Bruno Gagliasso tinha tudo para se acomodar com o rótulo de galã. Lindo, olhos azuis, boca em formato de coração, as mulheres se encantam por ele. Mas em vez disso Bruno prefere ser perverso, problemático, sedutor, apaixonado, homossexual, esquizofrênico e bígamo, características de personagens sempre fortes que lhe renderam 12 prêmios de melhor ator. Sem nem pensar em se acomodar, atualmente vive mais um sucesso com o vilão psicopata Timóteo Cabral em “Cordel Encantado”, novela de Thelma Guedes e Duca Rachid, na Globo. Timotinho, como é carinhosamente chamado por Bruno, é o sétimo trabalho seguido do ator desde 2005, quando interpretou o jovem gay Júnior em “América”, de Glória Perez.
Gagliasso rejeita o rótulo de galã e diz que seria capaz de entrar em depressão se tivesse a sensação de realização profissional. “Gosto mesmo é da busca. O processo, o caminho... Esses sim são mais importantes para mim”.
Aos 29 anos e 11 de carreira, ele prefere não planejar o futuro, mas sonha com uma casa que está construindo no Rio de Janeiro para morar com a mulher, a atriz Giovanna Ewbank. Em entrevista exclusiva ao iG, Bruno também deixou claro que os filhos virão, mas que o momento agora é para curtir a vida a dois.
Fã de tatuagens (ele tem 9) e artes plásticas, o ator faz questão de dizer que admira as obras de Portinari e Van Gogh, mas que M.C. Escher é seu artista preferido. Suas opiniões e comentários são acompanhados por mais de um milhão de pessoas no Twitter, onde mantém um perfil. É, inclusive, na rede social que ele tem feito campanha para o irmão, Thiago Gagliasso, vencer a quarta edição do reality “A Fazenda”, da Rede Record.
iG: Você está casado com a atriz Giovanna Ewbank há pouco mais de um ano. Como vai a vida de vocês?
Bruno Gagliasso: Maravilhosa e tranquila! É muito amor e muita cumplicidade. Torço muito por ela.
iG: Vocês pensam em ter filhos?
Bruno Gagliasso: Claro. Mas os filhos virão na hora certa. O momento agora é de curtir nossa casa e nossos cachorros.
iG: Quem manda nessa relação?
Bruno Gagliasso: Ela manda. Eu só obedeço. (risos)
iG: Como você se imagina daqui a alguns anos?
Bruno Gagliasso: Não me limito no tempo. Com exceção da casa que estou construindo, não penso em nada. Só consigo me ver viajando com a Giovanna e trabalhando cada vez mais.
iG: Você perdeu 17 quilos. Ainda está fazendo dieta?
Bruno Gagliasso: Não mais. Quero apenas manter porque tenho tendência a engordar. Preciso tomar cuidado com meus pecados da gula: massas e doces.
iG: Você se acha um galã?
Bruno Gagliasso: Odeio rótulos. E acho que o conceito de galã no Brasil está errado porque é ligado somente à beleza. James Dean, Marlon Brando e Alain Delon foram galãs porque eram ótimos artistas em primeiro lugar. Não me incomodo, mas prefiro o reconhecimento pelo talento.
iG: Você considera o personagem Timóteo Cabral, de “Cordel Encantado”, mais um sucesso em sua carreira?
Bruno Gagliasso: Não sei dizer se ele é mais um sucesso, mas com certeza é um dos personagens que mais está me divertindo.
iG: O que esse personagem tem de tão especial?
Bruno Gagliasso: Timotinho não tem escrúpulos. Aliás, não tem qualquer tipo de sentimento. É um psicopata que me permite experimentar a maldade e a crueldade que sei que tenho dentro de mim, mas que não deixo vir à tona. Timotinho, nesse sentido, está me fazendo conhecer sentimentos que tanto desprezo. A virtude de um ser humano é saber controlar as emoções.
iG: O que ele ainda vai aprontar para ficar com Açucena?
Bruno Gagliasso: Muita maldade. Ele é incansável em sua ambição pelo poder.
iG: Não é a primeira vez que você usa um figurino de época. Na sua opinião, esse é o mais bonito, o mais cuidado?
Bruno Gagliasso: Gosto de me doar mesmo para os personagens e isso significa participar de tudo o que o envolve. Gosto de dar meus palpites no figurino também. E acho que a Marie (Marie Salles, figurinista de “Cordel Encantado”) foi sensacional ao fazer a transformação do personagem desde sua chegada em Brogodó, passando pela morte do pai e assumindo a função de coronel até a coroação.
iG: Qual a sua contribuição pessoal para o Timóteo?
Bruno Gagliasso: O dedinho na sobrancelha. Sou perfeccionista e minimalista em tudo que faço.
O ator na cena em que foi coroado rei de Brogodó e de Seráfia
iG: Você se considera realizado profissionalmente?
Bruno Gagliasso: Não e nem quero me sentir realizado. Acho que vou entrar em surto e depressão no dia que tiver essa sensação. Gosto mesmo é da busca pela realização. O processo, o caminho... Esses sim são mais importantes para mim.
iG: Que personagens ainda faltam?
Bruno Gagliasso: No dia que resolverem fazer um remake da novela “A Viagem” (novela de Ivani Ribeiro exibida em 1994), quero fazer Alexandre, o personagem vivido pelo ator Guilherme Fontes. E, no teatro, me vejo como Ricardo III, de William Shakespeare. Mas esse trabalho tem que ser mais para frente porque exige que eu esteja mais velho mesmo.
iG: Como se sente com tantos prêmios recebidos por seus trabalhos?
Bruno Gagliasso: Seria hipocrisia dizer que não fico feliz, mas ao mesmo tempo me sinto preocupado em dar a mesma verdade. Sempre penso se vou conseguir me superar a cada novo desafio e corresponder a tanta confiança.
iG: Como você se despede de seus personagens?
Bruno Gagliasso: Na verdade, não me despeço. Durmo com todos eles! (risos) Vou para a cama com os textos que tenho que decorar para o dia seguinte. Eu decoro, mas as folhas acabam embaixo do meu travesseiro!
iG: Como é sua relação com os fãs? Já negou um autógrafo ou pedido de foto alguma vez?
Bruno Gagliasso: Uma única vez neguei um pedido de autógrafo. Foi há bastante tempo, mas me senti desrespeitado. Estava dormindo no aeroporto e fui acordado por uma pessoa. Não gostei da sensação. Me senti invadido.
iG: Você tem milhares de seguidores no Twitter. E costuma interagir bastante com eles. O que você acha que as redes sociais podem te acrescentar?
Bruno Gagliasso: Eu já enchi um teatro por causa do Twitter. Como a troca é direta e imediata, é uma ferramenta para usar a meu favor. Também gosto de ler os jornais. Aproveito os intervalos das gravações e me atualizo.
iG: Você aponta algum ator com futuro promissor?
Bruno Gagliasso: Gosto muito do Caio Castro. Já tive oportunidade de assistir a algumas coisas que ele fez e minha opinião é a de que ele ainda vai arrebentar muito.
iG: Você não fica cansado por emendar um trabalho no outro?
Bruno Gagliasso: Fico, mas emendei por vontade própria. Escolhi cada um dos personagens. O que me move é o amor que tenho pela minha arte.
iG: O que você pretende fazer quando a novela acabar?
Bruno Gagliasso: Ficar sem fazer novela por um bom tempo! (risos) Mas não vou deixar de trabalhar não. Tenho projetos em cinema e teatro pela frente.
iG: Você vai estrear no cinema no papel do cantor sertanejo Leonardo. Fale um pouco sobre esse projeto:
Bruno Gagliasso: O filme ainda está em pré-produção e no início de 2012 começarei as filmagens. Assisti a um especial que o Papinha (Rogério Gomes, diretor) fez e já me ajudou muito a entrar no clima. Quando a novela acabar, irei me dedicar mais.
iG: Você gosta de música sertaneja?
Bruno Gagliasso: Gosto dos clássicos de Chitãozinho e Xororó.
iG: Você lida bem com dinheiro?
Bruno Gagliasso: Como comecei a trabalhar ainda criança, tive a oportunidade de aprender a administrar as finanças mais cedo do que a maioria. Não me arrependo de nada. Acho que me saio bem.
iG: Você tem um blog e, de vez em quando, publica textos. Você pensa em escrever um livro algum dia?
Bruno Gagliasso: Não faço disso uma obrigação. Mas quem sabe?
iG: Você foi contra a participação do seu irmão, Thiago Gagliasso, no “A Fazenda 4”, reality da Record?
Bruno Gagliasso: Não. Sempre torci por ele. Meu irmão é meu grande amigo, meu confidente. Estou sempre do lado dele.
iG: Você acha que ele tem chances de ganhar?
Bruno Gagliasso: Ele é um cara muito íntegro, carismático e transparente. Ele não passa por cima de ninguém. Acho que ele tem grandes chances, sim. Torço por ele!
Trabalhos
Timóteo - Cordel Encantado, Globo, 2011
Berilo – Passione, Globo, 2010
Tarso - Caminho das Índias, Globo, 2009
Eduardo - Ciranda de Pedra, Globo, 2008
Ivan – Paraíso, Globo, 2007
Ricardo - Sinhá Moça, Globo, 2006
Júnior – América, Globo, 2005
Inácio – Celebridade, Globo, 2003
Caetano - A Casa das Sete Mulheres, Globo, 2003
José - As Filhas da Mãe, Globo, 2001
Rodrigo - Chiquititas, SBT, 2000