Com o crescimento da mídia na internet, elas comandam programas sobre os mais variados assuntos, encabeçam projetos e formam opinião; confira

Não é novidade que os podcasts têm tomado conta da internet nos últimos anos. A publicação multimídia tem se popularizado cada vez mais e ganhado diversos adeptos, com temas que intercalam universos - desde a cultura geek até mesmo discussões sobre política – que são um verdadeiro leque de variedades. Em ascensão, propostas ousadas e criativas ocupam os seus espaços na web tornando-se não só uma fonte de informação de qualidade como também formadores de opiniões potentes. Diante dessa diversidade, a presença das mulheres tem chamado atenção e culminou no movimento #OPodcastÉDelas. No Dia Internacional da Mulher, o iG Gente resolveu conversar com algumas podcasters que tem destaque no seu trabalho para saber um pouco mais desse mundo emergente.

O podcast tornou-se uma mídia em constante crescimento nas internet nos últimos cinco anos
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O podcast tornou-se uma mídia em constante crescimento nas internet nos últimos cinco anos

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Criadora do “Perdidos na Estante”, podcast com o intuito de falar sobre literatura e adaptações literárias, Domenica Mendes revela que apostar no formato é também apostar no acesso à informação. “Eu acredito que a mídia podcast é democrática, igualitária e permite acesso rápido e conteúdos diferenciados para quem tá produzindo e pra quem tá ouvindo”, conta. “Quando eu e a minha equipe analisamos um livro a gente não precisa fazer isso de uma forma acadêmica, é possível fazer isso de uma forma um pouco mais leve, mais como entretenimento convidando os nossos ouvintes a conhecerem aquela obra e pensarem todo o conteúdo dela”, completa a podcaster.

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Ler livros, fazer análises literárias e também audiovisuais dessas adaptações é um dos muitos trabalhos que Mendes exerce no universo do podcast - e a escolha dessas obras não é aleatória. “Eu tomo bastante cuidado para selecionar os materiais que vou trabalhar e tento dar preferência para obras escritas por mulheres, além de convidar elas para participar das mesas de debates. Pela suas próprias experiências de vida, o olhar é diferente “, comenta. Mas seu trabalho não para por aí. A podcaster também é articuladora da hashtag #OPodcastÉDelas, cujo intuito é expandir o espaço de fala das mulheres na mídia fazendo com que podcasters convidem mulheres para falarem em suas plataformas.

Domenica Mendes é criadora da hashtag #OPodcastÉDelas e do
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Domenica Mendes é criadora da hashtag #OPodcastÉDelas e do "Perdidos na Estante"

“#OPodcastÉDelas começou em 2017 no mês de março e hoje completa um ano. Naquela época chegamos a uma meta de 50 programas participantes e, até a última vez que contei, esse ano foram 190”, revela. “Existe uma maior quantidade de programas com mulheres ou no comando ou na equipe fixa ou mesmo como convidadas. Também tive muito relato de participantes que chegaram para mim que falaram ‘olha deu tão certo aquela equipe que a gente criou pra elas um podcast no site’”, comemora Mendes.

Além disso, ao lado de sua equipe, a podcaster ainda tem um projeto paralelo cujo intuito é aumentar o número de mulheres na mídia digital. “Fornecemos um feed e um site para que qualquer mulher, seja ela cis ou trans, possa ter o seu próprio podcast sem custo nenhum. O objetivo é de abrir a oportunidade mesmo e quando elas quiserem elas caminham com os próprios programas. É trabalhoso, mas é lindo de ver”, conta. Com este projeto, nove episódios foram ao ar ano passado e este ano, depois da campanha de março, já há mais três saindo do forno – e quem quiser participar, boas notícias: ainda há vagas.

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Elas por elas

Aline Hack comanda o podcast
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Aline Hack comanda o podcast "Olhares"

Enquanto as mulheres colocam a boca no trombone para falar sobre tudo, Aline Hack, do podcast “Olhares”, resolveu falar sobre um outro assunto que muitas vezes não é colocado em pauta: as próprias mulheres. “O início do ‘Olhares’ surgiu de um incomodo como mulher de não encontrar dentro da mídia podcast um programa que tratasse exclusivamente desse assunto”, conta Hack ao iG Gente . “A nossa ideia era essa: desmistificar e desconstruir o termo do feminismo, tirar essa característica negativa que é agregada ao nome para demonstrar quem são as feministas, o que elas de fato contribuíram para a sociedade e quem somos hoje e as nossas novas pautas, discutindo e relembrando a nossa história”, completa a podcaster.

Desde 2017 para cá, Hack enxerga que houve um crescimento significativo de podcasts sobre o assunto – algo que ela comemora. “Eu acho muito importante as mulheres ocuparem pra mostrar que elas não falam só sobre mulheres. Porque dentro da mídia podcast você tem canais segmentados como politica, religião, cultura pop, filmes, sobre maternidade, enfim. Visibilizar esse espaço para elas é visibilizar o elas estão prontas pra falar”, comenta. A lista de podcasts feitos por mulheres, por sua vez, é longa.

Apresentado por Ira Croft, criadora da hasthag #MulheresPodcasters, e Beatriz Santos o “Ponto G” é mais um dos programas que luta pela visibilidade feminina na mídia trazendo mulheres na história que lutaram pelos seus direitos. “Baseado em Fatos Surreais”, por sua vez, é o primeiro podcast brasileiro de storytelling feito por mulheres, apresentado por Marcela Ponce de Leon e Sheylli Callefi. “As Mathildas”, por sua vez, amplia a visão do universo audiovisual com temas que levantam debates sobre representatividade, preconceito, visibilidade e tudo o que acontece no mundo das séries e do cinema, tudo comandando pelas mulheres Iole Melo e Grecia Baffa. O “Feito por Elas”, também entra na lista. O podcast surgiu do desafio #52FilmsbyWomen (52 Filmes por Mulheres), desenvolvido pelo Women in Film, organização dedicada a promover a igualdade de oportunidades para mulheres. A proposta consiste em assistir à um filme por semana que seja dirigido por uma mulher durante o período de um ano.

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Para Hack, que também é advogada, o podcast ressurge como uma mídia potente no cenário atual brasileiro. “Ao mesmo tempo vemos essa democratização da internet, dos conteúdos das mídias, também estamos vivenciando uma série de retrocessos no que diz respeito tanto aos direitos humanos, como direito voltado ao trabalho, à previdência, o próprio direito das mulheres e nós sabemos que o podcast é uma ferramenta interessante para se trazer um conteúdo didático sobre a sociedade como um todo”, argumenta.

Mendes, por sua vez, enfatiza: “não é questão de dar espaço para as mulheres no podcast, é necessário devolver o espaço para as mulheres no podcast, na sociedade, no trabalho. Nós sempre existimos, coexistimos”, opina. “Podemos fornecer aos ouvintes a experiência de ouvir uma pessoa que talvez ele não teria contato por estar marginalizada e é importante porque é uma forma da sociedade repensar situações diárias e promover mudanças a longo prazo”, conclui.

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