Com três shows em São Paulo do disco A Mulher no Fim do Mundo, Elza Soares comenta parcerias e os avanços das mulheres nos últimos anos

Depois do sucesso do último disco A Mulher do Fim do Mundo  (2015), Elza Soares agora se prepara para lançar o álbum na versão luxuosa de vinil. Efervescente e contemporâneo, o trabalho da cantora já recebeu diversos elogios desde seu lançamento. Para celebrar o novo formato do álbum, a cantora faz três shows, nesta quinta (27), sexta (28) e sábado (29) no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros , em São Paulo, com participações especiais como Liniker e Rubi. Ela conversou com o iG sobre a turnê.

Elza Soares, a Mulher do Fim do Mundo, realizará três shows em São Paulo
Marcos Hermes
Elza Soares, a Mulher do Fim do Mundo, realizará três shows em São Paulo


Violência doméstica

Dentre cavaquinhos distorcidos e guitarras que compõem os sambas de Elza Soares , as músicas de A Mulher do Fim do Mundo vêm com letras incisivas que abordam o preconceito racial, questões que envolvem a morte e violência doméstica, como acontece em Maria da Vila Matilde , que virou uma referência no tema. Para a carioca, cantar a música é um ato forte.

“É muito importante para que as mulheres não tenham medo. A mulher tem medo porque ela vai lá, denuncia e depois volta pra casa como? Tem medo de voltar para casa, porque a coisa fica pior ainda. Eu acho que cantar essa música é uma coisa muito boa", analisa. Para a sambista, o Brasil teve uma mudança nos últimos tempos, com os 10 anos de existência da Lei Maria da Penha. Entretanto, ela acredita que ainda não é da forma que se é esperada: “Acho que teve uma evolução, mas não do jeito que queremos, ainda tem mulher sofrida, calada”.

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Carreira e parcerias

Mas não é só de samba que Elza Soares entende. Em agosto desse ano, ela fez parte da gama de artistas convidadas para se apresentar na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, no Maracanã. Entoando Canto de Ossanha , composição de Vinícius de Moraes e Baden Powell , a Mulher do Fim do Mundo fez uma performance memorável e dividiu em seguida o palco com a funkeira Ludimilla . “Todo mundo merece seu espaço”, diz. A cantora ainda afirmou que gosta muito da rapper Karol Conka, outra artista que se apresentou na abertura dos jogos ao lado da jovem Mc Soffia .

Durante os shows de lançamento, Elza Soares também dividirá o palco com um artista que está em ascensão: Liniker . O cantor de apenas 21 anos já é dono de uma voz marcante no soul e virou um fenômeno nas redes sociais no último ano. "Eu espero que essa parceria seja maravilhosa, porque ele tem tudo. Você olha para ele e ele tem tudo", elogia a sambista.

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Elza Soares está sendo indicada a dois prêmios no Grammy Latino deste ano: o de melhor canção em língua portuguesa, por Maria da Vila Matilde , e o de melhor álbum de música brasileira, com “A Mulher do Fim do Mundo”. A carioca afirma que já está preparada para a cerimônia, que acontece agora no dia 17 de novembro. "Me sinto arrepiada, acontece tanta coisa boa que me arrepio. Espero que seja premiada", torce. Questionada se A Mulher do Fim do Mundo vai mesmo cantar até o fim, diz: “Eu espero que ela cante. Pelo amor de Deus!".

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Confira "Maria da Vila Matilde":


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