Após estrelar "Orgulho e Preconceito e Zumbis", que estreia nesta quinta-feira, Lily James diz acreditar que toda peça clássica deveria ganhar uma releitura zumbi

“Eu fui cínica a princípio. Não achava que deveriam colocar zumbis e Jane Austen no mesmo filme”, confessa a atriz Lily James , protagonista de “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 25 de fevereiro. Ela e outros integrantes do elenco do filme bateram um papo com um grupo de jornalistas, do qual a reportagem do iG fez parte.

Cena de
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Cena de "Orgulho e Preconceito e Zumbis", que estreia nesta quinta-feira (25)

A preocupação de James talvez tenha sido compartilhada por muita gente nesses tempos em que zumbis mandam na cultura pop. Não à toa, a adaptação do livro escrito por S eth Grahame-Smith demorou tanto para ver a luz do dia. David O. Russell (“Trapaça”) estava certo para dirigir o filme que seria estrelado por Natalie Portman logo depois de “O Vencedor” (2010). Mas o projeto não decolou.

Portman seguiu como produtora do filme, mas o protagonismo ficou com Lily James, egressa do seriado britânico “Downton Abbey” e que já havia chamado atenção no cinema como a Cinderela no filme que Kenneth Branagh lançou no ano passado.

No filme, que acabou dirigido por Burr Steers, James é Elizabeth Bennet , a moça que rejeita os rigorosos e machistas ditames da Inglaterra do século XIX. “É, antes de qualquer coisa, a obra de Jane Austen”, argumenta a atriz Bella Heathcote , que vive Jane, uma das irmãs Bennet.  “E Jane Austen é sempre moderna”.

“A forma como as duas histórias se casam é muito bem feita”, defende o ator Jack Huston (da série da HBO “Boardwalk Empire”), cujo personagem, George Wickham , é o que mais sofre transformações em relação ao material original.

“Orgulho e Preconceito e Zumbis”, o filme, é mais uma paródia daquela época e de seus costumes do que um filme de zumbis. “A ideia era de ter garotas dando porrada e não sendo salvas pelos homens. Eu gostei da proposta”, observa Douglas Booth que dá vida a um personagem que constantemente é salvo do perigo por mulheres. 

Lily James em cena do filme:
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Lily James em cena do filme: "Toda peça de época deveria ganhar zumbis"

Essa pegada feminista que emana da obra de Austen é elevada no filme. “Liz Bennet é a melhor personagem que existe”, argumenta James. “Uma mulher independente, corajosa e à frente de seu tempo. Nessa realidade, com zumbis, isso só fica mais evidente”.

Essa fidelidade ao material original convenceu o elenco a topar a empreitada. “Lendo o roteiro me convenci de que era realmente uma boa ideia colocar zumbis em Jane Austen”, ri James. “Todos os personagens estão intactos, mas respondendo ao mundo de um jeito diferente”, argumenta Heathcote. “Eu agora já acho que toda peça de época devia ganhar zumbis”, se diverte James provocando risos em todos os presentes.

Para Booth, o maior mérito do material é colocar uma audiência jovem em contato com uma obra tão importante. “Eu não iria ver ‘Orgulho e Preconceito’ no cinema, mas definitivamente iria assistir uma versão zumbi”, se diverte o ator.

Dominando a arte zumbi

Filme se destaca pela paródia que faz dos costumes e ditames da época
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Filme se destaca pela paródia que faz dos costumes e ditames da época

“Lutar com saias é um pouco difícil, mas valeu a pena. Foi uma experiência divertida”, admite Heathcote quando questionada sobre a preparação física para o filme. As atrizes praticaram artes marciais chinesas e aprenderam a manusear armas brancas. “Foram meses treinando e nem para a gente ir divulgar o filme aí no Brasil”, brincou James sobre a conferência realizada via Skype. O elenco estava em Londres e o Brasil, mais convidativo do que nunca às vésperas do Carnaval. James, voltando a falar sério, disse que encarou os treinamentos com muita disposição. “Queríamos fazer justiça a esse universo em que mulheres simplesmente arrebentam”.

Mas a produção também faz parte de outro universo. O dos filmes de zumbis. O elenco tem na ponta da língua suas preferências. “Para mim não há filme melhor neste departamento do que ‘Guerra Mundial Z’”, determina Heathcote. Booth é mais clássico e prefere “Madrugada dos Mortos”. “A versão do Zack Snyder ”, salienta. “Eu diria ‘Extermínio’”, observa Huston. 

Eles agora só esperam que, no futuro, alguém insira “Orgulho e Preconceito e Zumbis” nessa lista.

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