Nina Simone completaria 88 anos, se estivesse viva
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Nina Simone completaria 88 anos, se estivesse viva


Se estivesse viva, a cantora , pianista e ativista social estadunidense Nina Simone completaria 88 anos neste domingo (21). Cantora é lembrada até hoje como uma das maiores artistas de jazz e por seu ativismo social em prol dos direitos humanos e da comunidade negra .

Nascida em 1933 como Eunice Kathleen Waymon, Nina Simone adotou este nome porque foi apelidada assim por um antigo namorado hispânico, que a chamava de “niña Simone” como homenagem à atriz Simone Signoret.


Começou cantando e tocando piano em casas noturnas sem o conhecimento dos pais, mas logo foi reconhecida e começou a gravar músicas e discos de jazz, blues e soul. Seu primeiro álbum, ‘Little Girl Blue’, foi lançado em 1958.

Ao longo de sua carreira, recebeu 15 indicações ao Grammy e lançou faixas que até hoje são repercutidas, regravadas e relembradas. As principais são ‘I Put a Spell On You’, ‘Feeling Good’ e 'Mississippi Goddam’, faixa que a colocou no centro do movimento dos direitos pela libertação de pessoas negras.

A faixa faz menção à explosão de uma igreja em Birmingham, Alabama, que causou a morte de quatro crianças negras. 'Mississippi Goddam’ se tornou um single importante para o movimento negro e cobrava respostas pelos assassinatos e atentados. No sul dos Estados Unidos, a canção foi boicotada.


Após o lançamento de músicas mais políticas, Nina Simone começou a se engajar cada vez mais no movimento dos direitos civis e participou de eventos que se tornaram históricos e importantes, como as marchas de Selma a Montgomery, que levaram ao direito de pessoas negras ao voto em 1985.

Politicamente, ela se opunha aos princípios pacifistas do ativista Martin Luther King e defendia que afro-americanos deveriam conquistar seus direitos por meio de uma rebelião armada. Ela fazia tanto manifestações artísticas para convocar ativistas como batendo de porta em porta, com o intuito de se manifestarem contra o genocídio de pessoas negras no país e em todo mundo.

Foi casada com o compositor Weldon Irvine, com quem também tinha uma relação profissional. Mas o relacionamento era conturbado e cheio de brigas. No entanto, Irvine passou muito tempo administrando a carreira da cantora e foi o principal guardião da filha dos dois.

A partir de 1981, Nina deixou os Estados Unidos e passou a viver em diversos países sozinha, em apartamentos que eram alugados - o que fez com que ela perdesse quase todos os seus bens. Gravou seu último álbum em 1993, chamado ‘A Single Woman’.


Últimos anos

Ao longo da vida, Nina Simone lidou com questões ligadas a sua saúde mental. Foi diagnosticada aos 30 anos com depressão e sempre foi considerada uma pessoa muito difícil de lidar. Por esse motivo, tinha tendências de auto isolamento e dificuldade em suas relações pessoais.

Mais tarde, a cantora foi diagnosticada com transtorno de bipolaridade, o que a levava a ter crises de agressividade de hipomania, além de diversas tentativas de suicídio, que prejudicaram a manutenção de sua carreira artística.

Em 1993, Nina Simone foi diagnosticada com câncer de mama. Realizou diversos tratamentos de radioterapia e quimioterapia, mas o câncer se espalhou por metástases para diversos outros órgãos. Passou seus últimos anos de vida em solidão e debilitada e, devido à baixa autoestima causada pelos cabelos raspados e pelo câncer, não recebia nem mesmo familiares. Em 21 de abril de 2003, ela faleceu dormindo em sua casa em Carry-le-Rouet, enquanto dormia.

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