Atriz e embaixadora das Nações Unidas conversou com os refugiados e dirigentes do campo Altinozu, na província de Turquia

A estrela de cinema Angelina Jolie visitou nesta sexta-feira milhares de sírios refugiados em acampamentos na Turquia. Antes de sua chegada, em outro campo, o de de Yayladagi, alguns abrigados iniciaram uma greve de fome contra as restrições impostas por autoridades turcas; foi logo após as orações de sexta-feira.

Já os refugiados do campo de Altinozu, que abriga cerca de 1.400 pessoas, aplaudiram a chegada de Jolie, acompanhada de um grande comboio de veículos. "Abaixo o regime sírio", gritavam em árabe. Um banner colocado na entrada do acampamento em inglês dizia: "Anjo da bondade no mundo, bem-vindo". Uma multidão reuniu-se do lado de fora das tendas para ver melhor Angelina Jolie, conhecida por seu trabalho humanitário e que realizou uma visita-surpresa ao Afeganistão em março, também a acampamentos.

Os refugiados realizaram logo depois uma passeata atrás de um caixão com as inscrições "A comunidade dos Estados Árabes" e "a consciência da Rússia e da China" - uma referência a todos os países que se opõem à resolução da ONU condenando a repressão na Síria. Eles também levantaram cartazes chamando o líder sírio Bashar al-Assad de "assassino de crianças" e pedindo que o mundo proteja a cidade de Jisr al-Shughur, onde confrontos sangrentos levaram a um êxodo em direção à Turquia.

Assim, a visita da atriz foi ofuscada pelos protestos no acampamento Yayladagi, que reúne milhares de refugiados, formando uma verdadeira cidade, montada pelo Crescente Vermelho na província turca de Hatay.

Autoridades turcas proibiram o acesso externo aos refugiados que permanecem nos campos.

"Eles estão protestando contra a falta de visitas, sua impossibilidade de protestar contra o regime de Damasco e a ausência de contatos com o exterior", afirmou um dissidente sírio morador na Turquia, que preferiu não se identificar. A fonte também relatou incidentes provocados por guardas turcos, envolvendo refugiados.

Nesta sexta-feira (17), autoridades turcas afirmaram que o número de refugiados sírios na Turquia havia chegado a 9.700, após a vinda de mais 1.200 durante a noite. Autoridades afirmaram que os refugiados recebem três refeições por dia, água quente e têm acesso a eletrodomésticos, como máquinas de lavar roupa e televisão.

Um hospital móvel para os feridos sem maior gravidade também foi criado, juntamente com o acolhimento de crianças e ajuda psiquiátrica, disseram autoridades. A repressão aos manifestantes pelo regime do presidente Bashar al-Assad já deixou 1.200 pessoas mortas e 10.000 detidas, de acordo com grupos de direitos humanos e as Nações Unidas.

Na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores Ahmet Davutoglu afirmou que a Turquia vai manter suas fronteiras abertas para os sírios que fogem da violência e fornecerá ajuda humanitária às milhares de pessoas que se concentram na fronteira entre os dois países. A Turquia tem endurecido sua posição em relação ao governo de Assad, culpando as tropas sírias pelas atrocidades.

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