Apresentador do ”Hoje em Dia” conta como recebeu a oferta do dono do SBT e diz que é viciado em trabalho e surfista no tempo livre

Celso Zucatelli:
André Giorgi
Celso Zucatelli: "Faço um bate-papo com o telespectador"

Há três anos, Celso Zucatelli desafrouxou o nó da gravata para levar um jornalismo menos formal ao programa diário “Hoje em Dia”, da Rede Record. O jornalista foi chamado para o posto deixado por Britto Jr. , quando este assumiu o reality show “A Fazenda”. O novo desafio não era dar uma nova roupagem ao jornalismo que apresentava atrás da bancada, isso ele já fazia: “Sempre busquei ter essa linguagem, faço um bate-papo com o telespectador”, conta ele. A tarefa era ter o mesmo carisma dos três apresentadores do programa já estabelecido e bem-sucedido - Edu Guedes , Chris Flores e Ana Hickmann , que mais tarde mudou de atração e deixou seu espaço para Gianne Albertoni .

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É óbvio que ganho mais no ‘Hoje em Dia’ de quando eu estava no jornalismo. Fui crescendo profissionalmente, não foi uma mudança absolutamente radical de repente”.

A sintonia foi imediata e eles se tornaram companheiros dentro e fora do estúdio. “Nos damos muito bem e isso é raro em televisão. Somos amigos fora do trabalho”, afirma Zucateli. O jornalista de 38 anos conta ainda sobre a “proposta maravilhosa financeiramente e profissionalmente” recebida em 2008 durante uma ligação de Silvio Santos e surpreende ao dizer que gosta de pegar ondas. A declaração, no entanto, não é novidade para quem segue o seu Twitter. Na foto do perfil do microblog, o jornalista aparece sobre uma prancha e avisa a seus 139 mil seguidores: “Sim, sou eu na foto, surfando. Não, não é montagem.”

Confira a entrevista que aconteceu numa praça de São Paulo, na companhia de Paçoca, o mascote do jornalista. 

IG: O que te levou a trocar o jornalismo pelo entretenimento?
Celso Zucatelli:
Honestamente, faço jornalismo da melhor maneira que é possível fazer jornalismo, faço um bate-papo com o telespectador. Mesmo quando fazia o jornal mais tradicional, sempre busquei ter essa linguagem, mas é óbvio que num telejornal de bancada você tem uma série de limitações. Se você pegar hoje o formato e o conteúdo do “Hoje em Dia”, a maior parte é jornalismo. Então, continuo a fazer jornalismo, só que de uma forma mais conversada, continuo dando informação, prestando serviço, cobrindo assuntos que eu já cobria. Fui entrevistar a presidente do Brasil, Dilma Rousseff e foi de uma forma diferente das outras entrevistas que fiz com presidentes na minha vida inteira.

IG: Você recebeu críticas dos colegas do jornalismo pela mudança? Acha que perdeu credibilidade?
Celso Zucatelli:
Não, de jeito nenhum. Muito pelo contrário. Em relação ao público, você está falando com mais gente e de forma mais simples então a credibilidade aumenta. Em relação aos colegas, não senti absolutamente nada. Todo mundo achou superlegal porque as pessoas sempre souberam qual era o meu foco: o (jornalismo) conversado.

Celso Zucatelli afirma que já recebeu uma “proposta maravilhosa financeiramente e profissionalmente” de Silvio Santos
André Giorgi
Celso Zucatelli afirma que já recebeu uma “proposta maravilhosa financeiramente e profissionalmente” de Silvio Santos

IG: O dinheiro não foi fator decisivo? Houve um aumentou generoso de salário, não?
Celso Zucatelli:
Felizmente não posso reclamar do salário mas também não posso falar sobre valores porque está no meu contrato com a Record. Comecei a trabalhar muito jovem e fui conquistando as coisas com o meu trabalho. Meus pais me deram uma educação de qualidade e isso me ajudou a ter boas oportunidades profissionais. É um privilégio porque infelizmente nem todo o brasileiro tem acesso à boa educação. Sempre fui muito dedicado, visto a camisa. É óbvio que ganho mais no "Hoje em Dia" de quando eu estava no jornalismo. Fui crescendo profissionalmente, não foi uma mudança absolutamente radical de repente.

As oportunidades aparecem na Record, você não precisa sair correndo atrás delas. Elas chegam, vêm até você”

IG: Você tem saudades de quando usava terno e gravata, do jornalismo convencional especificamente?
Celso Zucatelli:
Meus ternos e gravatas continuam lá, só que agora em um número menor, graças a Deus (risos). Precisei usá-las para apresentar os Jogos Pan-Americanos (no México) e entrevistar a Dilma. Quando você fala que tem saudade de alguma coisa parece que você quer voltar a fazer aquilo e não é isso. Não é saudade, tenho boas recordações. Eu era um garoto quando trabalhava no ‘Jornal do Carro’ e tinha que fazer teste em carros, como um Kadet conversível. Achava maravilhoso. Também passava noites sentado na porta da casa do Fernando Henrique (Cardoso) quando ele vinha para São Paulo. Ficava toda a imprensa comendo pizza na rua para entrevistar o presidente na época.

IG: Britto Jr., seu antecessor, saiu do "Hoje em Dia" para apresentar sozinho um programa , “A Fazenda". Você também pensa em ter uma atração só sua?
Celso Zucatelli:
Não penso nisso. Estou fazendo um programa tão legal que não há necessidade disso hoje. Fiz o Pan, que foi maravilhoso. As oportunidades aparecem na Record, você não precisa sair correndo atrás delas. Elas chegam, vêm até você.

IG: O "Hoje em Dia" é o maior concorrente do "Mais Você", da Globo, e já abalou a atração, que alterou horário e incluiu mais matérias jornalísticas. Como o "Hoje em Dia" dribla essas estratégias?
Celso Zucatelli:
Acho que a concorrência é uma coisa saudável, não nos faz acomodar e isso vale pros dois lados. Com isso começamos a respeitar mais os assuntos e os telespectadores. Todo mudo ganha com a concorrência. É uma coisa positiva. O jornalismo tem um papel muito importante na programação da Rede Record. Quando acontece um fato importante, a gente abre a programação para esse fato importante. Sem qualquer pretensão, a concorrência veio atrás disso.

IG: Você respira trabalho 24 horas? O que gosta de fazer nas horas de lazer?
Celso Zucatelli:
Eu respiro (trabalho), não consigo parar. No lazer, ando com meu cachorro, vou surfar, adoro. Trabalho com muito prazer e isso vira um combustível. O pessoal brinca comigo que eu pego onda com o celular. Apesar de andar com os dois aparelhos ligados o tempo todo, sou capaz de deixá-los em casa e ir a praia sim (risos).

Em uma praça de São Paulo, Celso Zucatelli brinca com Paçoca
André Giorgi
Em uma praça de São Paulo, Celso Zucatelli brinca com Paçoca

IG: Além do surfe, onde mais consegue relaxar?
Celso Zucatelli:
Amo cinema. Filme pra mim é uma paixão maravilhosa. Eu gosto de tudo. Eu vou do iraniano ao blockbuster. Só não vejo terror e suspense porque eu morro de medo. Eu grito no cinema, levo susto. É o maior vexame. Também gosto de esportes radicais. Sempre nadei e mergulhei. Gosto de fazer coisas na água. Mergulho desde os 12 anos de idade, mas há seis anos decidi surfar porque era mais prático. O surfe só precisa de uma prancha e de uma praia.

O pessoal brinca comigo que eu pego onda com o celular. Apesar de andar com os dois aparelhos ligados o tempo todo, sou capaz de deixá-los em casa e ir a praia sim”

IG: Você já pensou em investir na carreira esportiva?
Celso Zucatelli:
Nunca. Levei muito a sério a natação aos nove anos, treinava e competia mas nunca nesse nível para ser um atleta profissional. O esporte sempre foi pra mim uma necessidade e um cuidado com a saúde. Fiz todas aquelas coisas de moleque: judô, basquete, mas o meu esporte sempre foi a natação. Hoje surfe é minha válvula de escape e, no dia a dia, academia, onde faço musculação e aeróbico. Tenho 38 anos, tenho que cuidar da saúde.

IG: É evidente que você mudou seu visual quando estreou no "Hoje em Dia". Já era um homem vaidoso ou se tornou depois que se virou passou a apresentar a atração?
Celso Zucatelli:
Acho que não sou uma pessoa vaidosa, pelo menos de forma pejorativa, sou cuidadoso com minha aparência, mas mais do que com a aparência é com minha saúde. Se você estiver com o corpo, o cabelo, a pele legal, pode usar uma roupa mais legal e tudo fica melhor. A boa saúde leva a uma aparência melhor. Por enquanto eu não preciso, mas se precisar, eu me cuido mais também.

IG: É o talento ou a beleza que garantem o sucesso no meio artístico?
Celso Zucatelli:
Tem que ter um pouco de cada coisa. Eu venho do jornal impresso e se eu dependesse da beleza, estaria ferrado. Isso não garante lugar pra jornalista nenhum. Pode te ajudar, talvez numa outra área que você precise se mostrar, mas para ser jornalista, não vai garantir.

IG: Você é casado com uma jornalista da área de celebridades. Qual era a sua relação e sua visão desse meio antes de ficar conhecido do grande público? O que mudou depois que passou a fazer parte desse universo?
Celso Zucatelli:
Eu tive uma vantagem muito grande, vi a importância disso por mais de dez anos na minha casa, através da minha mulher. Existe uma responsabilidade por quem faz e não tive tempo de ter preconceito. Venho da imprensa especializada também. Comecei minha carreira no Jornal do Carro, do ""Jornal da Tarde. Sou apaixonado por automóvel e poderia ter sido vítima de preconceito também. A fofoca está no nosso dia a dia, não acho que jornalismo de celebridade seja jornalismo de fofoca. É um negócio supersério, as pessoas gostam de ver, tanto que há um espaço grande para isso.

Celso Zucatelli: “Comecei a trabalhar muito jovem e fui conquistando as coisas com o meu trabalho”
André Giorgi
Celso Zucatelli: “Comecei a trabalhar muito jovem e fui conquistando as coisas com o meu trabalho”

IG: Mas agora sua vida pessoal também fica mais em foco.
Celso Zucatelli:
Faz parte e não vejo que isso seja um problema. Quando tem respeito das duas partes, vai dar certo. Quando os limites são respeitados, as individualidades também, não tem problema. Agora quando há desrespeito, você coloca um freio e acabou.

Receber uma proposta é muito gratificante porque valoriza o seu trabalho. A proposta era maravilhosa financeiramente e profissionalmente”.

IG: Você gosta de ser reconhecido nas ruas? Como lida com o assédio?
Celso Zucatelli:
É muito diferente. Aumenta muito isso porque é muito natural isso. Hoje faço um programa de variedades e sou muito mais conhecido do que antes quando fazia um telejornal tradicional. Você se expõe mais, brinca mais, então, abre a porta para as pessoas. A pessoa cumprimenta de longe o jornalista de bancada e agora se aproxima de mim e fala do que gostou. Se eu crio essa proximidade com o telespectador através do programa, é uma delícia. Isso me traz muita informação e muita ideia.

IG: Como enfrentou o episódio falso da morte de Amin Khader noticiada ao vivo pelo programa?
Celso Zucatelli:
Fiquei superchateado porque bati na tecla para não dar porque era uma informação que chegou por meio do Twitter. Eu estava dentro do estúdio e recebi a informação que a família havia confirmado para o estúdio do Rio de Janeiro e que eles iriam entrar para noticiar o que já estava apurado e confirmado. Confiamos. A gente ficou muito triste e chateado. Mas as decisões foram tomadas e as correções foram feitas e tudo isso serviu para todo mudo aprender. Isso nos fez ficar mais chatos, que é uma coisa positiva. Foi um erro que não poderia ter acontecido, mas tiramos alguma coisa disso: ficamos mais exigentes e mais críticos.

iG: Já passou por outra saia-justa no “Hoje em Dia”?
Celso Zucatelli:
Não, temos uma condição diferenciada no "Hoje em Dia". Nós quatro nos damos muito bem e isso é raro em televisão. Além disso, somos amigos fora do trabalho. Não precisamos fazer nenhum tipo de teatro, então não tem saia-justa. Ficamos à vontade e as pessoas sabem quem a gente é. Não tem segredo, polêmica ou frescura.

Celso Zucatelli: “Meus ternos e gravatas continuam lá, só que agora em um número menor, graças a Deus (risos).”
André Giorgi
Celso Zucatelli: “Meus ternos e gravatas continuam lá, só que agora em um número menor, graças a Deus (risos).”

IG: A amizade de vocês começou no programa?
Celso Zucatelli:
Mais ou menos. A Ana (esposa dele) e a Chris (Flores) são amigas há dez anos porque elas já vinham da mesma área. O marido da Cris, o Ricardo, ficou meu amigão. Viajamos juntos. Pronto já temos uma relação ali. O Edu, não preciso falar nada, é meu irmão. O conheci na minha primeira fase de Hoje em Dia, aos sábados, antes de me mudar para os Estados Unidos. Temos interesses parecidos e sou um ano mais velho que ele. É claro que a relação dos quatro e das famílias veio com o programa. Jantamos, vamos aos aniversários um do outro, viajamos juntos. Sem dúvida nenhuma demos uma sorte muito grande e isso é raro acontecer. São pessoas maravilhosas. Tenho mais de 20 anos de profissão, é uma área difícil, as pessoas brigam com muita facilidade, se desentendem com bobagens normalmente, é uma coisa que mexe com o ego das pessoas e competição é muito complicado. A gente não tem isso ali.

IG: Tem vontade de ter filhos?
Celso Zucatelli:
Tenho vontade sim, mas a vida é muito corrida porque são dois jornalistas em casa. Uma hora vai rolar e isso não é uma preocupação porque nós dois queremos. Hoje teria mais condições de ter filhos do que em outras épocas da minha vida, apesar da jornada ser grande, dá tempo porque viajo menos. Se tem um momento para eu curtir a família crescer é hoje, sem dúvida nenhuma.

Filme pra mim é uma paixão maravilhosa. Eu gosto de tudo. Só não vejo terror e suspense porque eu morro de medo. Eu grito no cinema, levo susto. É o maior vexame”

IG: É verdade que o Silvio Santos ligou no seu celular oferecendo um superemprego? Por que não aceitou?
Celso Zucatelli:
Ele foi muito carinhoso. Eles estavam com um projeto muito parecido como o do "Hoje em Dia" e seria à tarde, chamava “Olha Você”, se não me engano. Receber uma proposta é muito gratificante porque valoriza o seu trabalho. A proposta era maravilhosa financeiramente e profissionalmente. Não tenho nada a falar sobre a proposta, o SBT e principalmente o Silvio, que foi fantástico tanto no momento em que fez a proposta como no momento em que eu declinei. Só reforçou pra mim a pessoa que ele é. Só que coloquei na balança o que era mais importante naquele momento para mim e era estar na Record.

IG: Foi assediado também por outras emissoras?
Celso Zucatelli:
(Silêncio) Estou muito feliz onde estou, gosto da direção da Record e me imagino lá por muitos anos. Meu contrato vai por muito tempo com eles. A única coisa que posso dizer é que a emissora vai crescer mais porque eles acertam o caminho.

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