Ator e diretor lança dois filmes em 2016, algo que já não ocorria há mais de uma década. Presença constante em festivais, o agora sexagenário Mel Gibson tenta receber o perdão da judia Hollywood e reencontrar o sucesso

O ator australiano Mel Gibson ensaia uma nova volta por cima em Hollywood com “Herança de Sangue” , fita de ação que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (8), e “Hacksaw Ridge”, drama de guerra que conta a história de um soldado que não disparou um tiro sequer e marca seu retorno à direção dez anos após “Apocalypto”.

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Mel Gibson em cena de
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Mel Gibson em cena de "Herança de Sangue", que estreia na próxima quinta-feira (8)

O ator, que completou 60 anos no começo deste ano, não tem tido vida fácil no cinema ultimamente. A última década foi marcada por bebedeiras, insultos antissemitas, discussões bem públicas com a ex-mulher  e por um ou outro filme. De 2006 para cá, quando foi detido alcoolizado em uma blitz policial e disparou ofensas antissemitas, Mel Gibson esteve em cinco filmes – apenas em três deles como protagonista.

Jodie Foster lhe deu bom material dramático para trabalhar em “Um Novo Despertar” (2011), filme que teve premiere mundial em Cannes, mas que não conseguiu achar seu público, apesar da excelente atuação de Gibson. O ator esteve no festival francês em 2014 para divulgar “Os Mercenários 3” , em que faz o vilão, e neste ano para apresentar “Herança de Sangue”, que é dirigido pelo cineasta francês Jean-François Richet (“Inimigo Público nº 1”).

A presença do astro em festivais faz parte dessa estratégia de reposicionamento de carreira. No festival de Veneza deste ano, que acaba no próximo sábado (10), o australiano apresentou fora de competição seu drama de guerra pacifista que tem o ex-Homem-Aranha Andrew Garfield como protagonista. As críticas a “Hacksaw Ridge” foram amistosas e se não surgiram burburinhos sobre chances no Oscar, pelo menos houve bom senso quanto à boa forma de Gibson como diretor.

O astro Mel Gibson ensaia mais uma volta por cima em 2016
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O astro Mel Gibson ensaia mais uma volta por cima em 2016

O filme, previsto para ser lançado no Brasil no começo de 2017, foi a segunda tentativa de Gibson retomar sua carreira como diretor. Responsável por “O Homem sem Face” (1993), “Coração Valente” (1995), pelo qual ganhou os Oscars de direção e filme, “A Paixão de Cristo” (2004) e “Apocalypto” (2006), ele pretendia fazer uma produção sobre os vikings que teria Leonardo DiCaprio como protagonista. Mas os escândalos conjugais do australiano com a então namorada russa Oksana Grigorieva motivaram DiCaprio a desistir do projeto. Com a saída do astro de “O Regresso”, a produção perdeu seu financiamento.

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Em Veneza, um Mel Gibson mais roliço disse não pensar em aposentadoria, apesar do ritmo vagaroso com que lança filmes. Observou, ainda, que não só deseja permanecer atuando, mas também dirigindo. É justamente “Herança de Sangue” que pode começar a mudar o panorama a favor do astro.

Pai coragem

Pai e filha em fuga em
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Pai e filha em fuga em "Herança de Sangue"

No filme, ele vive um ex-presidiário e alcoólatra em recuperação que tenta colocar sua vida nos eixos. Qualquer semelhança com o Gibson da vida real talvez seja mera coincidência. Talvez não. Fato é que após sua filha, que fugiu de casa, lhe procurar com traficantes barra-pesada em seu encalço, Gibson encarna o pai coragem com a desenvoltura que falta a muitos astros de ação da atualidade. Além de distribuir sopapos, o ator dá relevo dramático a seu personagem.

O astro gosta de bancar o pai coragem. Em 1997, no maior lançamento do verão americano daquele ano, foi um pai que peitou os sequestradores do filho em “O Preço de um Resgate” (1997). Em filmes como “O Patriota” (2000), “Sinais” (2002) e “O Fim da Escuridão” (2010), o ator também deu vida a um personagem às voltas com a necessidade de proteger (ou vingar) a cria.  

Poço de carisma, o australiano transforma um filme trivial como “Herança de Sangue” em algo mais interessante. Essa é a diferença de um ator calejado como ele à frente de um notório filme B. O ator não está envolvido em nenhum projeto no momento. Mas com “Herança de Sangue” e “Hacksaw Ridge” nos cinemas, talvez seja a hora de perdoar o outrora maior astro de cinema de Hollywood. Afinal, há astros de cinema e há Mel Gibson!

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