Em cartaz com a peça "Eu te Amo", ator fala sobre casamento, sexo e responde o que faria se sua mulher Júlia Lemmertz o traísse. Veja galeria de fotos

O filósofo francês Voltaire (1694-1778) escreveu que “A perfeição é alcançada aos poucos, pois exige a ajuda do tempo”. No caso do ator Alexandre Borges , exatos 45 anos. O cara é perfeito: profissional respeitado em sua área de atuação, romântico, manda flores à mulher amada, não é ciumento, sorriso encantador, e ainda confessa que gosta de rever as fotos do casamento! Ou seja, perfeito... “Sou um cara muito dependente das mulheres. Fujo desse lado do homem como figura de força, de se impor através de um ato físico”, diz.

Alexandre Borges: “Gosto quando uma mulher me olha. Quando alguém me fala que sou um gato ou que sou mais bonito pessoalmente, ganho o dia”
Gianne Carvalho
Alexandre Borges: “Gosto quando uma mulher me olha. Quando alguém me fala que sou um gato ou que sou mais bonito pessoalmente, ganho o dia”

Alexandre é casado há 18 anos com a atriz Júlia Lemmertz , com quem tem um filho, Miguel, de 12 anos. Mas, apesar da imagem de casal ideal, de tempos em tempos eles são alvo de rumores sobre uma possível separação. “Nunca saí de casa. Já dormi na casa da minha mãe por uma noite. Aquela coisa de ter seu espaço. Mas isso é normal em qualquer casamento. Se um dia estivermos em um processo de separação, seremos os primeiros a nos abrir”, afirma ele. Mesmo casado, Alexandre sabe o efeito que causa nas mulheres. “Gosto quando uma mulher me olha. Quando alguém me fala que sou um gato ou que sou mais bonito pessoalmente, ganho o dia”, brinca o ator.

Em cartaz com a peça “Eu te amo”, de Arnaldo Jabor , Alexandre realiza um sonho profissional. Desde a primeira vez que viu o filme estrelado por Sônia Braga e Paulo Cesar Pereio , em 1981, o ator tinha o desejo de levar o texto para o palco. Mas só após 30 anos - quando a atriz e produtora Juliana Martins precisava de um ator para substituir André Gonçalves -, Alexandre assumiu o papel do cineasta falido que busca a cura de uma desilusão amorosa através do sexo. “O sexo hoje é supervalorizado. Não estou entrando na questão do fazer, porque todo mundo gosta de transar”, opina.

Alexandre recebeu a reportagem do iG no camarim do Teatro Leblon, onde está em cartaz no Rio, e falou sobre relacionamento, sexo, casamento e até sobre uma possível traição de Júlia. “Não sou um cara pregando um casamento aberto. Não é o que tenho. Mas o meu amor pela Júlia e pela nossa família é maior do que uma traição”, afirma. Confira abaixo a entrevista:

iG: Você estava sem fazer teatro há mais de 10 anos. Como surgiu o convite para a peça?
Alexandre Borges:
Na verdade não foi um convite, eu meio que me ofereci. Após fazer a peça “Eu sei que vou te amar”, do Jabor, com a Júlia (Lemmertz, mulher do ator), pensei que podíamos encenar o texto de “Eu te amo”. Fazer tipo um repertório do Jabor (risos). Na época não deu certo. O tempo passou, a vida seguiu. Mas toda vez que o encontrava, falava para fazermos a peça. Aí, em 2010 vi no jornal que a Juliana (Martins) e o André Gonçalves estavam estreando esse espetáculo....

iG: Ficou com aquela pontinha de ciúmes de não estar no elenco?
Alexandre Borges:
Não. Por mais que você queira fazer um personagem, você não pode achar que ele é seu. Eu fiquei é muito feliz por alguém ter conseguido convencê-lo a encenar esse texto. Temos que explorar ao máximo os grandes atores nacionais e o Jabor tem umas sacadas ótimas sobre a sociedade, com uma visão bem-humorada, ácida.

iG: Mas, então, como o papel chegou até você?
Alexandre Borges:
O André teve que sair para fazer uma novela e eu liguei para a Juliana me oferendo (risos). Ela me sugeriu que fizéssemos uma leitura e, assim, a peça ressurgiu. Estava com saudades do palco. Quando entro no teatro lembro o porquê escolhi fazer isso e como posso ser versátil.

Alexandre Borges: “Não sou um cara pregando um casamento aberto. Não é o que tenho. Mas o meu amor pela Júlia e pela nossa família é maior do que uma traição”
Gianne Carvalho
Alexandre Borges: “Não sou um cara pregando um casamento aberto. Não é o que tenho. Mas o meu amor pela Júlia e pela nossa família é maior do que uma traição”
iG: Em um momento da peça, você diz que homem quando sofre, sofre mesmo...
Alexandre Borges:
É. A gente tá em busca de um equilíbrio nas relações. Nos anos 50 anos a mulher tinha aquela vidinha em função da casa, quem não casava, era mal vista... Com a revolução sexual feminina, a mulher assumiu um papel novo na sociedade. Aí teve a busca pelos direitos iguais, a invenção pílula. Tudo foi muito rápido para mulher. E o homem foi tentando se adaptar a essas mudanças. Tem mulher que não admite pagar a conta do restaurante. Não quer saber do lance romântico, só quer saber dos direitos iguais (risos). O homem está tentando se adaptar a isso. Com essa busca, surgiu o homem mais carente, nasceu a vaidade masculina, os metrossexuais, os emos. Ele descobriu uma sensibilidade que não sabia que tinha. Mas, ao mesmo tempo, o homem tem o lado primitivo. De não aceitar mudanças, de não aceitar que a mulher tenha o mesmo espaço do homem.

iG: E você? Qual desse tipo de homem você é?
Alexandre Borges:
Sou um cara muito dependente das mulheres. Fui criado pela minha mãe, tenho oito irmãs, uma enteada e muitas primas. Eu transito bem entre mulheres de todas as idades. Tenho um fascínio pelo mundo feminino porque acho que elas estabelecem uma relação de maior carinho, com menos competição, com pensamentos mais inusitados. Fujo desse lado do homem como figura de força, de se impor através de um ato físico. Tento ter uma relação de crescimento pessoal. E acho que cresço mais do lado de uma mulher do que de um homem.

iG: Entao são as mulheres que mandam na sua casa?
Alexandre Borges:
A questão não é ser mandado. Eu sei admitir que a mulher tem uma intuição e uma visão peculiar aos detalhes. Gosto de ser mandado, também. Não tenho problemas quanto a isso.

iG: Na peça, o seu personagem tenta se curar de uma desilusão amorosa através do sexo. O que acha disso?
Alexandre Borges:
Acho superválido. A melhor forma de se curar uma desilusão amorosa é recuperar sua autoestima, confiança. Porque não através do sexo? Pode ser que seja um namoro de dois meses ou um casamento de anos, mas uma pessoa sempre fica abalada com um término. Relacionamento te consome muito. Quer dizer, a não ser que você não goste mais da pessoa e dá graças a Deus por terminar com ela. Acontece também. Mas o sexo hoje é supervalorizado.

iG: Por quê?
Alexandre Borges:
Não estou entrando na questão do fazer, porque todo mundo gosta de transar. O sexo pode ser uma delícia, mas também pode ser uma dor de cabeça. Sexo é uma coisa primitiva, latente. Mesmo a gente colocando todas as máscaras, cortinas e tal... A pulsão sexual sempre está presente. É o que move a humanidade. O primordial da vida é o sexo porque através dele é que o homem se eterniza. Mas esse jogo da sedução é divertido. A questão do olhar, do flerte. Com a Júlia foi assim...

iG: Assim como?
Alexandre Borges:
Conheci a Júlia quando fui fazer um teste para um filme. Achei ela uma gata, era superfã dela porque já conhecia o seu trabalho. Durante dois anos, nos encontrávamos em eventos e tal, mas quando acontecia isso fazia questão de ficar jogando charme. Um ano depois, ela foi fazer a peça “Hamlet” comigo. Aí, depois de umas taças de vinhos em uma festinha pós-espetáculo, nos beijamos. De lá para cá, são 18 anos juntos e tudo começou desse flerte. Acho muito gostoso esse jogo de sedução. Faço questão de ter isso no nosso casamento.

iG: Como se faz para manter um casamento por tanto tempo?
Alexandre Borges: Gosto de relembrar, de repassar por coisas que fizemos, marcar viagens, fazer uma surpresa, dar uma flor do nada. Estou em um casamento para curtir, para me divertir. E não é uma coisa egoísta. Quero que minha mulher se divirta também. Acho importante guardar aquela euforia do namoro.

Alexandre Borges:
Gianne Carvalho
Alexandre Borges: "O primordial da vida é o sexo porque através dele é que o homem se eterniza"
iG: Mesmo assim, vocês sempre são alvos de noticias sobre uma possível separação...
Alexandre Borges:
Falam muito de tudo, né? Por exemplo, teve uma época que fui para um churrasco em Santos sozinho porque a Júlia estava fazendo uma peça. Nesse churrasco, tinha uma mãe de uma repórter, que achou que eu estava com uma cara abatida. Aí saiu uma notinha falando que eu estava abatido (risos). Isso não é importante para mim. Nunca saí de casa. Já dormi na casa da minha mãe por uma noite. Aquela coisa de ter seu espaço. Mas isso é normal em qualquer casamento. Se um dia estivermos em um processo de separação, seremos os primeiros a nos abrir e falar que estamos dando um tempo para pensar, refletir. Uma coisa bem natural porque acontece com todo mundo.

iG: Você fica chateado com esse tipo de comentários?
Alexandre Borges:
Não. Como somos um casal de artistas, acho importante o nosso papel para quebrar tabus. Quero que a pessoa que está lendo essa matéria veja como um relacionamento complexo e simples, ao mesmo tempo. Como tem várias formas de se ter um relacionamento. O importante é ser fiel aos seus sentimentos. Saber o que quer. Porque arrastar um casamento, onde você não ama mais a pessoa, para aparecer bonitinho no jornal não dá. É uma bobagem. Querer terminar um casamento por uma traição ou ciúmes também é besteira.

iG: Então você perdoaria uma traição da Júlia?
Alexandre Borges:
Quanta violência foi praticada contra as mulheres por causa de ciúmes ou de suspeita de traição? Quantas pessoas já morreram por isso? A gente tem que começar a olhar para esse novo século e para as mudanças. Não sou um cara pregando um casamento aberto. Não é o que tenho. Mas o meu amor pela Júlia e pela nossa família é maior do que uma traição. Se ela viesse a conversar comigo com a intenção de ser sincera e querer continuar o casamento, a gente conversa pra ver o que rola. Só deixando o tempo dizer...

iG: A liberdade é importante para o casamento de vocês?
Alexandre Borges:
É fundamental. Cada um tem que ter seu espaço dentro da relação. Não quero que ela venha me pedir autorização para nada. É claro que posso dar minha opinião, mas quem tem que decidir é ela. Acho que as pessoas também supervalorizam a função do casamento. Deixam de fazer coisas que não têm coragem de fazer e colocam culpa no casamento. É lógico que temos responsabilidades já que temos uma vida a dois. Mas é imprescindível o respeito pela liberdade de um individuo.

iG: Você já traiu?
Alexandre Borges:
Não posso dizer que nunca fiz, mas também não sou disso. Quando era mais novo, já aconteceu de estar em um relacionamento que já estava acabando e surge aquela pessoa diferente. Mas toda vez que traí rolou uma angústia tão grande. Essa coisa de amante, manter duas casas é um pouco fora de realidade, na minha opinião.

iG: Você disse que adora o jogo de sedução. Gosta quando uma mulher te olha?
Alexandre Borges:
Adoro! Sou vaidoso... É uma delicia receber um elogio de uma mulher. Quando alguém me fala que sou um gato ou que sou mais bonito pessoalmente, ganho o dia.

iG: E com a Júlia? Você é ciumento?
Alexandre Borges:
Não sou ciumento, mas também não é que eu esteja me lixando. Quando vejo uma cena de beijo dela, confesso que não é a coisa mais confortável do mundo. Mas eu assisto. Sei que somos atores. Quando a elogiam na minha frente, não vejo problemas. Ela é uma mulher bonita, mesmo. Mas também temos que manter a postura. Somos casados, afinal.

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