Ator vive juiz jovem, vaidoso e com sede de Justiça em thriller policial que joga luz sobre a atuação do Judiciário brasileiro

O Brasil vive um momento em que a atuação do judiciário está sendo acompanhada muito de perto em virtude da turbulência política pela qual o país atravessa. Nesse cenário de tanta polarização, o novo filme de Sérgio Rezende , cineasta reconhecido por sua filmografia essencialmente politizada, pretende estimular uma reflexão sobre a atuação do judiciário e o preço, no literal e no figurado, da Justiça.

Mateus Solano vive um juiz impetuoso no filme
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Mateus Solano vive um juiz impetuoso no filme "Em Nome da Lei", que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (21)

“Em nome da Lei”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (21), traz Mateus Solano como o juiz federal Vitor, um tipo voluntarioso e idealista que chega à fronteira do Brasil com o Paraguai com o intuito de combater acirradamente o tráfico de drogas na região. Ele vai se chocar com El Hombre ( Chico Díaz ), o chefe do tráfico local que tem sua cota de amizades influentes.

“O filme não é oportunista, mas é oportuno”, observa Rezende quando indagado pela reportagem a respeito do momento que seu filme chega ao público. “Lei e justiça nem sempre caminham juntos. Eu acho que o filme suscita essa reflexão. Joga luz sobre o trabalho da Justiça neste momento tão polarizado”.

“Em Nome da Lei” é baseado em fatos reais. Na experiência do juiz federal Odilon de Oliveira  que atuou na região fronteiriça entre Brasil e Paraguai no Mato Grosso do Sul e combateu ativamente o tráfico de drogas. Ainda que com um viés ficcionalizado, o personagem de Mateus Solano e os conflitos aventados pelo filme são inspirados na trajetória de Oliveira, que ainda hoje dispõe de proteção policial.

Sobre seu personagem, Solano confessa ter se sentido atraído pela ambiguidade do registro. “Traz a coisa boa e a coisa ruim da juventude”, avalia sobre a impetuosidade do juiz que interpreta, que acaba de se titularizar e demostra uma sede de justiça que pode fazê-lo enfiar os pés pelas mãos. “Fui mais por aí. Focar no que movia esse cara: a vaidade em contraposição ao senso de justiça”.

Paolla Oliveira , que faz a promotora Alice, disse ter gostado da experiência que lhe proporcionou aprender mais sobre a atuação da Justiça e da importante participação do Ministério Público e da Polícia Federal. A atriz também aprovou a experiência de ser o ponto fora da curva em um thriller de ação, um “filme muito masculino”, como classificou.

No filme, a personagem de Paolla acaba se envolvendo amorosamente com o juiz Vitor. Ambos estão solitários em um ambiente hostil e isso é um catalisador muito potente. Toda essa química é extravasada em uma discreta, porém necessária cena de sexo.

Paolla Oliveira e Mateus Solano: personagens solitários atraídos um pelo outro
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Paolla Oliveira e Mateus Solano: personagens solitários atraídos um pelo outro

Sem bandeiras, mas politizado

As comparações com Sérgio Moro – o juiz que conduz a Lava Jato e ocupa certo protagonismo na mídia - talvez surjam naturalmente em diferentes fóruns, mas Mateus Solano não parece disposto a dar atenção a elas. “Não cabe à arte assumir lados. Pelo menos não sempre”, grifa o ator que também está no ar na Globo na novela “Liberdade, Liberdade”. “Acho que o filme cumpre o papel de apresentar questões, sem assumir um lado”, continua Solano com o cuidado de estabelecer um paralelo com as circunstâncias atuais do Brasil, mas sem se aprofundar mais do que o necessário. “Corrupção não é algo novo no Brasil. Eu ouço queixas a respeito desde muito jovem e está aí essa novela (“Liberdade, Liberdade”) para provar que é algo histórico”.

O cineasta Sérgio Rezende no set de 'Em Nome da Lei
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O cineasta Sérgio Rezende no set de 'Em Nome da Lei"

No campo das referências, Rezende ri dos detratores que já o chamaram de comunista, capitalista e outros conceitos antagônicos quando do lançamento de filmes como “Lamarca” (1994), “O homem da Capa Preta” (1987), “Zuzu Angel” (2006), entre outros. O cineasta se diz feliz com o viés político de seus filmes, confessa satisfação com o bom timing de “Em Nome da Lei”, mas reconhece que as referências para seu novo filme repousam no western, mais especificamente na figura de Clint Eastwood e do clássico “O Homem que matou o fascínora” (1962), filme de John Ford em que James Stewart vive um forasteiro com uma trajetória muito similar ao do herói de seu filme.

São referências que enobrecem a obra. “Tento fazer esse cinema de entretenimento, mas que instigue reflexão sobre o Brasil contemporâneo”, completa o cineasta.


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