha, dá fratura exposta. Fui malhar agora e vi que minha perna é uma coisa só: canela, joelho e canela”. 

A Marília Gabriela me ligou e disse: "Adorei sua imitação. Pode continuar fazendo."

iG: Você se sente uma celebridade?
Wellington Muniz: Não me sinto uma celebridade, mas eu sei que o “Pânico” vai fazer oito anos e de um tempo para cá as pessoas querem saber mais da gente, não do personagem.

iG: Assim que chegamos à sua casa, você falou que gosta de ter uma atitude ‘low profile’ em relação a sua vida pessoal. Por quê?
Wellington Muniz: Quando eu fiz o piloto para o “Pânico”, em 2003, eu não me senti à vontade de cara limpa. Foi daí que surgiu o personagem Silvio. Li uma vez uma entrevista com o Chico Anysio em que ele falava que era para ser assim. Não aparecer muito de cara limpa. Só os personagens. Gosto disso.

André Giorgi
"Mas não é para inflar o ego, é um reconhecimento da pessoa", sobre elogios de Marília Gabriela

iG: Então você não queria ser reconhecido na rua?
Wellington Muniz: Sou tranquilo, me foco no trabalho. Se falam de uma coisa pessoal, sobre quem eu estou namorando, deixa falar. Falem bem ou mal, mas falem de mim. Quando eu era casado, me preocupava mais com uma fã saidinha, porque dependendo do ângulo da foto, as pessoas começam a falar.

iG: Você tem uma relação de amizade com as pessoas que você imita, como o Chico Anysio, Marília Gabriela, Silvio Santos?
Wellington Muniz: Tenho muito respeito por eles. Com o Chico, foi o filho dele, André, que me encontrou em um show de Manaus e falou de mim para o pai. Dez anos depois, em 2006, fui assistir ao show “Chico.Tom”. O André me reconheceu e falou: “Pai esse aqui é o Ceará! Lembra dele que eu te falei que um dia vocês podiam trabalhar juntos?”.

O Chico Anysio uma vez me disse: “Ceará, a dentadura é legal, mas você também consegue fazer personagens sem dentadura, não se apegue a ela”

iG: O Chico te inspira?
Wellington Muniz: O Chico uma vez me disse: “Ceará, a dentadura é legal, mas você também consegue fazer personagens sem dentadura, não se apegue a ela, não”.

iG: E com a Marília Gabriela?
Wellington Muniz: Ela estava na Europa quando foi ao ar a primeira vez o quadro “Marilia Gabri Herpes”. Não esqueço isso, era maio de 2009. Ela falou assim: “Ceará, é a Gabi. É muito difícil falar com você, é mais fácil falar com o presidente. Não vou tomar teu tempo. Meu filho me ligou pra falar que você tava me imitando no Pânico, vou dizer uma coisa pra você: eu não gosto muito de imitação. Aquela coisa que deprecia, não é legal, mas eu adorei a sua imitação. Pode continuar fazendo”.

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iG: Você pegava muito no pé do Clodovil...
Wellington Muniz: Clodovil era um personagem sem saber que era um personagem. No Brasil existem poucos apresentadores polêmicos, multifacetados como ele. São pessoas que a gente começa a imitar cedo. Silvio, Hebe Camargo...

iG: Você acha que em algum momento vocês passam do ponto com as brincadeiras?
Wellington Muniz: Acho que a gente sempre passa do ponto, mas não me arrependo de nada. É normal, você está fazendo humor, sempre vai ter alguém que não vai gostar de uma piada. As pessoas precisam do combustível que é o elogio. Tem gente que só vai para frente com elogio. Nunca fiz nada pesado com ninguém.

null iG: O que mudou do Wellington antes do sucesso e depois do sucesso?
Wellington Muniz: Minhas raízes são as mesmas. Mas se você melhora financeiramente você conhece o bom e depois que você conhece o bom, você quer o bom sempre. Mas o dinheiro é mérito do seu trabalho, da equipe bacana que você tem.

iG: Já foi convidado para mudar de emissora? Alguma proposta tentadora?
Wellington Muniz: Estou muito bem na Rede TV!. Já tive convites de outras emissoras, sim, mas você tem que saber o que quer. Como eu sou um produto, tenho que saber até onde eu vou dar resultado. Mas para fazer humor, tem que ter liberdade.

Deus me escolheu. Tem tanta gente talentosa que eu penso (...) E às vezes eu me pergunto:
André Giorgi
Deus me escolheu. Tem tanta gente talentosa que eu penso (...) E às vezes eu me pergunto: "por que eu?

iG: De todos os cearenses que são humoristas, e olha que são muitos, por que você acha que você se destacou?
Wellington Muniz: Agradeço muito a Deus, acho que tudo é porque Deus quer. Todo mundo batalha lá. Assim como eu. Mas a sorte é um mérito. Deus me escolheu. Tem tanta gente talentosa que eu penso, “putz, essa cara merece estar na televisão”. E às vezes eu me pergunto: “por que eu?”

Quando for para casar, que não seja pra separar, porque eu acho muito triste ter uma mulher aqui, um filho ali, separar antes de o filho nascer

iG: Qual foi o maior luxo que você já se deu?
Wellington Muniz: Sempre tive o sonho de ter uma casa. Eu me via em uma casa, me via com tudo isso. E eu comecei a procurar quando eu me separei. Mas eu me via na casa com uma mulher, com filho, com cachorro. Não foi para ser com a minha ex-esposa porque não estava dando certo.

iG: Então você está procurando uma mulher para morar aqui com você?
Wellington Muniz: As mulheres perdidas são as mais encontradas (risos). O homem precisa ter uma grande mulher, uma família. Eu quero logo, daqui a pouco estou com 40 anos. Eu sou uma arma, 38, daqui a pouco saio atirando pra tudo quanto é lado. Na hora certa vai acontecer. E quando for para casar, que não seja pra separar, porque eu acho muito triste ter que separar. Ter uma mulher aqui, um filho ali, separar antes de o filho nascer. Eu não gostaria que minha vida fosse assim.

iG: Mas você já se separou uma vez. Sofreu com isso?
Wellington Muniz: Foi uma união estável. Não sofri. As pessoas sofriam por mim. Passei por maus momentos, mas foi da maneira correta, madura.

iG: Quais são as suas manias?
Wellington Muniz: Eu falo sozinho. O homem quando vai ficando mais velho, vai ficando com umas manias... Eu também tenho a mania de guardar datas. A memória é uma loucura, lembro sem querer.

iG: Você sempre foi assim? Uma pessoa divertida e de bem com a vida?
Wellington Muniz: Eu sempre fui um menino muito tímido. No colégio, acabei reprovando duas vezes a quinta série porque não tinha coragem de falar na frente da sala de aula.

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