Filme de Kleber Mendonça Filho não representará o Brasil na premiação: "Bem possível que a decisão da comissão esteja em total sintonia com a realidade política do Brasil", disse o diretor em rede social

O diretor Kleber Mendonça Filho, de " Aquarius ", criticou a decisão da comissão especial do Ministério da Cultura, anunciada nesta segunda-feira (12), que não elegeu o filme para representar o Brasil na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar do próximo ano.

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Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Sônia Braga,
Victor Juca / Divulgação
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Sônia Braga, "Aquarius" está fora da disputa do Oscar

Em um post no Facebook, o cineasta disse que " Aquarius " não estará na premiação por uma decisão política. "É bem possível que a decisão da comissão esteja em total sintonia com a realidade política do Brasil, ou seja, é coerente e já esperada", afirmou o diretor.

Os principais candidatos à escolha brasileira eram o filme do pernambucano e "O Roubo da Taça", dirigido por Caíto Ortiz. No fim, o longa selecionado foi "Pequeno Segredo", de David Schurmann.

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"Para além de decisões institucionais via governo brasileiro, 'Aquarius' tem conquistado internacionalmente um tipo raro de prestígio, e isso inclui distribuição comercial em mais de 60 países enquanto já se aproxima dos 200 mil espectadores nos cinemas brasileiros, com um tipo de impacto popular também raro", continuou Kleber Mendonça Filho em sua defesa. "Mais ainda, é um filme que já faz parte da cultura e desse tempo, num ano difícil no nosso País", disse.

Polêmicas

Estrelado por Sônia Braga, "Aquarius" conta a história da última moradora de um prédio que se recusa a deixar o edifício para que ele seja demolido e reconstruído. A personagem Clara é a única que não vendeu seu apartamento para a construtora.

Além de tocar em temas sensíveis, o longa causou polêmica antes mesmo de chegar aos cinemas. No Festival de Cannes, em maio, os atores do filme e o diretor Kleber Mendonça Filho fizeram um protesto no tapete vermelho do evento  contra o impeachment de Dilma Rousseff, afirmando que o Brasil estava sofrendo um golpe de Estado. Na época, a ex-presidente agradeceu ao apoio, mas pessoas a favor do impeachment convocaram um boicote contra o filme.

Depois, em agosto, o filme recebeu classificação indicativa no Brasil de 18 anos, sob a justificativa de que a obra apresentava "situação sexual complexa". A distribuidora do longa tentou reverter a decisão, temendo que a restrição tivesse impacto na bilheteria do filme. No fim, o Ministério da Justiça decidiu que a classificação seria para maiores de 16 anos.

Leia abaixo a íntegra do comunicado de Kleber Mendonça Filho sobre a ausência de "Aquarius" no Oscar: