Atriz volta à evidência com a peça "Filha, Mãe, Avó e Puta – Uma Entrevista", que estreia em São Paulo dia 29 de fevereiro

A maquiagem envelhece Alexia Dechamps antes da atriz entrar em cena com a peça
Divulgação
A maquiagem envelhece Alexia Dechamps antes da atriz entrar em cena com a peça "Filha, Mãe, Avó e Puta – Uma Entrevista"

Insatisfação profissional, tempo para cuidar de si e repensar a vida. Alexia Dechamps não esconde os  motivos que a levaram a ficar tanto tempo longe dos holofotes. Estrela das passarelas e da TV nas décadas de 1980 e 1990, nos últimos anos ela fez pequenas participações na Rede Globo, em novelas como "Malhação" e "Ti-Ti-Ti". "Eu não estava feliz", confessa.

Siga o iG Gente no Twitter e receba as notícias das celebridades em tempo real

Alexia Dechamps como Gabriela Leite no palco: sucesso no Rio e em Brasília
AgNews
Alexia Dechamps como Gabriela Leite no palco: sucesso no Rio e em Brasília
Prestes a estrear em São Paulo a peça "Filha, Mãe, Avó e Puta – Uma Entrevista", que fez sucesso no Rio de Janeiro e Brasília em 2011, Alexia conta em entrevista ao iG Gente que após a crise na vida pessoal e profissional, encontrou o que procurava. "Queria um desafio, um divisor de águas na minha vida".

Alexia conta a história de Gabriela Leite , uma mulher que se entregou à prostituição na região conhecida como Boca do Lixo, no centro de São Paulo, e fundou a ONG Davida e a grife Daspu. "Vivo uma mulher de 60 anos, sem vaidade nenhuma. Não tenho nenhum dos atributos dela. Ela não é bonita, nem alta, nem loira ou glamourosa. Tem uma vida de que eu não tenho o menor conhecimento".

Inquieta e determinada, Alexia se diz "100% realizada" e agradecida com esse trabalho, que a ajudou a esquecer os problemas pessoais que enfrentou nos últimos anos, como a separação e a descoberta de que não pode ter filhos.

Na conversa, ela também conta como lidou com ficar longe da fama, algo tão familiar para ela. Alexia conviveu com estrelas da música e do cinema desde a infância, como Vinícius de Moraes , Mick Jagger e Cat Stevens , por serem amigos de seus pais.

Confira a entrevista...

iG: Como está a expectativa para estrear em São Paulo?
Alexia Dechamps:
O espetáculo ficou no Rio por quase dois meses. Eu fazia dois espetáculos por sábado e todos os dias da semana. Precisamos colocar cadeiras extras, de tanta gente que queria assistir à peça. Em Brasília fiquei um mês em cartaz, e sempre sobravam 10, 12 pessoas para fora, esperando uma desistência, para ver se conseguiam entrar no teatro.

Adoro quando a Luana (Piovani) fica falando 'que não tem culpa de ser bonita'. Não é fácil ser bonita não"

iG: Por que contar a história da fundadora da Daspu?
Alexia Dechamps:
Porque é muito interessante, sou suspeita para falar. A história da Gabriela é um "case", é uma história verdadeira, nunca vi igual. Uma mulher que tem pai fazendeiro, mãe cabocla, que estudou nos melhores colégios, passou nos primeiros lugares da USP e cursava filosofia. Por que ela virou prostituta? Por que ela gostava da boemia? Por que num tempo machista quis ser dona do seu corpo e ganhar mais dinheiro? Sei lá. É uma história que eu conto ali em uma hora, em que você chora, ri, odeia, acolhe, julga. Gosta ou não gosta.

Alexia Dechamps: aos 45 anos, ela interpreta uma mulher de 60 anos que conta sua história de vida
Divulgação
Alexia Dechamps: aos 45 anos, ela interpreta uma mulher de 60 anos que conta sua história de vida

Não tenho nenhum dos atributos dela (Gabriela Leite). Ela não é bonita, nem alta, nem loira ou glamourosa"

iG: E como você conheceu a história dela?
Alexia Dechamps:
Eu queria voltar a trabalhar, mas queria um desafio, um divisor de águas na minha vida. Meu empresário me deu o livro para ler e eu amei. Vi que era exatamente o que queria fazer. A Gabriela é uma história muito grande, eu vivo uma mulher de 60 anos, sem vaidade nenhuma. Não tenho nenhum dos atributos dela. Ela não é bonita, nem alta, nem loira ou glamourosa. Tem uma vida de que eu não tenho o menor conhecimento. É o oposto de mim. Eu queria sair da minha zona de conforto. As pessoas não veem a Alexia ali, eu sou outra pessoa no palco. Era isso que eu queria.

iG: Esse será o primeiro de muitos trabalhos a partir de agora?
Alexia Dechamps:
Eu queria voltar a trabalhar quando fosse dona do meu próprio projeto. Me sinto 100% realizada. Não sei o que vai ser daqui pra frente. Hoje sinto que não preciso provar nada para ninguém. Estou correndo atrás da minha vida. Posso fazer comédias no futuro, quem sabe? Tem outra coisa, eu também tive uma dificuldade de engravidar de maneira natural, não foi um processo fácil. Então eu decidi que, se eu não pudesse ter filhos, eu ia fazer dos meus projetos os meus filhos. Não tem televisão, não tive ajuda de ninguém.

Existem várias maneiras de se manter ali (Globo). Quero fazer coisas que tenham mais conteúdo"

iG: E como foi ficar longe dos holofotes? Você quer voltar para a televisão, para a Globo?
Alexia Dechamps:
Eu não fiquei tão longe assim. Fiz algumas participações, ano passado entrei em "Ti-Ti-Ti"... Acho que a Globo é uma grande empresa. Existem várias maneiras de se manter ali. Hoje, quero entrar por ser reconhecida por um belo trabalho no teatro. Eu quero fazer coisas que tenham mais conteúdo. Olha, a melhor crítica que eu recebi foi da própria Gabriela Leite. Ela disse “A Alexia vai calar a boca de todo mundo, porque não há quem não diga que não sou eu ali no palco”. Na Globo tem pessoas com talento, sem talento. Eu quero voltar por ser reconhecida aqui fora.

Alexia Dechamps:
Divulgação
Alexia Dechamps: "Na Globo tem pessoas com talento, sem talento"

iG: Mas por que deixar a TV?
Alexia Dechamps:
Eu saí da Globo para ir para a Manchete. Queria fazer algo diferente. Fiz dois trabalhos em que fui protagonista, que tinham mais conteúdo, o que eu não conseguia fazer na Globo. Mas eu parei de trabalhar porque estava insatisfeita. Eu não estava feliz. Queria repensar minha vida. Estava passando por uma crise geral. Tinha 38 anos. Me separei, várias coisas aconteceram. Mas eu sempre digo que é do buraco que a gente ressurge. Hoje eu estou colhendo os frutos dessa crise por que passei.

iG: E você está bem hoje? Ou ainda está inquieta?
Alexia Dechamps:
Sou uma pessoa muito focada. Sou inquieta sim, mas quando quero alguma coisa vou à luta. Sou muito disciplinada, profissional. Quando eu era modelo e precisava emagrecer, ficava tomando só chá por 15 dias. Mas tudo são fases na vida. Hoje parei de fumar depois de 20 anos, e mesmo engordando 10 quilos, tudo bem. Sou superparanoica com essa coisa de peso. Mas sou muito agradecida com tudo o que Deus me deu. Tenho saúde, tenho educação, nasci bonita. Adoro quando a Luana (Piovani) fica falando “que não tem culpa de ser bonita”. Não é fácil ser bonita. Mas não tenho do que reclamar. E na minha vida nada caiu do céu, profissionalmente eu sempre fui atrás. Não namorei famoso, bombado. Bati de porta em porta.

Não sou viciada em fama (...). Eu sempre tive isso, não sou daquelas pessoas que fazem de tudo para ficarem famosas e depois batem no fotógrafo"

iG: A fama nunca foi algo estranho pra você, que conviveu com pessoas reconhecidas mundialmente. Depois desse tempo, estava sentindo falta da fama?
Alexia Dechamps:
Não sou viciada em fama. Eu agradeço à imprensa porque a vida inteira tive mídia espontânea por carisma, talento, pela minha mãe, sei lá. Nunca tive assessor. Mas nunca tive essa coisa de fama, porque pra mim sempre foi muito normal. Já vi Vinícius de Moraes dormindo em casa várias vezes. Cat Stevens, Grace Jones, Tom Jobim, conheci todos. Não sou nada quando eu penso nessas pessoas. Eu sempre tive isso, não sou daquelas pessoas que fazem de tudo para ficarem famosas e depois batem no fotógrafo.

iG: Sua relação com a Gabriela vai além da peça. Usa as roupas da Daspu, por exemplo?
Alexia Dechamps:
Já desfilei pela Daspu e tenho um vestido delas. Mas gosto mais por causa do propósito delas. Eu sempre digo que não estou aqui para julgar ninguém, não tenho opinião, não vou ficar julgando, me recuso.

Sempre digo que é do buraco que a gente ressurge. Hoje estou colhendo os frutos dessa crise por que passei"

iG: Você fala abertamente que não pode ter filhos e que sofreu muito por isso. Já pensou em adotar uma criança?
Alexia Dechamps:
Eu quis muito ter meus filhos. Mas a natureza me limitou. Eu não estava trabalhando, então achei que era a hora. Cheguei a fazer tratamento, fiquei tão triste. Mas isso não impede que eu tente de novo. Posso até adotar no ano que vem. Não sei. Mas hoje me dedico aos meus cachorros, tenho vários que adotei.

iG: Se pudesse escolher uma pessoa para assistir sua peça, quem você gostaria de ver na plateia?
Alexia Dechamps:
Marília Pêra. Queria que ela aplaudisse e gostasse, claro.

Alexia Dechamps loira e com sua paixão: cachorros
AgNews
Alexia Dechamps loira e com sua paixão: cachorros

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.