Coletivos provocam o público com protestos artísticos e lançam debates sobre assuntos sensíveis como homossexualidade e prostituição com arte

Arte e política estão intrinsecamente ligadas desde sempre, afinal, é uma das formas mais universais e potentes de expressão. As representações imagéticas de questões socialmente sensíveis chocam, constrangem e abrem espaço para repensar conceitos velados e silenciados. Protestos artísticos e outras manifestações semelhantes, mesmo que fora do espaço público, mostram as feridas que tentamos ocultar e acendem o debate acerca delas. Ao longo dos anos diversos artistas e coletivos já voltaram seus trabalhos para causas sociais.

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Arte para pensar

Com protestos artísticos provocantes, coletivo americano Gran Fury conscientizava pessoas sobre situação da AIDS
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Com protestos artísticos provocantes, coletivo americano Gran Fury conscientizava pessoas sobre situação da AIDS

O surto de AIDS que aconteceu durante a década de 1980 estava sendo abafado pelo governo e foi esse o contexto que impulsionou um grupo de artistas americanos a criar o coletivo Gran Fury. Seus protestos artísticos eram voltados para militância sobre esse problema de saúde pública e com o intuito de conscientizar a popular e pressionar o Estado para tomar medidas a respeito, o grupo de artistas descobriu na expressão da sexualidade uma forma de se fazer ouvir nas ruas do país.

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Atuando tanto dentro das galerias e espaços artísticos quanto nas ruas, o grupo foi responsável por lançar campanhas controversas e tornou-se um símbolo de resistência pela causa da AIDS. Alguns de seus trabalhos mais marcantes são o letreiro iluminado com os dizeres “silence = death” (“silêncio = morte” em português) que se apropriava do triângulo rosa utilizado pelos nazistas para marcar os homossexuais, a série de pôsteres “Read My Lips” (“Leia Meus Lábios”, em português), que falava sobre a estigmatização da AIDS entre gays e lésbicas e o cartaz sobre a conscientização de que homens e mulheres poderiam ser vítimas da doença.

Mulheres no comando

Um dos protestos artísticos mais fortes dos últimos anos são os cartazes do grupo Guerrilla sobre igualdade de gênero
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Um dos protestos artísticos mais fortes dos últimos anos são os cartazes do grupo Guerrilla sobre igualdade de gênero

O coletivo Guerilla Girls, ainda que mais sutilmente, também achou sua voz ao utilizar o corpo como meio da expressão e se fazer ouvir pela arte . Questionando a falta de representatividade feminina no universo cultural, as artistas – o coletivo é exclusivamente composto por mulheres – decidiram ocupar a cidade com seus protestos que chamavam a atenção para a desigualdade de gênero.

Tirando a carga sexual de obras de artes, o grupo estampava outdoors com seus cartazes. “Do women have to be naked to get in the U.S. museums?” (“Mulheres precisam estar peladas para entrarem dos museus Americanos?”, em tradução livre) é, até hoje, a obra mais representativa do coletivo que está há mais de 30 anos em atividade. Outros trabalhos das Guerilla Girls falam sobre feminismo e o lugar da mulher nas peças de cultura pop.

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Prostituição

Os protestos artísticos do grupo Debby Doesn't Do It For Free falam sobre empoderamento da prostituição
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Os protestos artísticos do grupo Debby Doesn't Do It For Free falam sobre empoderamento da prostituição

As prostitutas tem sua voz ouvida no meio da arte através dos trabalhos reflexivos do coletivo australiano Debby Doesn’t Do It For Free, formada unicamente por profissionais do sexo que escondem seus nomes reais para evitarem represálias. Com uma arte colorida e chamativa, as artistas procuram conscientizar o público sobre a real condição do trabalho sexual e tem como objetivo final desmistificar preconceitos que existem contra a categoria. Exigindo respeito através de seus protestos artísticos, o coletivo prioriza que as próprias prostitutas sejam as responsáveis por escrever sua história ao invés de serem relegadas ao papel de vítimas incapazes.

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