Aposta da HBO, "Insecure" oxigena a linha de comédias americanas e, junto a "Luke Cage", promove personagens negros a um bem-vindo protagonismo

Uma das grandes preocupações vigentes na cultura pop diz respeito à diversidade. Há poucas obras audiovisuais protagonizadas por minorias. É justamente na TV que esse cenário começa a mudar. Depois do surgimento de séries protagonizadas por mulheres (como “Veep”, “Girls”, “The Good Wife”, “Jessica Jones”, entre outras) e pela comunidade LGBT ( “Transparent” , “Orange is The New Black” e “Looking”), surgem duas produções distintas no tom e na forma com personagens negros no centro da trama.

Duas amigas vivem intensamente todos os dilemas e inseguranças da cidade grande em
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Duas amigas vivem intensamente todos os dilemas e inseguranças da cidade grande em "Insecure"

Personagens negros não são novidades nas séries de TV, mas o protagonismo só vinha em produções de humor como “My Wife and Kids”. O formato sitcom ainda é um nicho oportuno, como atesta o sucesso de “Black-ish”, que recentemente concorreu ao Emmy, mas são produções como “Luke Cage” , que segundo dados coletados pela empresa Symphony AM já é uma das produções originais mais assistidas da Netflix, e “Insecure”, que estreia na HBO neste domingo (9), que representam o avanço no trato da diversidade que tanto mobiliza engajamento cultural.

Luke Cage  é o primeiro super-herói negro a ganhar uma série de TV para chamar de sua. O personagem defendido por Mike Colter chega antes mesmo do Pantera Negra de Chadwick Boseman, cujo filme estreia apenas em 2018. A série da Netflix aposta todas as suas fichas na reverência à cultura negra e da música ao segregacionismo do Harlem, tudo está lá. Em “Insecure”, a negritude é um elemento importante da narrativa, mas o que habilita fundamentalmente a série é que a cor da pele das personagens é um mero detalhe.

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Estamos em Los Angeles e Issa Dee ( Issa Rae ) e Molly ( Yvonne Orji ) são duas amigas às vésperas dos 30 anos que passam por uma série de crises. De sonhos irrealizados à carreira, passando pelo lado afetivo e, sim, pela forma como a cor de suas peles influencia nisso tudo.

A comediante, produtora e criadora de
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A comediante, produtora e criadora de "Insecure", Issa Rae

Criada pela comediante, produtora e roteirista Issa Rae, “Insecure” certamente não vai apresentar os índices de “Luke Cage”. Nem mesmo ambiciona isso. A série, no entanto, periga ir mais longe ao retratar a alma de uma juventude negra do que “Luke Cage” em qualquer aspecto da representatividade afrodescendente.

No primeiro episódio, que vai ao ar na HBO às 0h30 de domingo para segunda-feira, Issa decide romper com seu namorado no dia em que completa 29 anos. Enquanto isso, Molly precisa resgatar a autoestima depois de levar um fora por whatsapp do garoto árabe com quem estava ficando. “Insecure” é inteligente, sensível e genuinamente cativante. É, também, um alento que a HBO dê vez a um programa que não é exatamente sobre negros, mas estrelado por negros. A vida real agradece.

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