Ator de inúmeros musicais, que estreia como Gomez de "A Família Addams", fala da próxima novela e do papel real de pai

Daniel Boaventura:
Claudio Augusto
Daniel Boaventura: "Quando vi o musical em Nova York fiquei impressionado, nunca imaginei que fosse fazer e que o espetáculo viesse para o Brasil tão cedo"
Considerado o principal ator brasileiro de musicais, Daniel Boaventura estreia mais um espetáculo neste final de semana, “A Família Addams”, no Teatro Abril, em São Paulo. No papel do excêntrico e charmoso Gomez Addams e ao lado da Mortiça de Marisa Orth , Boaventura promete contabilizar mais um sucesso em sua carreia.

Na véspera de apresentar pela primeira vez ao público o espetáculo realizado pelos criadores originais da Broadway, o ator recebeu a equipe do iG e mostrou o passo a passo de sua transformação no famoso personagem. Na entrevista bem-humorada, o Boaventura falou sobre a carreira nos palcos e na TV, seu papel de pai na vida real e como lida com a fama. “Não acho que eu seja uma celebridade”, pondera ele.

Confira o antes e depois de Gomez e o bate-papo exclusivo:


iG: Como é interpretar Gomez Addams, um personagem que foi imortalizado por grandes nomes da dramaturgia como John Astin no seriado, Raul Julia no cinema e Nathan Lane no musical da Broadway?
Daniel Boaventura:
“A Família Addams” é um ícone pop. Quando vi o musical em Nova York fiquei impressionado, nunca imaginei que fosse fazer e que o espetáculo viesse para o Brasil tão cedo. Nós somos o primeiro país a fazer essa montagem e o quarto no ranking de musicais. Acho isso fantástico. Não pensei na questão da comparação... Mentira, pensei (risos). Mas não me preocupei com isso, eu ia trazer meu estilo, e com a parte criativa original do musical aqui, estamos muito bem cercados.

(Marisa Orth) é uma atriz que não é egoísta em cena, é hilária, tem estrela"

iG: E como está sendo trabalhar com a Marisa Orth? Vocês já se conheciam?
Daniel Boaventura: Conheci Marisa no ano passado, quando fiz uma participação no (seriado) “Toma Lá, Dá Cá”. Eu a adoro. Marisa virou uma surpresa, não por eu achar que ela seria antipática, mas além ser talentosa, ela é uma “coxia” excelente, é uma boa camarada fora do palco. Admiro ainda mais ela. É uma atriz que não é egoísta em cena, é hilária, tem estrela. É altruísta, fantástica, ótima. Acho que não poderia ser outra pessoa para fazer a Mortiça.

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iG: Como apareceu o convite para esse papel?
Daniel Boaventura:
Os diretores da Broadway viram meu material no Youtube. Mas me acharam sério e queriam saber como era meu timing cômico, pois me viram interpretando o Diogo na (novela) “Passione”, os meus CDs, que são mais românticos, e o Perón no (musical) “Evita”, que é dramático. Eles não sabiam que eu podia fazer comédia. Aí, vieram para cá, gravamos dois números, mandaram os vídeos para os Estados Unidos e fecharam o trabalho comigo.

Não para parecer chique, eu gosto de cantar as músicas em seu idioma original"

iG: E você tem essa veia humorística ou considera difícil fazer as pessoas rirem?
Daniel Boaventura:
A questão do riso depende da verdade em cena, depende do seu colega. Se for uma cena egoísta, tudo desmorona, fica um espetáculo de solistas. Temos um elenco aqui em que todos têm vontade de ajudar e fazer espetáculo crescer. Não que seja mais difícil fazer rir, mas necessita de uma noção de ritmo diferente e uma percepção de público diferente. E eu não sou humorista, admiro o Marcelo Adnet , Marco Luque e, claro, o grande humorista brasileiro que é o Chico Anysio , na minha opinião. Sou um ator que tem um flerte com o humor e, no caso do Gomez Addams funciona porque ele é irônico, exagerado.

FOTOS: VEJA A PREPARAÇÃO DE DANIEL BOAVENTURA NO CAMARIM

iG: A última vez que você deu uma entrevista ao iG , você falou que ainda não era hora de ir atrás de algo na própria Broadway, nos Estados Unidos? Isso mudou?
Daniel Boaventura:
Não. Estou muito focado neste projeto e no meu DVD, que lanço em maio. Se vier, se uma oportunidade surgir na Broadway e eu conseguir ter uma logística para encarar isso, tudo bem. Senão, não.

Daniel Boaventura e Marisa Orth caracterizados ao lado dos outros atores de
Orlando Oliveira/AgNews
Daniel Boaventura e Marisa Orth caracterizados ao lado dos outros atores de "A Família Addams"
iG: Você já era um ator famoso, mas depois que fez “Passione”, se tornou uma celebridade. Percebe uma diferença antes e depois da novela?
Daniel Boaventura:
Olha, eu não acho que eu seja uma celebridade. Eu tento trabalhar, realmente não tenho tempo de viver essa coisa de ser celebridade. Senti sim que mudou depois de “Passione”, mas foi a primeira vez que abracei um personagem no horário nobre com um lado mais romântico, mais realista. Talvez isso tenha atingido uma fatia de pessoas que não tinha me visto dessa forma. Entrei na novela quando ela já estava no auge, isso realmente me deu uma visibilidade muito grande.

iG: E a fama assustou? Como é, por exemplo, andar na rua e ser flagrado pelos paparazzi ou ler inverdades sobre você?
Daniel Boaventura:
No início me incomodou um pouco, mas vi que isso era uma coisa natural. As pessoas inventam matérias e situações até hoje. Depende muito do leitor. Por isso que eu não vou à praia do Leblon (risos). Você tem que escolher a praia que ir. Não estou dizendo que quem vai lá quer ser fotografado, mas quem não quer ser fotografado, não vai à praia do Leblon.

Os diretores da Broadway me acharam sério e queriam saber como era meu timing cômico"

iG: Qual seu próximo trabalho na televisão?
Daniel Boaventura:
A partir de julho, agosto começo a gravar o remake de “A Guerra dos Sexos”. O legal é que será com o Silvio de Abreu , o autor original, e com o Jorge Fernando , o diretor original. Será bárbaro. Acho que meu personagem se chama Nenê Stalone, mas ainda não falamos muito sobre isso. Acho que vai para um linha galã, mas não tão pesado quanto Diogo. Como é novela das sete, é uma coisa que vai tender mais para o humor.

iG: Está conseguindo conciliar a carreira de cantor com a de ator?
Daniel Boaventura:
Sim. O espetáculo só é mais complicado no começo, mas depois começa a andar com as próprias pernas e é mais tranquilo. Se eu tenho saúde vocal para isso, tenho que aproveitar enquanto sou ainda jovem, tenho 41 anos. Em abril, por exemplo, já tenho shows agendados.

iG: Depois de um CD em inglês, “Songs For U”, e um em italiano, “Daniel Boaventura – Italiano”, pensa em gravar um trabalho em português?
Daniel Boaventura:
Não, vamos fazer CD em húngaro! (risos). Brincadeira! Mas não para parecer chique, eu gosto de cantar as músicas em seu idioma original. Tenho muita vontade de regravar duas músicas em francês, espanhol e mais algumas em italiano. Gostei da experiência e foi bem aceito. O que acontece com o inglês é que fui criado nos Estados Unidos, tenho muita ligação com a língua e com a música, jazz, blues, rock, tudo isso. Sinto muito prazer em cantar inglês. Mas tem músicas em português que eu quero gravar, tenho vontade.

FOTOS: PASSO A PASSO DA TRANSFORMAÇÃO DE DANIEL BOAVENTURA EM GOMEZ ADDAMS

iG: Gosta de algum artista atual?
Daniel Boaventura:
Algumas coisas da Adele . Fiquei muito feliz em ver que minha filha mais velha – Joana , de oito anos - gosta dela. É vaidosa, tem uma voz potente, como a Joss Stone , que gosto muito também. Mas me encanto mais por cantoras não tão conhecidas, como Feist , KD Lang , Holly Cole , Brandi Carlile .

iG: E o que você acha desses cantores atuais, como Michel Teló ?
Daniel Boaventura
: Eu não sei...

iG: Você e baiano. Gosta de carnaval, de axé?
Daniel Boaventura:
Pulei carnaval duas vezes, não participo muito. Eu ia quando era adolescente porque queria pegar mulher. Eu era péssimo, tímido e a melhor maneira de você se aproximar de uma mulher sendo tímido, é bêbado no carnaval. (risos). Mas atualmente não gosto de carnaval, não.

Quem não quer ser fotografado, não vai à praia do Leblon", diz sobre assédio dos paparazzi

iG: Você está solteiro?
Daniel Boaventura:
Não gosto de falar de minha vida pessoal, mas estou sim.

iG: Como é a relação com suas filhas (ele é pai de Joana, de oito anos, e Isabela, de dois, de seu casamento com Juliana Serbeto)? Consegue vê-las com frequência por conta da profissão?
Daniel Boaventura:
Apesar de morarmos todos em São Paulo, sinto muito falta delas. Vejo-as quando quiser, mas por conta do trabalho, às vezes é mais difícil. Mas sempre estou com elas no mínimo umas três, quatro vezes por semana.

iG: Elas lidam bem com o pai famoso?
Daniel Boaventura:
Sim, tranquilamente. Me veem na televisão e falam “ó papai”. (risos)

iG: E quando te veem beijando em cena?
Daniel Boaventura:
A Jojo (como ele chama carinhosamente a filha mais velha) tem um pouco de ciúmes, mas compreende que é ficção. Ela adora teatro, faz aulas. Ficou alucinada quando me viu de Gomez. É tímida como eu. Sou fissurado pelas minhas filhas. Tudo que construo, tudo mesmo, é para elas.

FOTOS: PASSO A PASSO DA TRANSFORMAÇÃO DE DANIEL BOAVENTURA EM GOMEZ ADDAMS

O ator pronto para entrar em cena
Claudio Augusto
O ator pronto para entrar em cena

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