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Campanha criada pelo coletivo Black Pipe Entretenimento arrecadou o dobro da meta e vai financiar o fechamento de uma sala de cinema para a exibição do filme "Pantera Negra" para crianças de Cidade Tiradentes

Sucesso no mundo todo, "Pantera Negra", que chegou à expressiva marca de mais de US$ 1 bilhão de arrecadação em todo o mundo, já entrou para a história não só pelos seus números superlativos, mas também pela importância social.

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O projeto Desafio
Reprodução
O projeto Desafio "Pantera Negra" arrecadou o dobro da meta para financiar o fechamento de uma sala de cinema para a exibição do filme na periferia de SP

Contando a história do rei T'Challa (Chadwick Boseman), do fictício país africano Wakanda, "Pantera Negra" destaca um poderoso elenco formado por atores negros, como Lupita Nyong'o, Michael B. Jordan, Danai Gurira e Daniel Kaluuya, e também uma equipe técnica formada majoritariamente por profissionais negros, liderados pelo diretor Ryan Coogler.

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Por todos esses motivos, o longa virou um modelo de representatividade para a comunidade negra em todo o mundo. Para espalhar a mensagem, vários grupos nos Estados Unidos entraram no "Black Panther Challenge", o desafio do Pantera Negra, que arrecada fundos para levar crianças carentes ao cinema para assistir ao filme. Só pela plataforma de crowdfunding GoFundMe, cerca de 500 campanhas já arrecadaram mais de US$ 775 mil (R$ 2,5 milhões) para o desafio.

Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "Pantera Negra"

No Brasil, fãs de cultura pop e movimentos sociais também entraram na onda e criaram campanhas semelhantes ao "Black Panther Challenge". Uma das mais famosas foi a criada pelo coletivo Black Pipe Entretenimento, que acabou nesse sábado (10). A ideia era levar 40 crianças de Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, ao cinema.

"Eu moro em Cidade Tiradentes e lá sempre foi um lugar carente de muitas coisas. Eu mesmo comecei a ler HQs porque aos 10 anos de idade ganhei de um vizinho uma caixa cheia, então cheguei onde estou hoje porque alguém me influenciou a ler", explica Gil Santos, o Load, em entrevista ao iG . "Creio que da mesma forma que um quadrinho mudou minha vida, esse filme pode mudar a de alguma criança que está indo ver", continua.

Depois de apresentar o projeto a algumas marcas e cinemas, sem nenhuma resposta positiva, ele e seus sócios Carlos Alberto Ferreira Pires e Vitor Gabriel da Silva Freitas resolveram agir por conta própria. Através do site Vakinha, eles criaram uma campanha de crowdfunding pedindo R$ 3,6 mil para bancar todos os custos de levar as crianças ao cinema. Em um dia, a meta foi batida. Ao todo, a campanha arrecadou R$ 7,08 mil, quase o dobro do orçamento inicial.

"O apoio surpreendeu demais, não imaginávamos que em dois dias conseguiríamos ultrapassar a meta", diz Carlos Alberto. "Imagino que muitas das pessoas que viram o filme e se sentiram representadas devem ter pensado “se eu me sinto assim, imagina uma criança?”, “Se isso me emociona, imagina uma criança?”. É o filme mais representativo que já vi", continua, explicando o sucesso da campanha.


Representatividade

A tecla da representatividade, muito batida em todas as discussões sobre "Pantera Negra", realmente é uma das coisas que torna o filme tão especial. "Aqui somos rei e não estamos em nenhum outro tipo de estereótipo que os heróis negros acabam caindo, seja nos quadrinhos ou nos filmes", explica Load. "Ninguém quer ser coadjuvante de ninguém e o Pantera nos deu a chance de podermos ter nosso espaço. Muitas crianças e adolescentes  vão se vestir de Pantera em eventos", antecipa.

Divulgação
"Pantera Negra"

Para os membros do coletivo, o filme da Marvel pode ter o mesmo impacto para os jovens de hoje que o Power Ranger preto, interpretado por Walter E. Jones nos anos 1990, teve para eles. "Uma das primeiras coisas que respondiamos quando nos perguntavam o que queríamos ser quando crescer era: 'um Power Ranger'. O Ranger Preto foi uma das razões para que muitos de nós fizéssemos o que fazemos hoje. Ele estava lá representando e mostrando que podíamos, quando a gente nem sabia o que era isso", diz Vitor Gabriel.

Ele acredita que o longa tem potencial para mudar as coisas em Hollywood e abrir ainda mais portas para minorias. "Filmes como 'Pantera Negra' mostram a importância dos pretos estarem sendo representados na frente e por trás das câmeras. Ryan Coogler fez um excelente trabalho produzindo o melhor filme da Marvel, provando que o que faltava eram oportunidades, pois capacidade nós sempre tivemos", afirma.

Divulgação
"Pantera Negra"

As crianças contempladas pela campanha do Black Panther Challenge são do projeto Love CT Inclusão e Resgate, com o qual os membros da Black Pipe Entretenimento trabalham. No projeto, os jovens de Cidade Tiradentes têm aulas de skate, inglês, violão, saraus de leitura e outras atividades gratuitas.

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Com o sucesso da campanha, os membros do coletivo vão fechar uma sala de cinema e levar crianças de outros projetos sociais para assistir ao filme. "Minha quebrada é cheia de meninos e meninas que nem chegaram a ir no cinema ainda. Minha primeira vez no cinema foi pra ver "Homem-Aranha 3" ,em 2007, com 16 anos, e hoje poder levar a molecada de onde moro pra ver um filme tão bom e com uma mensagem tão incrível como " Pantera Negra " é tão importante pra eles como está sendo pra mim", confessa Load.

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