Morre Marília Pêra aos 72 anos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Atriz lutava contra um câncer há dois anos e morreu em casa, nesta manhã, ao lado da família. Velório será nesta tarde

Morreu neste sábado (5) aos 72 anos Marília Pêra, grande diva do teatro brasileiro. A atriz faleceu no Rio de Janeiro, nesta manhã, em casa, ao lado da família. Segundo comunicado oficial da Globo, Marília lutava há dois anos contra um câncer. Recentemente, ela tratou de desgaste ósseo e ficou afastada do seriado "Pé na Cova".

Marília Pêra morreu neste sábado, 5 de dezembro, no Rio de Janeiro
Divulgação
Marília Pêra morreu neste sábado, 5 de dezembro, no Rio de Janeiro


No início de novembro, a jornalista carioca Hildegard Angel, amiga pessoal da atriz, postou em seu blog que o estado de saúde da atriz era delicado. “Marília inspira cuidados extremos, está no balão de oxigênio", disse. A informação não foi confirmada pela família, mas é sabido que a atriz tem como hábito manter preservada a sua vida particular.

À GloboNews, Claudia Raia disse que seu último contato com Marília aconteceu há duas semanas, quando elas se falaram porque a veterana queria assistir ao espetáculo "Raia 30". "Ela estava impossibilitada, de cadeira de rodas. Ela disse 'eu vou melhorar um pouquinho e vou'", falou Claudia. "Estamos órfãos. Ela pra mim era uma referência."

O corpo é velado a partir de 13h, no Teatro Leblon, na sala Marília Pêra, no Rio de Janeiro. O enterro está previsto para as 16h, no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo. 

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Marília na minissérie
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Marília na minissérie "O Primo Basílio", de 1988

Estreia aos 19 dias

Marília Pêra fez uma sólida carreira nos palcos, na televisão e no cinema. E ela dizia que pisou pela primeira vez nos palcos antes mesmo de saber andar. Aos 19 dias, entreou em cena no colo de uma atriz, amiga de sua mãe, em uma peça em que precisavam de um bebê. 

“Ser atriz era tão comum porque eu fui criada dentro das coxias mesmo, me preparei assim”, ela disse ao site de memória da Rede Globo. “Olhando os grandes atores, os médios atores. Eu vi todas as tragédias gregas, os dramas psicológicos.” “Foi um privilégio porque eu puder ter essa visão do teatro."

A estreia nos palcos veio ainda na infância. Aos quatro anos, ela começou a trabalhar na Companhia de Henriette Morineau, interpretando uma das filhas de Medéia na peça homônima de Eurípedes. Marília atuava ao lado dos pais, os também atores Manoel Pêra e Dinorah Marzullo. 

"Quando eu tinha 11 anos, minha formação vem do meu pai. Ele tocava piano, violino, era ator, foi carpinteiro, alfaiate de teatro", lembrou Marília." "Ele adorava música erudita. Por causa dele eu estudei 11 anos de piano e comecei meu aprendizado de balé clássico. Meu pai me trouxe o teatro e música."

Na novela 'A Moreninha', de 1965. Foto: DivulgaçãoNa novela 'Supermanoela', de 1974. Foto: DivulgaçãoNa minissérie 'Quem Ama não Mata'. Foto: DivulgaçãoNa novela 'O Cafona', de 1971. Foto: DivulgaçãoNa novela 'Meu Bem Querer', de 1998. Foto: DivulgaçãoMarília Pera no "Memória' da TV Globo. Foto: DivulgaçãoNa novela 'Bandeira 2', de 1971. Foto: Divulgação


Carreira

Ao longo da carreira, a atriz trabalhou em mais de 50 peças, quase 30 filmes e cerca de 40 novelas, minisséries e programas de televisão. 

Marília Pêra (1943 - 2015)
Reprodução
Marília Pêra (1943 - 2015)

Marília Soares Pêra (Marília Pêra da Graça Mello, depois que se casou), nasceu em 22 de janeiro de 1943, no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Nas artes, começou no teatro e a estudar piano ao mesmo tempo.

Também foi bailarina e, dos 14 aos 21 anos, atuou em musicais e revista dançando. Nessa época já vivia Carmem Miranda nos palcos, papel que repetiu diversas vezes na carreira. Em 1962, Marília era destaque e estrelava o musical “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”. 

No teatro, Marília foi referência dos musicais e diversas peças. Além de Carmem Miranda, ela deu vida a outras cantoras, como Maria Calas e Dalva de Oliveira. Também interpretou Coco Channel, entre outros ícones. 

Ela também ganhou destaque como produtora e diretora e coleciounou prêmios nos palcos. 

Televisão

Os pais de Marília a levaram para a televisão, na antiga TV Tupi. Em 1965, foi contratada para fazer parte do elenco que iria inaugurar a TV Globo, e protagonizou as novelas "Rosinha do Sobrado" e "Padre Tião", ambas de Moisés Weltman. Também atuou em "A Moreninha", adaptação do romance de Joaquim Manuel de Macedo escrita por seu ex-sogro, Graça Mello, que era diretor da emissora. 

Marília Pêra na novela
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Marília Pêra na novela "Brega e Chique", em que fez par com Marcos Nanini

Além disso, em 1968, trabalhou na novela “Beto Rockefeller”, ainda na TV Tupi. A trama é considerada um marco na televisão brasileira por usar uma linguagem moderna para a época e se ambientar na cidade. 

Com Luis Gustavo em
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Com Luis Gustavo em "Beto Rockfeller", de 1968

Maríla voltou à Globo em 1971 para viver Shirley Sexy, de “O Cafona”, personagem que lhe rendeu grande popularidade. Ela era uma secretária cafona e par de Francisco Cuoco na novela. A atriz emendou produções até viver a personagem-título de “Supermanoela”, de 1974, e de afastar das novelas. 

Voltou para as novelas em 1987, com a marcante “Brega & Chique” como Rafaela, ao lado de Marcos Nanini. A parceira fez da obra um dos grandes sucessos a faixa das 19h. Marília dizia que “Brega & Chique” foi a novela que ela mais gostou de fazer. 

Ela ainda foi a avó Janie em “Começar de novo” (2004) e a divertida e interesseira Milu, em “Cobras e Lagartos (2006). Também participou do remake de “Ti-ti-ti”,  “Duas Caras” e outras novelas.

Além da Globo, Marília atuou em tramas da TV Bandeirantes. 

Música

Marília Pêra também foi destaque na música. Em 1964, ela chegou a derrotar Elis Regina, ambas desconhecidas até então, em um teste para o musical “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”, de Abe Burrows, Jack Weinstock e Willie Gilbert, que, na época, foi traduzido por Carlos Lacerda.


Já em 1975, Marília protagonizou o espetáculo “Feiticeira”, show concebido por Nelson Motta, com roteiro assinado em parceria com Fauzi Arap, que virou LP lançado pela gravadora Som Livre. Mais tarde, por iniciativa do DJ Zé Pedro, o álbum ganhou versão em CD pelo selo Joia Moderna.

Atualmente, estava envolvida no projeto de um novo CD, pela Biscoito Fino, com repertório de canções de Tom Jobim, Johnny Alf, Dolores Duran e de Kurt Weill.

Minisséries e cinema

Marília também foi destaque em minisséries. Em 1988, foi a vilã Juliana em “O Primo Basílio”. Já em 2001, a atriz viveu Maria Monforte em “Os Maias”. A trama era baseada no romance de Eça de Queiroz e essa personagem não exista na obra original, foi inventada pela autora da série Maria Adelaide Amaral

Com Fernanda Montenegro no filme
Reprodução
Com Fernanda Montenegro no filme "Central do Brasil"

A atriz também atuou em diversos filmes, como ao lado de Fernanda Monetenegro ao indicado ao Oscar “Central o Brasil” (1996). Além disso, fez “Bar Esperança” (1983), “Tieta do Agreste” (1995) e “O Viajante” (1998). Ainda foi premiada pela atuação em “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980). 

Desde 2013, Marília vivia Darlene  o seriado “Pé na Cova”. A atriz estava afastada do trabalho, mas deixa duas temporadas do trabalho prontas. 

Família

Marília era de uma família de atores. Ela era filha, neta e sobrinha de atores. Marília deixou os estudos em 1959. Ela se casou com o ator Paulo Graça Mello e teve o primeiro filho aos 18 anos, mas a união não durou muito. 

Ela foi casada quatro vezes e sempre foi bastante reservada em relação a vida pessoal A atriz deixa os filhos Ricardo Graça Mello, Esperança Motta e Nina Morena e o marido Bruno Faria. 

Leia tudo sobre: Marília Pera

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