Estúdio notório por suas produções indicadas para toda a família andava devendo uma aventura tão lírica e fofa como a que agora ganha os cinemas

Na toada de refilmagens que assola Hollywood, a Disney resolveu revisitar um de seus filmes mais incompreendidos, ainda que repleto do famigerado ‘espírito Disney’. “Meu Amigo, o Dragão”, quando lançado em 1977, até encontrou certo respaldo entre o público e a crítica, mas ficou longe de se firmar como um dos grandes hits da história do estúdio. A refilmagem, neste contexto, mais do que uma tentativa de redescobrir o próprio passado, é a Disney tentando fazer justiça a uma obra profundamente passional e muito cativante.

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Muita emoção e aventura em
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Muita emoção e aventura em "Meu Amigo, o Dragão"

Desnecessário dizer que a versão de 2016 de “Meu Amigo, o Dragão” se beneficia dos efeitos especiais. O grande mérito do filme de David Lowery, no entanto, é seu coração. Algumas mudanças pontuais no roteiro são realizadas e a versão atual flui melhor do que a original.

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Depois de sofrer um acidente, logo no início do filme, Pete ( Oakes Fegley ) é acolhido por um dragão, que mais adiante saberemos que ele nomeou Elliot, a partir de um livro que carregava consigo sobre um cãozinho e uma grande aventura.

Cena do filme
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Cena do filme "Meu Amigo, o Dragão", que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas brasileiros

Na cidade interiorana em que se passa a história tem uma lenda de que há dragões na floresta. Há até uma música a respeito. Robert Redford é quem introduz à audiência esse aspecto mágico da história. Ele faz um homem que há muito tempo atrás teve contato com um dragão. Claro, ninguém acredita nele. Nem mesmo sua filha, vivida com a doçura habitual pela ruiva Bryce Dallas Howard . A atriz vive Grace, que apesar de não acreditar em dragões, tem pela floresta o mesmo respeito e zelo de seu pai. Ao ponto de ter se tornado uma guarda florestal. Dessas ironias que cidades pequenas precipitam, é casada com o dono de uma madeireira (Wes Bentley) e vive às turras com o cunhado, vivido por Karl Urban. Em uma dessas tumultuadas incursões à floresta, encontram Pete. Seis anos depois de seu desaparecimento. O caso, claro, intriga a cidade. Como um menino tão pequeno conseguiria viver tanto tempo, em meio a necessidades vitais e perigos fatais, na floresta?

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A partir deste momento, “Meu Amigo, o Dragão” assume de vez seu potencial lúdico, não que Elliot corresse o risco de ser apenas o amigo imaginário de Pete, como aventado por um personagem em dado momento.

“Meu Amigo, o Dragão” coroa um ano em que a Disney – protegida pelos sucessos comerciais inevitáveis das produções Marvel (“Capitão América: Guerra Civil”) e Pixar (“Procurando Dory”) – resolveu se reconectar com o seu passado de uma maneira tão incomum como progressista. De “Zootopia”, em que animais falam e asseveram um libelo de tolerância e reflexão, ao realismo mágico “Meu Amigo, o Dragão”, passando pela adesão a igreja spielbergiana com “O Bom Gigante Amigo”.

Robert Redford e Bryce Dallas Howard em cena do filme
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Robert Redford e Bryce Dallas Howard em cena do filme "Meu Amigo, o Dragão"

Essa atenção da Disney ao espírito de um cinema que parece inadequado atualmente merece aplausos. Não que inadequação seja uma palavra apropriada para “Meu Amigo, o Dragão”. Um filme que tem tudo no lugar certo.

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