Academia toma o cuidado de incluir negros em todas as principais categorias e confirma "La La Land" como o grande filme de 2016 em Hollywood

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A Academia de Artes e Ciências de Hollywood anunciou nesta terça-feira (24) sua lista de indicados ao Oscar. Como era de se esperar, “La La Land: Cantando Estações” se consagrou como o grande destaque da lista. Com 14 indicações, o filme de Damien Chazelle igualou os recordes de “Titanic” (1997) e “A Malvada” (1950) com 14 indicações.

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“A Chegada” e “Moonlight: Sob a Luz do Luar” obtiveram oito indicações cada e “Até o Último Homem”, “Lion – Uma Jornada Inesperada” e “Manchester à Beira-Mar” receberam cada um seis indicações ao Oscar .

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O último musical a ter uma presença tão maciça no prêmio foi “Chicago” em 2003. Foram 13 indicações e seis vitórias. À época, apenas cinco filmes disputavam o Oscar de melhor filme. “La La Land” vem se tornando um rolo compressor na temporada de premiações e não é exagero coloca-lo como franco favorito à principal estatueta dourada no dia 26 de fevereiro, dia da cerimônia de entrega dos prêmios.

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Cartaz de "La La Land" comemorando as 14 indicações ao Oscar

Em um ano conturbado e de grande apreensão com a ascensão da era Trump, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood reagiu aos pecados do passado  e incluiu atores negros em todas as categorias de atuação. São seis negros entre as 20 atuações destacadas.  Barry Jenkins, fantástico na direção de “Moonlight”, tornou-se o quarto negro indicado ao Oscar de direção. O terceiro nesta década. Os outros foram John Singleton por “Os Donos da Rua” em 1992, Lee Daniels por “Preciosa” e Steve McQueen por “12 Anos de Escravidão” em 2013. Jenkins não é o favorito. Chazelle parece imbatível na categoria que ainda tem um dos diretores mais interessantes do momento, Denis Villeneuve por “A Chegada”. Kenneth Lonergan por “Manchester à Beira-Mar” e Mel Gibson, oficialmente perdoado das polêmicas do passado, por “Até o Último Homem”, completam a categoria.

A categoria de documentários também recebe filmes que problematizam a questão racial. O documentário de Ava DuVernay para a Netflix, “A 13ª Emenda”, concorre contra “I´m Not Your Negro” e “O.J : Made in America”. Completam a lista de pretendentes ao Oscar o italiano “Fogo no Mar” e “Life, Animated”.

"Um Limite Entre Nós", “Moonlight” e “Estrelas Além do Tempo”, indicados a melhor filme, também contribuem para uma forte presença negra no ano seguinte aos protestos do #oscarssowhite.

Atuações

A categoria de melhor ator obedeceu precisamente à disposição prevista pelo sindicato dos atores, cuja premiação acontece no próximo domingo. Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar”) é o principal favorito. Se Denzel Washington é o único vencedor lembrado. Além de Casey Affleck, Andrew Garfield também estreia no Oscar.

Ruth Negga e Michael Shannon, duas das surpresas do Oscar 2017
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Ruth Negga e Michael Shannon, duas das surpresas do Oscar 2017

Entre as atrizes, o Globo de Ouro novamente provou que ainda detém certo grau de influência junto à academia pelas presenças de Ruth Negga (“Loving”) e Isabelle Huppert (“Elle”) entre as indicadas. Se Emma Stone (“La La Land”) e Natalie Portman (“Jackie”) já eram certezas, a exclusão de Amy Adams (“A Chegada”) foi um tanto surpreendente. Meryl Streep, que não tem nada com isso, obteve sua 20ª indicação por “Florence – Quem é Essa Mulher?”.

Michael Shannon, que já havia concorrido ao Oscar por “Foi Apenas um Sonho”, surpreendeu e bateu nomes mais cotados como Hugh Grant (“Florence – Quem é Essa Mulher?”) e o colega de cena em “Animais Noturnos” Aaron Taylor-Johnson e juntou-se a Dev Patel (“Lion”), Jeff Bridges (“A Qualquer Custo”), Mahershala Ali (“Moonlight”) e Lucas Hedges (“Manchester à Beira-Mar”) na disputa entre os coadjuvantes.

Entre as atrizes coadjuvantes, nenhuma surpresa. Octavia Spencer (“Estrelas Além do tempo”), que era a possibilidade mais forte, juntou-se a Michelle Williams (“Manchester à Beira-Mar”), Viola Davis ("Um Limite Entre Nós"), Naomi Harris (“Moonlight”) e Nicole Kidman (“Lion”).

O Oscar 2017 parece suprimir, em um primeiro momento, as polêmicas. Mas elas perseguem o maior prêmio do cinema e com um presidente que não deve ter gostado nem um pouco do culto a Meryl Streep, elas podem estar mais próximas do que se imagina.