Mahershala Ali, indicado por "Moonlight", ainda não tem um legado no cinema, mas o Oscar 2017 deve representar um belo de pontapé inicial

Uma das categorias mais indefinidas do ano passado, a disputa pelo Oscar de ator coadjuvante já parece bem resolvida mesmo antes da cerimônia de entrega do prêmio, que acontece em 26 de fevereiro.

Leia mais: vote nos seus favoritos ao Oscar

Os concorrentes a melhor ator coadjuvante no Oscar 2017
Montagem/divulgação
Os concorrentes a melhor ator coadjuvante no Oscar 2017

Favorito absoluto, Mahershala Ali venceu os principais prêmios da crítica por sua tocante e sutil composição de um traficante que faz as vezes de figura paternal para o protagonista de “Moonlight: Sob a Luz do Luar” e é o favorito absoluto ao Oscar de ator coadjuvante . Seus rivais são Lucas Hedges por “Manchester à Beira-Mar”, Jeff Bridges por “A Qualquer Custo”, Michael Shannon por “Animais Noturnos” e Dev Patel por “Lion: Uma Jornada para Casa”.

Leia mais: Dez curiosidades sobre o Oscar 2017

As vitórias no Critic´s Choice Awards e no SAG, a despeito da derrota para Aaron Taylor-Johnson no Globo de Ouro e Johnson nem sequer está indicado ao Oscar, pavimentam o caminho para o triunfo do ator que também figura em outros dos queridinhos da temporada, “Estrelas Além do Tempo”. Ali pode ser visto em duas das séries mais badaladas da Netflix, “House of Cards” e “Luke Cage”. Ator carismático, ele ainda não tinha acontecido no cinema e pode levar um Oscar antes mesmo de superar o estigma de “ator de séries”.

A categoria está tão boa que qualquer um que vencesse deixaria o Oscar em boas mãos. Mas Ali é mesmo aquele que com menor tempo em cena e com um personagem sem muito texto para explicar-se para o espectador, faz mais. Sutil e cheio de potência silenciosa, o ator tem uma cena em particular, sua última no filme, que justifica metade dos prêmios que já recebeu e deixa a pergunta ao pé do ouvido do público: por que vi tão pouco desse ator até hoje?

Sangue novo

Os excelentes Casey Affleck e Lucas Hedges em cena de Manchester à Beira-Mar, que estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Os excelentes Casey Affleck e Lucas Hedges em cena de Manchester à Beira-Mar, que estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros

Dev Patel já é habituê do cinema hollywoodiano desde o megassucesso “Quem Quer Ser um Milionário?”, hit do Oscar 2009 protagonizado por ele. Mas o ator britânico de 26 anos teve um 2016 para chamar de seu com os filmes “O Homem que Viu o Infinito” e “Lion: Uma Jornada para Casa”, pelo qual concorre à estatueta.

Leia mais: Oscar celebra diversidade em plena era Trump e sela favoritismo de La La Land

Lucas Hedges é ainda mais novo. Com apenas 20 anos derruba nosso queixo ao fazer um garoto que precisa lidar com a morte do pai e a dificuldade do tio em assumir sua guarda. Quem vê a filmografia de Hedges com produções como “O Teorema Zero”, de Terry Gilliam, “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson e “Refém da Paixão”, de Jason Reitman percebe que é questão de tempo até o jovem começar a colecionar prêmios. Ele é a segunda grande força da categoria.

Favoritos da academia

Jeff Bridges em cena de
Divulgação
Jeff Bridges em cena de "A Qualquer Custo"

Jeff Bridges é daqueles atores que recebe indicações ao Oscar a cada década, tamanha a qualidade de seus trabalhos e prestígio junto à academia. Premiado em 2010 por “Coração Louco”, o ator volta a viver um homem desencantado e em crise com a perspectiva de seu futuro em “A Qualquer Custo”. Trata-se de um trabalho bem lapidado e que poderia valer o prêmio se Ali não estivesse tão hypado.

Michael Shannon não tem a pompa de um Jeff Bridges, mas é bastante querido pela academia. Esta é sua segunda indicação ao Oscar e, assim como quando concorreu pela primeira vez, como ator coadjuvante por “Foi Apenas um Sonho”, Shannon era uma incerteza até o anúncio das indicações. Dentro do balaio dos cotados, o ator jamais figurara como um dos favoritos à nomeação. Em “Animais Noturnos” vive um policial, assim como Bridges, desencantado como ele, mas com um código de ética bem particular. Shannon é daqueles atores que quanto mais ambíguo o personagem, melhor a atuação.