HQ lançada em 2013, mesmo ano dos protestos que marcaram o Brasil, vai virar filme e série de TV sobre o justiceiro que combate a corrupção no País

Agora o Brasil já pode comemorar por ter seu próprio herói nacional. "Doutrinador", série de quadrinhos lançada em 2013, está sendo transformada em longa-metragem e em série de televisão - e não vai ficar atrás dos heróis internacionais de editoras como Marvel e DC Comics. Luciano Cunha, criador do personagem, e Gabriel Weiner, diretor do filme, participaram da CCXP neste sábado (3) e contaram tudo sobre o futuro do super-herói.

Luciano Cunha e Gabriel Weiner falam sobre o primeiro herói brasileiro à chegar aos cinemas, o Doutrinador
Verônica Maluf/iG São Paulo
Luciano Cunha e Gabriel Weiner falam sobre o primeiro herói brasileiro à chegar aos cinemas, o Doutrinador

Luciano, criador de " Doutrinador ", disse que o projeto ficou engavetado por muito tempo, pois, depois de procurar diversas editoras, nenhuma quis publicar a história, mas, em 2013 o quadrinista decidiu disponibilizar as aventuras do justiceiro que combate a corrupção em uma página do Facebook.

Segundo ele, foi uma feliz coincidência que a divulgação de seu trabalho tenha acontecido na mesma época que as manifestações daquele ano ganharam força. "Fui nessa onda. A obra começou a ficar conhecida, as curtidas explodiram", contou ele durante o painel dedicado ao personagem.

O "Doutrinador" chegou a ser chamado por veículos de mídia como o "Cavaleiro das Trevas Tupiniquim", em referência ao Batman, um dos heróis mais populares do mundo. "Nada há mais prazeroso do que ser comparado ao Batman", comentou Luciano.

Desbravando novas terras

"Sempre pensei, 'isso tem que virar um filme'", disse o criador do justiceiro, que, agora, finalmente chegará à telona e também à televisão. "Essa vai ser uma ação inédita no meio brasileiro", conta ele com orgulho por estar conquistando um território que jamais foi explorado por aqui.

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Para acompanhá-lo nessa jornada, Gabriel Weiner será o diretor das produções: "É um sonho que a gente está realizando. O personagem é protagonista de um gênero que nunca foi trabalhado no Brasil, o de heróis".

Os dois afirmaram que, ao longo desse tempo, viram os fãs do "Doutrinador" se multiplicando e brincaram falando para as pessoas comprarem as HQs porque, um dia, "vão valer muito dinheiro".

Valorização nacional

"Por que não encontramos com facilidade histórias brasileiras nas bancas?", comentaram os palestrantes. Eles estão, a partir do sucesso de "Doutrinador", criando um projeto para alavancar o universo de super-heróis brasileiros em histórias, filmes e séries.

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"Vamos expandir e desenvolver mais esse modelo de negócios", explica Gabriel Weiner. Para eles, não faltam histórias de alta qualidade e com grande potencial por aqui - e nem público para consumi-las, visto o enorme sucesso de títulos estrangeiros - porém, não há uma iniciativa que reúna esforços para dar vida ao projeto.

Por isso eles estão criando o selo "Guará Entretenimento", que irá contar com um leque de personagens heróicos que devem compor suas histórias - e eles estão completamente abertos às novas possibilidade.

Os dois falaram que não descartam a ideia de resgatar heróis de outras épocas que já fizeram sucesso no passado e, também, ter uma área em seu site que aceita novas ideias, artistas e personagens para integrarem o hall da "liga da justiça nacional". "Não faltam talentos brasileiros", comentam eles.

Caráter

Ambos foram amplamente questionados sobre as posições políticas do "Doutrinador", mas não revelaram a verdade sobre ele. "Essa é uma discussão do personagem desde o ínicio", disse Luciano Cunha que, emendou: “É uma coisa que só depende do leitor". Para ele, é possível identificar qualquer inclinação ideológica no personagem, que não demonstra valores completamente delineados. "Lendo uma ou duas páginas você não vai entender, é complexo, é polêmico mesmo", afirma Cunha. "Ele defende uma democracia plena, a liberdade", completa Gabrial Weiner.

O filme do herói brasileiro que caça políticos corrupos deve chegar aos cinemas somente em 2018.

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