Muitos criticam direção do festival por ter aceitado participação da empresa de streaming que não lança seus filmes no cinema, mas há quem comemore que o evento francês esteja olhando para o futuro da distribuição de cinema

Começa nesta quarta-feira (17) a 70ª edição do festival internacional de cinema de Cannes, na Riviera francesa. A histórica edição do festival sediará uma discussão voraz a respeito do futuro da distribuição do cinema. Alguns anos depois de admitir uma produção feita para a TV, “Behind the Candelabra” (2013), de Steven Soderberg, o line up da competição oficial terá duas produções da Netflix , que não costuma lançar seus filmes no cinema, e uma da Amazon, que lança seus filmes em circuito reduzido.

Leia também: Documentário da HBO investiga fascínio por Slenderman a partir de crime chocante

Nicole Kidman, que está em quatro produções na edição de 2017, ao lado de Steven Spielberg. Eles integraram o júri de 2013
divulgação/Cannes
Nicole Kidman, que está em quatro produções na edição de 2017, ao lado de Steven Spielberg. Eles integraram o júri de 2013

O júri presidido por Pedro Almodóvar terá 19 filmes – ainda há expectativa de que mais um seja anunciado nos próximos dias – para avaliar o vencedor da 70ª edição de Cannes . Muitos medalhões como Michael Haneke, Fatih Akin, Sergei Loznitsa e François Ozon voltam à disputa, que terá os novos filmes de Sofia Coppola, Michel Hazanavicius, Todd Haynes, Lynne Ramsay e Noah Baumbach.

Leia também: Cannes 2017 terá briga entre Netflix e Amazon, autores consagrados e Nicole Kidman como rainha

O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, que esteve no festival com “Aquarius” em 2016, preside o júri da semana da crítica, uma das mostras paralelas do festival francês. Outra presença brasileira na semana da crítica é “Gabriel e a Montanha”, filme de Fellipe Barbosa .

Pela primeira vez em pelo menos dez anos, o festival não será palco para grandes lançamentos hollywoodianos. O que não quer dizer que os filmes que serão exibidos fora de competição não sejam interessantes.  Roman Polanski, por exemplo, apresentará seu novo longa “Based on a True Story” no festival.  O evento será palco, ainda, para os novos trabalhos de dois vencedores da Palma de Ouro na televisão. Jane Campion, que venceu em 1994 com “O Piano”, exibe dois episódios de “Top of the Lake”, enquanto David Lynch, premiado com “Coração Selvagem” (1990), apresenta “Twin Peaks”.

Imigração

Um dos temas mais quentes dessa edição será a imigração, que com a recente eleição de Macron na França ganhou ainda mais relevo. Em "Happy end", o diretor austríaco Michael Haneke, que já tem duas Palmas de Ouro, volta a trabalhar com Isabelle Huppert e Jean-Louis Trintigant para contar a história de uma família burguesa do norte da França, que vive perto de um acampamento de imigrantes.

O húngaro Kornél Mandruczo (prêmio Um Certo Olhar em 2014 por "White God") apresenta "Jupiter's Moon", um filme de gênero fantástico sobre a acolhida dos refugiados. O mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu retorna à reviera francesa.  Com um projeto de realidade virtual sobre a experiência de ser um migrante. "Carne y arena", apresentado fora da competição, acompanha um grupo de refugiados "vivendo intensamente parte de seu périplo", segundo declarações do próprio diretor. Há, ainda, a atriz e ativista britânica Vanessa Redgrave que apresenta seu documentário “Sea Sorrow”, também fora de competição, sobre a mesma temática.

Leia também: "Sense8" tenta explicar origem dos personagens e se perde em mais do mesmo

Robert Pattinson em cena de
Divulgação
Robert Pattinson em cena de "Good Time", filme que integra a competição oficial de Cannes e já tem distribuição garantida no Brasil

Os filmes que integram a competição oficial

– “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev

– “Good Time”, de Benny Safdie e Josh Safdie

– “You were never really Here”, de Lynne Ramsay

– “L’Amant double”, de François Ozon

– “Jupiter’s Moon”, de Kornél Mandruczo

– “A gentle creature”, de Sergei Loznitsa

– “The Killing of a sacred deer”, de Yorgos Lanthimos

– “Radiance”, de Naomi Kawase

– “Le jour d’après”, de Hong Sangsoo

– “Le Redoutable”, de Michel Hazanavicius

– “Wonderstruck”, de Todd Haynes

– “Happy end”, de Michael Haneke

– “Rodin”, de Jacques Doillon

– “O estranho que nós amamos”, da americana Sofia Coppola

– “120 battements par minute”, de Robin Campillo

– “Okja”, de Bong Joon-Ho

– “In the Fade”, de Fatih Akin

– “The Meyerowitz stories”, de Noah Baumbach

Ryan Gosling dá um beijo em Nicolas Winding Refn que o dirigiu em
Divulgação
Ryan Gosling dá um beijo em Nicolas Winding Refn que o dirigiu em "Drive", filme premiado com a Palma de direção em 2011

O festival de Cannes acontece entre os dias 17 e 28 de maio e as principais notícias a respeito do evento poderão ser acompanhadas diariamente na coluna Bastidores.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.