"DAMN." mostra versatilidade do rapper, desfere duros golpes, dá sequência a trabalhos acima da média do cantor e eleva sua carreira a um novo nível

É muito difícil encontrar um artista que se manteve em um nível tão alto quanto Kendrick Lamar nos últimos trabalhos. Desde o excelente "Good Kid, M.A.A.D City" , de 2012, o rapper tem lançado trabalhos que elevam o padrão de qualidade de sua música um após o outro, e não foi diferente com "DAMN." , seu mais recente álbum. Diferente da pegada de "To Pimp A Butterfly" , o disco mostra uma incrível evolução e já é um clássico instantâneo.

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Kendrick Lamar lançou o álbum
Divulgação
Kendrick Lamar lançou o álbum "DAMN." na última sexta-feira (14)

Em 2014, Kendrick Lamar deu indícios que estava no topo de sua carreira com "To Pimp A Butterfly", disco que teve suas sobras divulgadas em um novo álbum no ano passado, mas "DAMN." prova que ele ainda tem muito espaço para evoluir.

O álbum tem uma sonoridade mais parecida com "Good Kid, M.A.A.D City", que quebra o que o rapper apresentou em "TPAB" e "untitled unmastered.". O que não muda é a veia crítica que ele carrega em todos os seus trabalhos.

Logo de cara, Kendrick desfere poderosos golpes com  BLOOD. e DNA. , uma das melhores músicas do ano. Usando falas de jornalistas contra o rap e suas músicas como sample, ele apresenta faixas pesadas, com batidas densas e versos enaltecendo sua herança, sua linhagem e a cor de sua pele.

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Escolhido como o segundo single de "DAMN.",  DNA. segue a linha pesada de  HUMBLE . , o primeiro single do álbum, mas as faixas não são exatamente um retrato fiel do que é o disco. As músicas seguintes têm uma pegada mais pop e menos agressiva.

O disco ainda flerta com uma temática oriental, que também deu o tom do show de K.Dot no Coachella, nos Estados Unidos, nesse domingo (16), e traz nomes de peso nas parcerias, como Rihanna e U2.

Escrevendo o nome na história

A faixa com a banda irlandesa é a mais supreendente de "DAMN.". Para quem não sabia o que esperar de um trabalho de um rapper do calibre de Kendrick Lamar com o U2, o resultado é bem satisfatório: XXX. é uma das músicas mais agressivas do álbum e o verso cantado por Bono Vox combina bastante com o flow do rapper.

Kendrick Lamar em show no Coachella, nos Estados Unidos, nesse domingo (16)
Reprodução/Instagram
Kendrick Lamar em show no Coachella, nos Estados Unidos, nesse domingo (16)

Mesmo não sendo uma sequência lógica de "To Pimp A Butterfly", "DAMN." é o álbum que consagra Kendrick como um dos maiores rappers de todos os tempos. Em uma época em que o rap está cada vez mais em alta e é o estilo musical mais popular do mundo, ele tem um estilo único e eleva o patamar a cada trabalho que solta. A impressão é de que o músico californiano vai estar sempre um passo a frente de todo mundo, não importa o que aconteça.

Tão importante quanto isso é o fato de que Kendrick Lamar sabe usar a plataforma que tem. De origem bem pobre no subúrbio de Los Angeles e bastante religioso, o rapper usa a música para denunciar o racismo e opressão que ele, os negros e os pobres sofrem. Ele consegue, de forma magistral, misturar versos raivosos a mensagens de otimismo.

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Com a trinca "Good Kid, M.A.A.D City", "To Pimp A Butterfly" e "DAMN.", Kendrick Lamar escreveu seu nome para sempre na história do rap e, hoje, é indiscutivelmente o maior rapper do mundo. Se quiserem correr atrás desse posto, Drake, Kanye West e outros candidatos vão ter que suar para pegar o cara que está sempre ditando as regras do jogo.

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