Atriz revela como foi criar sua personagem que monta o famigerado esquadrão suicida que toma os cinemas de assalto na próxima semana

A espera está próxima do fim. "Esquadrão Suicida" chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (4) e o iG apresenta com exclusividade uma entrevista com a atriz Viola Davis , que interpreta Amanda Waller, a responsável por reunir todos esses vilões para salvar o dia. 

Viola Davis em cena de
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Viola Davis em cena de "Esquadrão Suicida"

No bate-papo, ela fala do convite do cineasta David Ayer , da visão dele para o projeto, da dificuldade que ela sentiu em expressar com sutileza a sociopatia não violenta de Amanda e revela qual seu personagem preferido do esquadrão.

Qual foi sua reação quando David Ayer (diretor do filme) te convidou para integrar o elenco do filme? Você já estava familiarizada com o universo DC?

Viola Davis: Eu não sabia nada sobre Amanda Waller, mas, claro, já tinha ouvido uma coisa ou outra de David Ayer. Ele me convidou para ir a casa dele para falarmos sobre “Esquadrão Suicida”, mas ele estava cansado de algo que tinha feito antes e estava fazendo um esforço danado para ficar acordado (risos). Mas ele conseguiu me explicar um pouco do que pretendia. Me lembro dele dizendo, "Eu não quero fazer um filme de super-herói em que esses personagens não são humanizados. Eu simplesmente não posso fazer isso. Eu quero que eles sejam fodões, mas quero que haja compreensão de onde eles realmente estão vindo”. Aí ele começou a fazer perguntas sobre a minha vida e o encontro ganhou um sentido mágico. Me comoveu o fato dele querer me conhecer.

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Quais qualidades você julga que David trouxe ao projeto enquanto cineasta, e como foi trabalhar com ele como atriz?

VD: Bem, eu já faço isso há 30 anos. Fiz bastante teatro e trabalhei em diversos gêneros. Me lembro de fazer a mim mesma essa pergunta certo dia: O que me faz aderir a algo? Qual é o denominador comum que todos esses gêneros compartilham, seja no cinema, no teatro, TV, Shakespeare, ou o que quer que seja? Para mim, esse elemento é justamente a verdade. Mesmo que escondida sob muitas camadas de fantasia. Os personagens estão dizendo, "eu sou uma pessoa. Mesmo se estou neste mundo estranho e fantástico, eu sou uma pessoa e tenho uma história". E eu acho que é isso que David trouxe para "Esquadrão Suicida". É isso que o torna diferenciado.

Cartaz destaca personagem de Viola Davis
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Cartaz destaca personagem de Viola Davis

Eles são meta-humanos – você tem pessoas vivendo no pântano que são canibais, como o Crocodilo; você tem a Arlequina  - mas o que te atrai é justamente o elemento humano neles. A grande sacada de David foi abordar esses personagens pela inadequação que eles sentem em relação ao mundo. E todo mundo já se sentiu assim alguma vez. Ele enquadrou esses personagens que estão ali, na periferia, sentindo-se outsiders e permitiu que nós atores nos apropriássemos dessa abordagem de uma maneira bastante corajosa e que pode eventualmente ser pedagógica para muita gente.

Como você se encontrou em Amanda Waller? Ele surgiu intuitivamente ou você recorreu às HQs?

VD: Primeiro eu consultei meus amigos fanáticos por HQs e eles me deram a real, "você não pode ferrar com isso" (risos). Amanda mudou ao longo dos anos e tem uma série de versões.  Tem uma contemporânea que tem o corte de cabelo da Rihanna. Minha preocupação primária, claro, foi com o aspecto humano da personagem. O marido assassinado, deixando ela responsável pela criação dos dois filhos. Ela virou esse peixe grande dentro do governo, sabe? Mas a parte mais difícil para mim foi tratar da sociopatia dela. É uma sociopatia mais introspectiva. Ela abraça as coisas que a destroem e a machucam. Essa tendência da personagem foi realmente difícil de sublinhar.

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Como a chefe da operação, Amanda Waller comanda tudo, inclusive esses personagens que estão entre os mais perigosos do planeta. Isso foi desafiador de interpretar?

VD: Sim, claro. É isso que você tem que fazer como ator. Ela realmente toma conta do ambiente. Ela lidera. Eu, Viola, não me sinto no comando todos os dias. É muito difícil para mim ter essa atitude de controlar um ambiente assim. Deus é pai e impede que as pessoas percebam isso. Eu não sei como, mas as pessoas sempre acham que eu sou durona e poderosa, mas eu sou completamente o oposto disso.

Talvez seja a minha voz, estatura ou alguma coisa na minha aura que dê essa impressão, mas não sou eu. Para Amanda eu tive que preencher isso com algumas ideias desse livro que Joel Kinnaman me deu chamado “Confessions of a Sociopath”, de M.E Thomas. Uma das coisas que o escritor diz é que muitos CEOs são sociopatas; muitos líderes são sociopatas. Então eu me esforcei para manter isso em mente.

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Deadshot e Arlequina: preferidos de Viola
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Deadshot e Arlequina: preferidos de Viola

Você, Viola, tem alguma preferência no esquadrão?

Amo tantos deles, sou obrigada a confessar. O Coringa... gostaria de dizer a Arlequina que fica em segundo por muito pouco. Na verdade, vou falar sem pensar muito aqui e eleger o Deadshot (papel de Will Smith no filme).

Por quê?

Diferentemente de todos os personagens, há algo de maravilhoso na conexão dele com sua filha. Eu sei que ele é um anti-herói, mas é um com um propósito. E eu meio que não o vejo como um vilão ou herói. Eu o vejo como um sujeito que faz o que tem que fazer para prover para sua filha. E, claro, eu adoro Will Smith.