Autor de livro sobre a Operação Lava Jato e o juiz Sergio Moro, repórter da Globo fala sobre os desafios do jornalismo literário

Em 2014, no meio da Operação Lava Jato , o repórter Vladimir Netto tomou uma decisão ousada: lançar um livro sobre toda a operação e o juiz Sergio Moro, figura central nas investigações. Foi aí que nasceu "Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil" , um dos maiores sucessos editorais dos últimos meses.

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Vladimir Netto escreveu o livro
Reprodução/Twitter
Vladimir Netto escreveu o livro "Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil"

"O que me atraiu foi a história. Sou um velho soldado no jornalismo em Brasília e minha carreira foi marcada por esse tipo de jornalismo", disse Vladimir Netto em entrevista por telefone ao iG . "Vi muitos escândalos e investigações darem em nada e a Lava Jato deu resultados", explicou.

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A decisão de escrever o livro veio na 7ª fase da operação, quando executivos de grandes empreiteiras e ex-diretor da Petrobrás Renato Duque foram presos, em 2014. "Os primeiros lances já indicavam o ineditismo da operação", observou Vladimir.

A aposta do jornalista deu certo: "Lava Jato" passou meses entre os livros mais vendidos do Brasil. "Foi uma recepção maravilhosa, o livro bombou, foi muito bem recebido", comemorou.

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Boa safra

O livro do repórter é um dos mais importantes exemplos do jornalismo literário no Brasil nos últimos anos. Eternizado por nomes como Gay Talese e Truman Capote, o gênero conta histórias envolventes em um nível maior de detalhes, fugindo dos textos de jornais. "O livro é uma abordagem diferente, uma técnica diferente de jornalismo. No livro, a gente aprofunda muito mais, conta histórias de bastidores", explicou Vladimir.

Para ele, o Brasil tem uma boa safra de obras de jornalismo literário. "Temos bons livros publicados nos últimos anos", disse. O jornalista destaca o livro de Francisco José, "40 anos no ar". "Ele é um monstro no jornalismo televisivo, o cara que mais fez reportagens para o 'Globo Repórter' na história", exaltou.

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Capa de
Reprodução
Capa de "Lava Jato"

Em "Lava Jato", Vladimir Netto encontrou uma grande dificuldade: fazer uma análise aprofundada da operação enquanto tudo ainda estava rolando. "Você tem que ficar sempre reavaliando o significado de cada coisa, é quase uma loucura", disse sobre o trabalho. "O negócio é ir apurando o tempo todo", resumiu.

O esforço foi recompensado com o alto número de exemplares vendidos, o que pode ser, em parte, explicado pelo interesse dos brasileiros na Lava Jato e no juiz Sergio Moro. Mas, para o repórter, o público está sedento pelo jornalismo literário e histórias aprofundadas. "Tem uma demanda, meu livro é uma prova disso", afirmou. "As pessoas querem saber das histórias."

Entusiasmado com o sucesso de seu livro, Vladimir Netto vê um bom futuro para o jornalismo literário no Brasil. "É engraçado, quando surgem novas mídias, a gente acha que as outras vão morrer", disse. "Os livros continuam aí, sendo importantes. Às vezes a pessoa quer deitar na cama e ler um livro", continuou. "Quanto mais sair, melhor."

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