A atriz Carrie Fisher, que morreu nesta terça-feira (27), não era reverenciada por seu talento, mas tornou-se imortal antes mesmo de se dar conta disso ao viver a princesa Leia e adentrar os anais da cultura pop

A corrente pela vida da agora ainda mais eterna princesa Leia, iniciada na última sexta-feira (23), quando Carrie Fisher, de 60 anos, teve um ataque cardíaco durante um voo de Londres para Los Angeles , não deu certo. A atriz morreu na manhã desta terça-feira (27). A confirmação veio na forma de um comunicado enviado à revista People pelo porta-voz da família Simon Halls.

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Carrie Fisher em cena de
Divulgação
Carrie Fisher em cena de "O Despertar da Força"

“É com muita tristeza e profundo pesar que Billie Lourd confirma que sua amada mãe Carrie Fisher morreu às 8:55 da manhã”, anuncia o comunicado. “Ela era amada profundamente por todo o mundo e sua falta será muito sentida. Nossa família agradece pelas orações e pensamentos.”

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Carrie Fisher não era o que o senso comum qualifica como uma grande atriz. Não ostenta um currículo de grandes láureas e prêmios. Sua maior congratulação em Hollywood foram duas indicações ao Emmy pela série “30th Rock” e pelo telefilme “Wishful Thinking”. Mas Carrie tornou-se imortal de verdade bem antes de se perceber como tal. Quando vestiu branco e juntou-se à aliança rebelde contra o império em uma galáxia muito distante. Sua princesa Leia rapidamente se tornou um dos maiores cânones da cultura pop e figurou até mesmo nos sonhos eróticos de uma juventude que descobria as infinitas possibilidades oferecidas pelo cinema.

A atriz Carrie Fisher
Reprodução/People
A atriz Carrie Fisher

Sem medo de se assumir como musa do paraíso nerd, participou de séries como “The Big Bang Theory” e “Entourage”, sempre com a nobreza de servir à desconstrução de sua própria imagem.  Foi no visceral “Mapas para as Estrelas” , de David Cronenberg, no entanto, que compactuou com a mais severa crítica à Hollywood. Mais uma vez vivendo ela mesma, coisa que como se pode perceber ela incidiu bastante, Carrie se permitiu instrumento nas mãos do cineasta canadense para esse retrato combalido dos vícios de Los Angeles.

Entre participações em produções como “As Panteras Detonando” (2003) e “Pânico 3”, a atriz surgia em um ou outro grande filme como “Escritor Fantasma” (2010), de Polanski e “Doce Vingança”. Ninguém, no entanto, parecia se importar muito com isso.

Carrie só se destacava quando vivia alguma versão de si mesmo. E foi justamente quando a princesa Leia foi ressuscitada com a compra da LucasFilm pela Disney, que o mundo redescobriu Carrie Fisher. Sua incrível generosidade e afeto.

Pudemos comprovar em “O Despertar da Força” (2015) que a majestade de fato não se perde. O reencontro de Leia e Fisher foi tão orgânico que é como se elas nunca tivessem se separado. Teremos a princesa no Episódio VIII, atualmente em pós-produção, e que será lançado em 2017. Mas será um reencontro diferente dessa vez. Uma nostalgia entristecida. Carrie Fisher partiu, mas deixa a princesa Leia como um legado inconteste de sua grandeza.