Em vídeo exclusivo, a atriz rejeita o título de mulherão e conta ao iG como foi filmar cenas de sexo e drogas, mesmo sendo “meiga e doce"

Aos 31 anos, Deborah Secco tem um currículo de veterana. Com 23 anos de carreira, a atriz contabiliza 15 novelas e 8 minisséries. Apesar de ter participado de sete filmes, na sexta-feira (25) Deborah fará o que considera a sua grande estreia no cinema na pele da ex-prostituta Raquel Pacheco, em “Bruna Surfistinha”, de Marcus Baldini.

“Eu sempre quis muito fazer cinema, mas não queria fazer por fazer. Queria fazer a personagem da minha vida”, explicou a atriz, que atualmente está no ar na novela das oito na Globo, “Insensato Coração”, como Natalie Lamour, uma ex-participante de reality show que sonha em reconquistar a fama e conseguir um marido rico.

"Eu nunca fui a garota mais popular do colégio. Sempre falo e ninguém acredita. Mas vou continuar falando..."

Na vida real Deborah é casada com o jogador de futebol Roger (atacante do Cruzeiro) e o que não lhe falta é destaque nos veículos de imprensa. Ironicamente, a superexposição quase colocou os planos da atriz de protagonizar o longa por água abaixo: “Baldini achava muito óbvio me colocar para fazer o papel. Porque sou uma atriz muito midiática fazendo uma personagem também midiática”.

Deborah Secco vive a ex-prostituta Raquel Pacheco no cinema
Isabela Kassow
Deborah Secco vive a ex-prostituta Raquel Pacheco no cinema

iG: Conversou com a verdadeira Raquel para se preparar?
Deborah Secco
: A primeira coisa que definimos é que este não era um filme biográfico. É um filme ficcional. E o grande barato do ator é a construção do personagem. Se eu conversasse com a Raquel ela iria me dar a personagem pronta. Queria descobrir as minhas emoções como Raquel/Bruna. Qual o sentimento que tive de raiva, aonde doeu em mim para ter tomado essa decisão, que dor senti, que prazer senti. Como foi a minha felicidade de estar ganhando notoriedade com os homens que eu nunca tinha tido.

iG: Em algum ponto vê semelhanças entre você e a personagem?
Deborah:
Ah, eu nunca fui a garota mais popular do colégio. Sempre falo e ninguém acredita. Mas vou continuar falando (risos).

iG: Você costuma declarar em entrevistas que não se acha sexy.
Deborah:
Não é que eu não me ache nada sexy. É que o meu traço marcante não é ser sexy. Sou muito mais meiga, doce. Não sou uma mulher forte, decidida. Tenho isso (ser sexy) como todas as mulheres têm. Mas não é uma coisa que guia a minha vida.

"O sexo a gente sabe como funciona. A droga eu não sabia. Cocaína eu nunca tinha visto. Cometi algumas gafes (no filme) ..."

iG: Foi difícil fazer as cenas de nudez?
Deborah:
Desde que me tornei atriz nunca julguei as minhas personagens, nem o que fazia para compô-las. Nesse filme, principalmente, acho que a Deborah não ficava nem mais no hotel, ficava no Rio de Janeiro. Quem foi para São Paulo foi a Bruna. Eu tinha muita certeza do bom gosto do Baldini. A gente tinha conversado sobre o resultado final antes de fazer, então foi completamente tranquilo.

iG: Qual cena foi mais difícil?
Deborah:
O mais difícil foi filmar em desordem porque para mim eu separo a Raquel e a Bruna em quatro: colégio, se descobrindo mulher, o topo e ladeira abaixo. Às vezes alternava no mesmo dia cenas de três delas. E tinha duas horas de caracterização para isso. Tive realmente uma força para manter a concentração que desconhecia em mim. Ficava ali, com o pessoal pintando o meu cabelo e ouvindo a minha música chorando. Nada me tirava da minha história.

Isabela Kassow
"Bruna Surfistinha" estreia na sexta-feira (25)

iG: Como foi fazer as cenas com drogas?
Deborah:
O sexo a gente sabe basicamente como funciona. A droga eu não sabia nem basicamente. Eu nunca tentei. Cocaína eu nunca tinha visto. Então fazer disso uma coisa cotidiana, natural, era bem difícil. Cometi algumas gafes, mas tudo bem. Nada que a edição não salvasse (risos).

iG: Fizeram alguma preparação?
Deborah:
Para essas cenas em especial fomos conversar com um médico e alguns ex-usuários de drogas para entender qual sensação dava. Fui eu, Sérgio Penna (preparador de elenco) e a Simone Illiescu, que fazia a Yasmin, uma outra personagem. Ficamos umas três horas conversando com esse médico.

"Depois de tudo que vivi para fazer esse filme o que tenho certeza é que a gente não tem direito de pensar nada sobre as garotas de programa. Quem somos nós para julgar?"

iG: Você sempre quis fazer uma protagonista no cinema?
Deborah:
Eu sempre quis muito fazer cinema, mas não queria fazer por fazer. Para dizer que fiz três, quatro, cinco filmes? Queria fazer a personagem da minha vida. Que precisasse me dedicar, me desmontar, me reinventar. Engatinhar mesmo como atriz.

iG: Qual foi a primeira impressão quando leu o roteiro?
Deborah:
Quando chegou o roteiro ficou claro que tinha uma dramaturgia muito maior. Por mais que existissem cenas fortes, a história da Raquel era bem mais forte. Vi que passou um ano... E nem para um teste o Baldini me chamava. Achei que fosse uma posição muito firme. Realmente ele não me quer. Mas isso foi um ponto a favor. Porque entendi o filme que ele queria fazer. Então decidi tentar convencê-lo.

A atriz considera Bruna o papel mais importante de sua vida
Isabela Kassow
A atriz considera Bruna o papel mais importante de sua vida

iG: Como trabalhou a sensualidade de forma diferente das personagens que fez anteriormente?
Deborah:
A personagem tem uma profundidade que eu nunca tinha trabalhado antes. Por mais que faça diversas personagens, tenha 23 anos de carreira, com 15 novelas e 8 minisséries, vou acabar esbarrando uma personagem na outra. Nesse caso já tinha tudo diferente: a forma de trabalhar, o tempo de preparação, a exibição numa sala escura com uma tela grande. As pessoas vão ter uma atenção maior. Isso foi o mais fácil, por ser num veículo diferente.

iG: Em outras entrevistas você falou que precisou ficar isolada durante as filmagens.
Deborah
: É, pelo fato de estar em São Paulo, que não é a minha cidade e, principalmente, de não estar rodeada das pessoas da minha família e dos meus amigos, que são muito poucos. Eu acreditava mais na personagem do que em mim naquele momento. Foram nove semanas e meia de filmagens.

"Não tive contato nem com o blog nem com o livro. Todo mundo pergunta quando vou ler. Acho que depois que o filme estrear talvez eu desapegue da minha Bruna e aceite uma outra Bruna"

iG: O que você pensa sobre as garotas de programa hoje?
Deborah
: Depois de tudo que vivi para fazer esse filme o que tenho certeza é que a gente não tem direito de pensar nada sobre as garotas de programa. Quem somos nós para julgar? A vida não é exatamente como elas queriam que fosse. A vida é como elas conseguem.

iG: Se precisasse seria capaz de fazer o que elas fazem?
Deborah
: Não. Jamais. Acho que por mais que a gente tenha pesquisado, tenha feito todo um trabalho, que elas sentem, a dor que elas sentem, como elas sentem, nunca vamos saber exatamente.

iG: Encontrou com a Bruna depois do filme pronto?
Deborah
: Não. Encontrei antes de começarmos a rodar o filme e no dia em que ela foi filmar uma participação. Ela contracena comigo e com o Cássio Gabus Mendes. Foi ótimo. Acho que ela se saiu bem. Estava nervosa e emocionada.

iG: Leu o blog ou o livro?
Deborah
: Não tive contato nem com o blog nem com o livro. Todo mundo pergunta quando vou ler. Acho que depois que o filme estrear talvez eu desapegue da minha Bruna e aceite uma outra Bruna.


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