Apesar da vasta sombra projetada pelo filme dirigido por William Wyler, o russo Timur Bekmambetov se sai bem com a nova versão de "Ben-Hur"

Na onda crescente de refilmagens que assolam o cinema americano, muito provavelmente uma das piores ideias possíveis seria refilmar o épico “Ben-Hur” (1959), vencedor de 11 Oscars e um dos clássicos mais referendados da chamada era de ouro de Hollywood. Pior ainda seria entregar o comando da refilmagem ao russo Timur Bekmambetov , cujos principais créditos incluem “O Procurado” (2008) e “Abraham Lincoln: O Caçador de Vampiros” (2012). “Ben-Hur”  (2016), que estreia nesta quinta-feira (18) nos cinemas brasileiros, descaracteriza essas ideias prontas e demonstra que o risco, às vezes, compensa.

A famosa cena da corrida de bigas ganha nova força com o digital, mas impressiona menos
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A famosa cena da corrida de bigas ganha nova força com o digital, mas impressiona menos

Com o inglês Jack Huston no icônico papel de Judah Ben-Hur, defendido por Charlton Heston em 1959, o filme de Bekmambetov sobrevive às comparações e ganha pontos por emoldurar com considerável beleza uma mensagem pacifista. Ainda que a famigerada corrida de bigas de 1959 continue mais impressionante, algo que merece registro já que os efeitos especiais de hoje prometem e entregam maravilhas, o novo “Ben-Hur” se afasta do épico para encontrar as miudezas da clássica história do judeu subjugado pelos romanos em Jerusalém. 

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O paralelo da história de Judah com a de Cristo, personificado com graciosidade e afinco por Rodrigo Santoro , acresce beleza e complexidade ao registro e ajuda o público a dimensionar o tamanho do conflito ao qual o protagonista se vê imerso.

Rodrigo Santoro vive Jesus Cristo em cena de
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Rodrigo Santoro vive Jesus Cristo em cena de "Ben-Hur"

Além de um bem-vindo esmero narrativo, todo o ritmo do filme se desenvolve dentro do preconizado pelo manual do roteiro, Bekmambetov capricha no aspecto visual – sua marca registrada. A cena em que Judah está no interior de um navio junto a escravos remando é de tensão palpável e soluções visuais impressionantes.

O elenco, que ainda que apresente rostos conhecidos do público não ostenta nenhum astro, apresenta entrosamento. Huston segura bem o protagonismo e se beneficia das cenas que divide com Morgan Freeman, que surge às margens do terceiro ato como um mercador que aposta em corridas de biga, parte do circo que Roma oferta ao povo.

Santoro não dispõe de muitas cenas, mas sua presença carismática se faz sentir – em parte porque há boa vontade com a figura de Cristo, em parte porque o roteiro lhe oferece alguns dos bons momentos do filme. 

A se lamentar, algumas potencialidades perdidas como um melhor desenvolvimento de Messala, o irmão romano de Ben-Hur vivido por Toby Kebbell . De longe o personagem mais interessante em cena, com os conflitos mais incandescentes, mas submerso em uma narrativa que, ainda que compreensivelmente, privilegia o desenvolvimento da história – e há muito a desenvolver – em detrimento dos personagens.

Cena do novo filme
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Cena do novo filme "Ben-Hur", que estreia nesta quinta-feira (18) nos cinemas do Brasil

 Há gorduras aqui e ali, como por exemplo a desnecessária inclusão de uma cena remetendo à corrida bigas logo no início do filme. Mas o saldo de “Ben-Hur” é muito positivo. Principalmente se considerarmos que suas chances eram adversas. Neste sentido, assim como o protagonista, o espectador tem uma experiência revigorante ao testemunhar o que testemunha em “Ben-Hur”.

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