Novo filme ambientado no universo de Harry Potter fala sobre intolerância e não faz referências ao bruxo mais famoso da ficção; veja mais sobre o longa

Cinco anos após o lançamento de "Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2", J.K. Rowling e o diretor David Yates colocam o mundo bruxo nas telonas novamente em " Animais Fantásticos e Onde Habitam ", filme que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (17). Usando a magia como instrumento, o longa fala de temas sérios, como intolerância, mas frustra quem espera pelo menos uma referência ao bruxo mais famoso do mundo.

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"Animais Fantásticos e Onde Habitam" chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (17)

Inspirado no livro homônimo, lançado por J.K. Rowling em 2001, " Animais Fantásticos e Onde Habitam " se passa em Nova York, na década de 1920, e conta a história de Newt Scamander (Eddie Redmayne), magizoologista que dedica a vida a estudar criaturas mágicas e tentar convencer outros bruxos da importância delas.

O cientista britânico vai aos Estados Unidos para tentar comprar uma criatura mágica que só existe em Nova York, mas acaba entrando em apuros com o Congresso Mágico do país após deixar alguns de seus animais escaparem pela cidade. O filme é a primeira referência aos EUA no mundo mágico de Harry Potter.

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No meio de suas trapalhadas – dignas de um protagonista da "Sessão da Tarde" –, Scamander acaba se aliando ao trouxa (nome dado àqueles que não são bruxos) Jacob Kowalski (Dan Fogler), à funcionária do Congresso Tina Goldstein (Katherine Waterston) e à irmã dela, Queenie Goldstein (Alison Sudol).

Adultos no mundo mágico

Ao contrário dos sete livros de Harry Potter, "Animais Fantásticos" é protagonizado por adultos. Sai Hogwarts, entra Nova York, o congresso americano e discussões bem maduras sobre a vida dos bruxos no começo do século XX.

Um dos principais temas do longa é a intolerância aos bruxos. Na trama, uma organização prega que os mágicos sejam exterminados. A líder, Mary Lou (Samantha Morton), reúne filhos de bruxos mortos e faz com que eles espalhem o ódio pela cidade.

A intolerância ser tema do filme não é algo que chega a surpreender:  J.K. Rowling, que faz sua estreia como roteirista, é abertamente defensora dos direitos humanos, e o longa começou a ser produzido entre 2014 e 2015, época em que uma onda de conservadorismo já despontava na Europa.

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Em meio a tudo isso, os bruxos lutam mais bravamente do que nunca para não ser descobertos pelos trouxas. Uma força mágica está devastando Nova York e ameaçando expor a magia ao mundo todo – e é aí que os animais perdidos por Scamander acabam causando problemas.

O filme é o primeiro roteirizado por J.K. Rowling e é dirigido por David Yates, de
Reprodução/EW
O filme é o primeiro roteirizado por J.K. Rowling e é dirigido por David Yates, de "As Relíquias da Morte"

O filme aproveita muito bem toda a tecnologia à sua disposição. A construção dos animais dá a impressão de que as criaturas fantásticas existem de verdade – e a comparação com "O Prisioneiro de Azkaban", longa que apresenta ao espectador os hipogrifos, mostra o quanto a tecnologia transforma a experiência de "Animais Fantásticos".

Harry Potter, só que não

Por se passar décadas antes mesmo do nascimento de Harry Potter, a nova aventura não tem referência alguma ao jovem que salvaria o mundo bruxo no futuro. As únicas citações a personagens da saga são de Alvo Dumbledore, um dos professores que adorava o trabalho de Scamander, e à família Lestrange, a mesma da Comensal da Morte Belatrix.

Se na série original o grande vilão é Voldemort, no spin-off esse cargo fica com Grindewald, bruxo que na mitologia de "Harry Potter" foi morto por Dumbledore. Sua aparição é um dos grandes momentos do filme.

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A única semelhança entre a trama estrelada por Newt Scamander e a série original é o universo bruxo. Então, quem for ao cinema esperando matar a saudade de Harry, Rony, Hermione e Dumbledore, vai se decepcionar.

"Animais Fantásticos e Onde Habitam" é um novo olhar sobre o universo mágico que encantou toda uma geração. Talvez o filme – que terá quatro sequências até a década de 2020 – não tenha o mesmo potencial para apaixonar crianças como "Harry Potter" fez nos anos 2000, mas certamente levará multidões aos cinemas e será um alento para quem é órfão da saga.