Área dedicada exclusivamente ao público otaku foi uma das maiores desta edição do evento; expectativa é de alcançar ainda mais pessoas em breve

Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z – esses nomes com certeza são familiares para a maioria dos brasileiros que, mesmo sem saber, sempre tiveram contato com os animes e mangás, uma das maiores potências da cultura pop oriental e que, a cada ano, conquistam mais fãs ao redor de todo o mundo com suas histórias fantásticas, cores vívidas e artes mirabolantes que mexem com a imaginação do público. É óbvio que, inclusive pela popularidade que a cultura japonesa tem no Brasil, essa área não poderia ficar de fora da CCXP, evento que reune amantes de cultura pop de todo o país.

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Exposição com 12 armaduras de ouro do anime
Verônica Maluf/iG São Paulo
Exposição com 12 armaduras de ouro do anime "Cavaleiros do Zoíaco" foi um dos maiores destaques da CCXP


Desde sua primeira edição a CCXP dedica uma ala inteira do evento para prestigiar o público otaku - ou seja, aqueles que se interessam por animes, mangás e por todo o universo oriental. No início essa área da feira começou meio tímida, com apenas alguns expositores, mas, como era de se esperar, a organização sentiu a força que esse segmento tinha e decidiram criar a “ Anime Experience ”, um setor voltado completamente para atender os otakus de plantão no evento.

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De acordo com o Cassius Medawar, editor da JCB , maior editora de mangás do país, esse aumento aconteceu gradativamente ao longo das edições e ele acredita que a organização do evento deva investir ainda mais no segmento oriental. “[A CCXP] já atinge um público geek no geral, mas eles têm um público enorme que se interessa especificamente por cultura japonesa que pode crescer muito mais com a feira se continuarem investindo nisso”.

Gustavo Garcia faz parte da equipe da Tamashii Brasil e foi um dos responsáveis por trazer as 12 armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco para cá. “Esse ano estamos no maior estande de toda a feira”, comentou ele ao comparar a sua participação com as dos anos anteriores e, também, falou sobre a imensa popularidade da atração. “Todos os dias começamos a receber o público logo quando o evento começa e estendemos nossa atividade até as 23h para atender toda a demanda”, disse.

Cultura Importada

Estande da JBC foi um dos maiores e mais procurados estandes deste ano na CCXP
Verônica Maluf/iG São Paulo
Estande da JBC foi um dos maiores e mais procurados estandes deste ano na CCXP

“Os japoneses são muito protecionistas com a sua cultura, para nós é difícil trazer as coisas de lá para cá” disse Cassius Medawar, da JBC, sobre como é a negociação para artistas japoneses participarem do evento. Esse já é o segundo ano que a editora consegue escalar um mangaká – artista que desenha mangás – para o Brasil e conta que, devido à burocracia e os empecilhos que sempre surgem no caminho, eles pensaram até em desistir, mas, no final, persistiram no projeto. “É uma dor de cabeça enorme, mas vale muito a pena. É muito recompensador. Sessões de autógrafo sempre são uma surpresa, e ainda mais aqui por não ser um evento exclusivo de cultura oriental, mas nos dois anos o estande ficou muito cheio, as sessões de autógrafos ficaram com o número fechado de pessoas”, comentou.

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Já Gustavo, da Tamashii Brasil, disse que o processo de negociação com a Bandai, empresa japonesa, é fácil, pois a Bandai está sempre disposta a colaborar, mas o problema começa na parte logística do transporte das peças da exposição. “Essa é a primeira vez que as 12 armaduras originais estão expostas juntas fora do Japão. Elas chegaram aqui na quarta-feira de tarde e cada caixa pesa cerca de 400kg e não temos onde armazená-las. Elas vem direto para dentro do evento e já são montadas aqui mesmo” disse. Segundo ele, foram necessárias cerca de 20 pessoas para colocar tudo “de pé” a tempo da abertura da CCXP, na quinta-feira (1) de manhã.

“O Japão é o país mais longe do Brasil. As pessoas de lá demoram muito para nos responder e, mesmo que tudo corra bem, tem certas coisas que não mudam, como o tempo de viagem, a burocracia para importar as coisas, documentação”, comentou Cassius sobre o processo para “importar” as atrações diretamente do oriente.

Popularidade

O que não falta por aqui é público: Cassius Medawar, editor da JBC, apontou que “o brasileiro sempre gostou muito da cultura japonesa; principalmente porque a maior colônia japonesa fora do Japão está aqui e, em segundo lugar, a gente sempre teve proximidade desde pequenos com programas japoneses. Há 15 anos publicamos mangás aqui e nossa base de leitores só aumentou ao longo dos anos ainda há muito espaço para crescer mais. Com a globalização o acesso à esses conteúdos é muito facilitado” disse ele, que completou com “o fã de cultura japonesa que temos por aqui é muito fanático”.

Exposição das armaduras de
Verônica Maluf/iG São Paulo
Exposição das armaduras de "Cavaleiros do Zodíaco" foi uma das mais concorridas da CCXP

A venda de mangás, objetos e colecionais importados também é um forte indicador da força que essa cultura tem por aqui. Gustavo, da Tamashii Brasil comentou que se impressiona com a procura por actions figures no Brasil. “vendo muito, é, sem dúvida, um artigo de luxo, é algo bem caro, mas muita gente compra. Nosso mercado para isso é muito grande”.

Para ambos a internet e a facilidade de acesso a materiais como animes e mangás online mostram uma possibilidade de expansão muito grande nesse setor. “Esse é um ramo que ainda tem muito espaço e está ganhando cada vez mais notoriedade” comenta Gustavo.

Os sites e portais especializados em divulgar conteúdo vindo diretamente do Japão para cá – como os streams de animes que são disponibilizados logo após os episódios irem ao ar por lá – não param de se multiplicar e os “otakus” representam uma parcela cada vez maior de eventos como a CCXP. A cultura japonesa  já é uma febre no Brasil e esse quadro tende a aumentar cada vez mais com a globalização, ampliando o diálogo entre os países e, consequentemente, as atrações para atende-los.