No último filme de Hugh Jackman como o personagem, Logan precisa reavaliar sua relação com a violência quando se vê na figura de pai

É seguro dizer que Hugh Jackman , que ao longo de 17 anos interpretou Wolverine no cinema, reclamou certa autoria sobre o personagem. O colante amarelo deixou de ser uma referência muito em virtude das escolhas de Bryan Singer, mas poucos se lembram, por exemplo, de que Wolvie é baixinho nas HQS. Hugh Jackman deu alma a Wolverine e “Logan” é o filme que personagem e fãs, mas também o ator, mereciam.

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Cena do filme Logan: referências cinematográficas que expandem o gênero do filme de super-herói
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Cena do filme Logan: referências cinematográficas que expandem o gênero do filme de super-herói

Sombrio, triste, violento e inesperadamente esperançoso, o filme se propõe revisionista dentro do gênero. Não à toa as referências supremas são “Os Brutos Também Amam” (1953) e “Os Imperdoáveis” (1992), dois faroestes definidores em suas épocas, mas que também dialogavam com o gênero e além dele. “Logan” faz o mesmo pelo filme de super-herói.

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Se “Os Brutos Também Amam”, Shane no original, é uma referência explícita e conjugada dramaticamente no curso do filme, “Os Imperdoáveis” empresta musculatura dramática e narrativa à relação de Wolverine com a violência e o impacto dela neste homem cansado de viver no mundo do jeito como ele se molda a sua volta. São balizas narrativas que agregam valor ao que o filme objetiva ser enquanto cinema, mas também evidenciam que a produção de James Mangold tem a preocupação de levar de fato o personagem adiante.

A violência surge crua e constante em Logan e isso faz todo o sentido no curso do filme
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A violência surge crua e constante em Logan e isso faz todo o sentido no curso do filme

O filme se passa em 2029. Os mutantes estão à beira da extinção, se não completamente extintos. Wolverine usa seu nome original, James Howlett, e tenta sobreviver como motorista de limusine. O suficiente, ao menos, para comprar um barco e viver o crepúsculo de sua vida e a de Charles Xavier (Patrick Stewart), de quem cuida com precárias condições, no mar. Essa angustiante realidade, mas relativamente tranquila, é perturbada de vez com a chegada de Laura (Dafne Keen), uma mutante criada em laboratório por uma empresa paramilitar que tenta criar, desenvolver e controlar o gene mutante. Laura, em muitos aspectos, lembra Wolverine e Xavier, replicando instintos do passado, instiga que Logan cuide dela. Está armada a espinha dorsal do filme, que é em essência um road movie, ainda que um violento.

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A carga emocional do personagem jamais esteve tão à flor da pele e Hugh Jackman, como um velejador experiente, adentra as correntezas psicológicas e emocionais de Wolverine com sapiência. É seu melhor momento como ator desde “Os Suspeitos” (2013), de Denis Villeneuve.

A despedida perfeita: Logan é o filme certo, em todos os níveis, para o adeus de Hugh Jackman do personagem que o consagrou
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A despedida perfeita: Logan é o filme certo, em todos os níveis, para o adeus de Hugh Jackman do personagem que o consagrou

“Logan” funciona tanto no contexto de toda a franquia mutante, como no escopo da trilogia solo de Wolverine. Acena carinhosamente aos fãs pregressos à fase cinematográfica do personagem, agiganta-se como despedida de Hugh Jackman, mas fundamentalmente cativa por ser cinema robusto, sutil e reverberante. Em última análise, este é seu principal legado.

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