Produção sobre jovem negro e gay que cresce às margens da criminalidade é 1º com temática homossexual a ganhar o Oscar de melhor filme na história

O tom foi essencialmente menos político do que se esperava e talvez isso tenha sido circunstancialmente providencial, já que o Oscar 2017 será para sempre lembrado pela gafe história envolvendo o vencedor de melhor filme.

Leia também: Poético e sutil, “Moonlight” mostra tragédia surda de jovem negro e gay

Cena de Moonlight, , vencedor do Oscar de melhor filme em 2017
Divulgação
Cena de Moonlight, , vencedor do Oscar de melhor filme em 2017

O grande momento do Oscar 2017 foi quando todos pensaram que “La La Land”, que já havia ganhado seis Oscars, fora consagrado como o melhor filme de 2016. Tudo porque foi isto que Faye Dunaway e Warren Beatty, que apresentavam o prêmio, disseram. O vencedor, na verdade, era “Moonlight: Sob a Luz do Luar”.

Leia também: Mahershala Ali vence Oscar de melhor ator coadjuvante por "Moonlight"

“Isto não é uma piada. Eu receio que eles  leram errado. Isso não é uma piada. ‘Moonlight’ ganhou o Oscar de melhor filme”, insistiu um dos produtores de “La La Land” que ergueu o envelope com o vencedor para que o mundo pudesse confirmar com os próprios olhos a monumental gafe que ainda estava em curso no palco do teatro Dolby. “Gente, isso é algo muito infeliz”, emendou um incrédulo Jimmy Kimmel, apresentador do Oscar 2017. “eu particularmente culpo Steve Harvey”, tentou quebrar o péssimo clima estabelecido com a confusão fazendo referência ao apresentador do Miss Universo.

O produtor de
Divulgação
O produtor de "La La Land" mostra o envelope com a vitória de "Moonlight" no Oscar 2017

Depois foi a vez de Warren Beatty assumir o microfone para se explicar enquanto elenco e equipe de ‘Moonlight” comemoravam ao fundo. “Eu quero explicar o que aconteceu. Eu abri o envelope e dizia: ‘Emma Stone, La La Land’ e foi por isso que eu demorei para dizer qualquer coisa. Eu não estava tentando ser engraçado”.

A estrelada audiência do teatro ainda estava incrédula com o que estava acontecendo no palco. As pessoas pareciam se beliscar e o burburinho no auditório era tão grande e tão generalizado que poucos prestavam atenção quando os produtores de “Moonlight” assumiram o microfone para agradecer pelo prêmio.

Confusão, tristeza e felicidade no palco do Oscar 2017
reprodução/ABC
Confusão, tristeza e felicidade no palco do Oscar 2017

A exemplo de 2016 , a Academia não deu o maior número de prêmios para o filme do ano, ou seja, para o vencedor de melhor filme. “Moonlight” ganhou três troféus (filme, roteiro adaptado e ator coadjuvante), enquanto que “La La Land” ficou com seis Oscars (direção, atriz, fotografia, direção de arte, trilha sonora e canção original).

A confusão envolvendo o anúncio do vencedor de melhor filme mascarou um importante aspecto desta edição. Houve uma relativa surpresa na categoria. Embora a vitória de “Moonlight” fosse possível, o favoritismo de “La La Land” era muito grande. E o curso da noite sugeria que a vitória do filme de Chazelle seria mesmo uma realidade. A última vez em que um favorito tão declarado na principal categoria do Oscar foi derrotado foi em 2006 quando “Crash: No Limite” superou “O Segredo de Brokeback Mountain”.

Leia também: Ashton Sanders de "Moonlight" é uma das grandes revelações do cinema

Curiosamente, naquela oportunidade criticou-se a Academia por um suposto preconceito em premiar um filme com temática homossexual. No Oscar 2017, a academia pretere um favorito muito mais estabelecido do que era o filme de Ang Lee em favor de um filme com temática homossexual e ambientado em uma comunidade negra marginalizada. Sinais dos tempos.  

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.