Ator falou sobre a aventura de filmar na mata do Parque Nacional do Xingu ao lado de diversas tribos indígenas

Caio Blat como Leonardo Villas-Bôas
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Caio Blat como Leonardo Villas-Bôas

Depois do longa-metragem "Xingu", Caio Blat tem só uma certeza: nunca mais será o mesmo. Viver no meio dos índios, nadar com jacarés, participar de rituais, buscar sua própria comida... O ator, de 31 anos, teve que passar por tudo isso para compor seu personagem, Leonardo, um dos irmãos Villas-Bôas, os responsáveis pela contrução do Parque Nacional do Xingu.

Em conversa com iG Gente durante a apresentação do filme para a imprensa, Caio se mostrou realizado e falou sobre a "experiência transformadora" que viveu. "Vi que a única forma de sociedade sustentável que existe é a indígena", disse. "O nosso ambiente é tão artificial, o ar que a gente respira é encanado, está um puta sol lá fora mas a gente está aqui com refletores, então quando você faz um mergulho total nessa vida natural é incrível".

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"Xingu" é dirigido por Cao Hamburguer e produzido por Fernando Meirelles

No início do longa, dirigido por Cao Hamburguer e produzido por Fernando Meirelles , os personagens de Leonardo, Orlando ( Felipe Camargo ) e Claudio Villas-Bôas ( João Miguel ), estão fugindo de suas realidades em busca de uma aventura que mudará para sempre o rumo de suas vidas.

Há dois anos, durante as filmagens, a última coisa que Caio queria era fugir. Com três anos de casamento com a atriz Maria Ribeiro , ele havia acabado de dar as boas-vindas ao primeiro filho, Bento , e já treinava a paternidade com João , filho da atriz com Paulo Betti . Mas, do meio da mata, conseguiu superar a dificuldade de falar com a família. Os índios também têm internet. "Falei com meus filhos por Skype de dentro da oca". Apesar de toda a cultura própria, os indígenas "acessam a internet, leem jornal" e assistem ao Caio Blat na TV.

Caio Blat com seus companheiros de cena João Miguel e Felipe Camargo
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Caio Blat com seus companheiros de cena João Miguel e Felipe Camargo
Confira o bate-papo...

iG: No início do longa-metragem, os irmãos Villas-Bôas estavam fugindo da realidade deles. Você já teve essa vontade?
Caio Blat:
O filme me pegou exatamente em um momento oposto, quando eu estava construindo uma família, quando eu tinha acabado de casar, estava com um bebezinho. Então na verdade, era um sentimento completamente oposto do de largar tudo e ir em busca de uma auto-realização. Eu estava totalmente criando a minha raiz quando veio o filme. Exatamente no momento contrário.

As cidades pararam a mobilidade urbano dentro da cidade de São Paulo, por exemplo, é a mobilidade de uma galinha

iG: Qual foi o grande aprendizado que o filme trouxe para a sua vida?
Caio Blat:
Vi que a única forma de sociedade sustentável que existe é a indígena. É a única sem impacto. Então, acho importante a gente tentar aprender alguns aspectos da cultura deles e entender essa dependência que a gente tem. As cidades estão acabando, a mobilidade urbana dentro da cidade de São Paulo, por exemplo, é a mobilidade de uma galinha. Meu aprendizado é o seguinte, a gente tem que olhar para o índio não como uma coisa exótica a ser preservada e colocada em museu, mas como uma série de princípios que a gente precisa descobrir e absorver para que a gente consiga sobreviver.

iG: E uma das coisas que mais te impressionou?
Caio Blat:
Tinha uma cerimônia que eu fiquei muito impressionado. Uma vez por ano eles colocam um boneco no meio da aldeia, que reprensenta você, aí toda sua família e amigos vão até lá com uma arma, dão uma pancada e falam o por quê: 'no dia do meu aniversário você não me cumprimentou', 'você não ajudou a sua mãe quando ela precisou', ou seja, é uma terapia coletiva. Um tipo de psicodrama. Até pensei em propor para os meus amigos em fazer um tipo de autoavaliação, uma vez por semana a gente fala de um e todo mundo taca pau neles, porque a nossa terapia é absolutamente individual, é um requalque do ego, é um exacerbação da individualidade, exatamente o contrário da aldeia.

Xingu estreia em 200 salas brasileiras na próxima semana
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Xingu estreia em 200 salas brasileiras na próxima semana

Falei com meus filhos por Skype de dentro da oca, descobri que os índios têm gerador e satélite"

iG: Em algum momento você cansou?
Caio Blat:
O único desconforto foi o isolamento, a gente ficou muito tempo fora de casa, eu estava com um filho recém-nascido, então foi muito duro ficar isolado. Em muitos lugares como o Jalapão (TO) nada de telefone, internet. Mas uma grande surpresa foi quando a gente foi para a fase final do filme, filmar na aldeia, dentro do Xingu, e eu conseguia falar com meus filhos por Skype de dentro da oca, descobri que os índios têm gerador e tem um satélite.

iG: Você mantém contato com os índios pela internet?
Caio Blat:
Sim, sim. A gente mantém um contato diário pelo Facebook, pelo Skype, é impressionamente como eles ligam o gerador, acessam a internet, leem jornal, veem à novela das oito e em seguida desligam e voltam para dentro de sua cultura no meio da mata.

iG: Eles já te conheciam da televisão?
Caio Blat:
Conheciam, eles adoram as novelas.

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"Eu mergulhei com jacarés, fazia trilha com os índios...", conta Caio Blat

Mergulhei com jacarés, fazia trilha com os índios (...). É uma experiência muito transformadora

iG: Do que mais você sentiria falta se tivesse que viver por um tempo isolado no Xingu?
Caio Blat:
Acho que do contato. A gente hoje é viciado por uma comunicação total, as pessoas tem mais celulares do que telefones fixos. Sentiria falta, por causa da dificuldade da comunicação. Mas por outro lado é uma experiência muito transformadora.

iG: Por quê?
Caio Blat:
Você ir para o Xingu e passar quatro e cinco dias dentro de uma sociedade que não tem nenhum tipo de comércio, vivendo absolutamente à mercé da natureza, dormindo na rede de corda, no chão de barro, dentro da oca de palha, e você come o que você conseguir pescar. O nosso ambiente é tão artificial, o ar que a gente respira é encanado, está um puta sol lá fora mas a gente está aqui com refletores, a gente criou tantas separações, então, quando você faz um mergulho total nessa vida natural, é incrível.

iG: O que mais gostou de fazer?
Caio Blat:
Mergulhei com jacarés, fiz trilha com os índios, tanta coisa...

Caio Blat:
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Caio Blat: "Não existe a separação entre índio e a natureza"

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