Produção estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas brasileiros e se destina ao público infantil. Adultos saudosos do Spielberg de outra época também devem aproveitar bastante a adaptação da obra de Roald Dahl

Muita gente sente saudades do Spielberg dos anos 80, inclusive o próprio Steven Spielberg . “O Bom Gigante Amigo” , que estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas brasileiros, é um retorno do cineasta à fase de “ E.T – o Extraterrestre” . O diretor, que produziu e dirigiu muitos filmes para o público infantil na década, comanda com incrível energia essa adaptação da obra de Roald Dahl .

Cena do filme
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Cena do filme "O Bom Gigante Amigo", que estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas brasileiros

Trata-se do filme mais infantil da carreira de Spielberg, costumeiramente criticado por infantilizar o desfecho de muitos de seus filmes. De alguma maneira, ele sempre aborda dilemas familiares em seus filmes, por mais inadequado que este conflito dramático possa parecer, por exemplo, em produções como “Guerra dos Mundos” (2005) e “A.I – Inteligência Artificial” (2001).

A opção por “O Bom Gigante Amigo”, portanto, está alinhada à tendência recente em sua filmografia de alternar filmes adultos com produções mais leves. Depois dos intensos e verborrágicos “Lincoln” (2012) e “Ponte dos Espiões” (2015), Spielberg olha para o próprio passado e fala de orfandade, amizade, coragem e até mesmo bullying com muita propriedade em um filme cheio de coração.

A pequena Ruby Barnhill não fica nada a dever a versão mirim de Drew Barrymore – insistindo na comparação com “E.T” - e se garante como a principal atração da produção. Ruby, em sua estreia no cinema, cativa como a órfã Sophie que depois de ver o gigante, que mais adiante ela nomeia de o bom gigante amigo, perambulando pelas ruas de Londres, é sequestrada por ele.

Tudo é uma questão de perspectiva: o bom gigante amigo é baixinho perto dos gigantes maldosos...
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Tudo é uma questão de perspectiva: o bom gigante amigo é baixinho perto dos gigantes maldosos...

A ação tem como objetivo proteger o gigante e a terra dos gigantes da curiosidade humana, mas o bom gigante amigo, diferentemente dos outros, demonstra grande carinho e interesse pelos humanos, especialmente pelas crianças. Esse é o ponto de partida um tanto inusitado para uma bela amizade costurada pelo sentimento de solidão que unem esses dois personagens.

O grande acerto de Spielberg aqui é adotar o ponto de vista de Sophie como condutor da narrativa. O que não impede, é claro, que Mark Rylance (vencedor do Oscar deste ano por “Ponte dos Espiões”) dê seu show particular de contenção e graciosidade ao emprestar movimentos, gestos e feições para o gigante que batiza o filme.

Os efeitos especiais são um toque de luxo a este filme essencialmente britânico de Spielberg. Do humor à figuração da rainha, “O Bom Gigante Amigo” é um Spielberg familiar, mas com sotaque.

A Rainha da Inglaterra é uma das atrações do filme: humor afetado à inglesa
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A Rainha da Inglaterra é uma das atrações do filme: humor afetado à inglesa

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