"E se realmente há algo no escuro?", provoca o cineasta David F. Sandberg ao explicar em entrevista exclusiva ao iG sua inspiração para "Quando as Luzes se Apagam", filme de terror que já está em cartaz nos cinemas

Uma das melhores opções do fim de semana nos cinemas, “Quando as Luzes se Apagam” é uma adaptação de um curta de pouco mais de dois minutos disponível no YouTube. A ideia de fazer um  filme de terror já rondava a cabeça de David F. Sandberg, mas ele já estava resignado com a produção de curta-metragens quando entrou no radar de Hollywood. “Eu ganhei alguns prêmios com o curta, fiquei feliz, mas me dei por satisfeito. Pensei comigo mesmo: ‘ok, vamos seguir adiante’”, revela em entrevista exclusiva ao iG . “Mas aí o filme começou a viralizar e o pessoal de Hollywood começou a me procurar e é realmente insano como um curta de dois minutos e meio pode gerar tanto buzz”.

O diretor David F. Sandberg no set do filme:
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O diretor David F. Sandberg no set do filme: "Esta é minha chance em Hollywood"

“Quando as Luzes se Apagam” , como entrega o nome, brinca com o medo do escuro que acomete a grande maioria das pessoas especialmente na infância. Na trama, Rebecca, personagem defendida por Teresa Palmer (“Meu Namorado é um Zumbi”) saiu de casa por não tolerar mais a convivência com sua mãe, Sophie (Maria Bello). No entanto, depois que seu irmão Martin (Gabriel Bateman) começa a passar noites em claro, ela se sente impelida a cuidar dele.

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Sandeberg conta que um dos primeiros produtores com quem se reuniu foi Lawrence Grey e o cineasta estreante gostou do que ouviu. “O curta não tinha uma história, apenas um conceito; e ele estava preocupado que esse conceito fosse respeitado no filme, cuja história poderia ser qualquer coisa”, observa. “Então eu fiz um primeiro tratamento do que eu queria para essa história e ele me colocou em contato com Eric Heisserer (roteirista), que adorou a ideia”.

Foi neste momento que James Wan , diretor de filmes como “Jogos Mortais”, “Sobrenatural” e “Invocação do Mal”, entrou no projeto e fez o meio de campo com a New Line, braço da Warner com quem Wan, que vai dirigir o aguardado “Aquaman”, mantém boa relação.

Assista ao curta-metragem que deu origem ao filme

“Foi uma grande honra trabalhar com o James. Ele é o mestre do cinema de horror”, reconhece Sandberg. “Ele já esteve creditado como produtor em outros filmes, mas eu me lembro dele dizendo que este é o primeiro que ele realmente produziu. Ele envolveu-se desde os primeiros esboços do roteiro”, revela o diretor que expõe um curioso bastidor desse trabalho tão próximo com uma das principais referências do gênero na atualidade. “Eu concebi Diane – a entidade que se abriga no escuro e guarda uma ligação misteriosa com Sophie - originalmente como um demônio e foi ideia de James colocá-la como uma pessoa do passado de Sophie, porque isso tornaria tudo mais íntimo para os personagens”.

Drama familiar

O elemento que diferencia “Quando as Luzes se Apagam” de outras produções do gênero é como Sandberg trabalha seu filme, por mais assustador que ele possa eventualmente ser, como um drama familiar. “Em filmes de terror você tem que ter personagens com quem você se importe; se não o filme não funciona”, teoriza o diretor. “A grande sacada é fazer com que os elementos de horror sejam também elementos dramáticos”.

Cena de
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Cena de "Quando as Luzes se Apagam"

Sandberg recorre a um dos maiores clássicos do gênero para provar seu argumento. “Você pega ‘O Iluminado’ , por exemplo, com esse pai alcoólatra (personagem defendido por Jack Nicholson) e para uma criança pode parecer que o seu pai está possuído por um demônio. Eu acho uma abordagem mais criativa para se contar uma história e por isso mais atraente como cineasta”.

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O diretor, que gosta da comparação feita pela reportagem do iG de que seu filme é o “Tubarão” dos filmes sobre medo de escuro, admite que a ideia para o curta e para o longa-metragem derivam da pergunta “e se realmente há algo no escuro?”. “Esse foi o ponto de partida”, explica. “No filme, em particular, a doença mental da personagem Sophie é interessante porque se relaciona com a ideia de escuridão, de desorientação. Nos filmes de terror, as crianças costumam ter um amigo imaginário que calha de ser um fantasma. Eu pensei que seria mais interessante se fosse a mãe que tivesse uma amiga imaginária. Porque como criança você depende do seu pai e isso deixa tudo muito mais vulnerável”.


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