Apresentadora do "Missão Extrema", do Discovery, Karina Oliani enfrentam situações de risco na TV e na vida real

Apresentadora do "Missão Extrema", do Discovery, Karina Oliani está sempre correndo algum tipo de risco. E ela gosta disso! Em alguns momentos, teve que deixar a apresentação de lado para socorrer entrevistados e membros da equipe. A coragem dessa médica -  especializada em medicina de emergência e resgate em áreas remotas - só desaparece quando ela tem que enfrentar duas coisas: baratas e injeções.

Aos 32 anos, ela deixou tudo por aqui para ajudar no atendimento às vítimas do terremoto que atingiu o Nepal. De volta ao Brasil, ela se encontrou com a reportagem do iG Gente e falou sobre a experiência, revelou seus medos e mencionou a resistência dos pais com seu trabalho arriscado. "É fácil me deixar feliz, mas se tem uma coisa que me faz transbordar de alegria é me sentir útil para os outros", comenta.


Corajosa, até ver uma barata

Desde criança, Karina Oliani já se sentia diferente das irmãs. Se elas brincavam dentro da casinha de bonecas, a apresentadora estava escalando o telhado da tal casinha. "Era uma 'criança traquinas', como meus pais falavam", brinca. 

Não tomo injeção. É um medo ridículo porque sou médica. Se eu estiver morrendo, eu me aplico. Eu mesma apliquei as vacinas em mim"

Nos esportes, foi bicampeã brasileira de wakeboard, além de fazer escalada em rocha, motocross, canoagem, rapel, surfe, corridas de orientação, esqui, snowboard, asa-delta, paraquedismo e outros. Para completar, é médica, amante da natureza e de aventura. 

Mas um dos pânicos de Karina é um dos mais comuns. "É mais que medo, é fobia! Cobras, nem ligo, coitadas delas. Mas barata...". 

Medo de injeção

E para uma médica, outra peculiaridade surpreende. "Não tomo injeção. É um medo ridículo porque sou médica. Se eu estiver morrendo, eu me aplico. Eu mesma apliquei as vacinas em mim", afirma. 


Na TV de paraquedas

Toda a habilidade com os esportes levou Karina Oliani para a televisão. Enquanto ainda era atleta, ela recebeu um convite para fazer um teste no Rio de Janeiro. Mesmo sem qualquer experiência, foi. "A TV caiu de paraquedas na minha vida. Cheguei lá no teste e me arrependi porque tinham muitas meninas muito lindas fazendo os testes muito bem. 'O que eu estou fazendo aqui?', pensava".  E quando o diretor ligou a câmera, Karina travou. "Perdi a voz de nervoso. Essa foi a única vez da minha vida", conta. 

A TV caiu de paraquedas na minha vida. Cheguei lá no teste e me arrependi porque tinham muitas meninas muito lindas fazendo os testes muito bem. 'O que eu estou fazendo aqui?', pensava"

Mesmo assim, foi aprovada e já  estreou no SporTV. Depois, passou pela Record, fez quadros no "Fantástico", na Globo e, agora, está no ar com o "Missão Extrema", no Discovery.

A TV a conquistou. Tanto que, durante o tempo que passou nos Estados Unidos para a especialização em medicina de resgate, ela sentiu falta do vídeo, começou a documentar o que fazia aos finais de semana, montou a própria produtora e colocou, de fato, mais uma profissão no currículo. 

Heróis desconhecidos

Toda a experiência em esportes,  aventuras e na medicina ajudam Karina Oliani no "Missão Extrema". A ideia da atração é mostrar trabalhos desafiadores e quem são os responsáveis por isso. "Uma das coisas mais legais dessa série é poder mostrar que eles são esses heróis desconhecidos e também poder mostrar que, ainda neste século, há trabalho nessas condições", explica a apresentadora. São seis episódios - o programa é exibido aos domingos, às 21h30 - e Karina acompanhou soldados do exército colombiano que combatem as Farcs, tocou boiada no Pantanal alagado, embarcou com jangadeiros no Ceará, mostrou extração de sal na Bolívia, acompanhou o corte legal de árvores na Amazônia e viu a extração de fezes de aves (ou guano) no Peru. 

Emergências nos bastidores

Em momentos, ela teve que deixar a câmera de lado para ser apenas médica. "Uma das pessoas que estava na equipe de filmagem na Amazônia caiu e ele deslocou completamente o cotovelo. A gente estava no meio da Amazônia e provavelmente havia fraturado. Tive que reduzir (colocar os ossos na posição certa de novo). Ela estava perdendo circulação e eu tive que fazer", detalha. 

No geral, garante Karina, as aventuras recompensam. "Já vi os céus mais estrelados, lindos e não poluídos. A gente acaba conhecendo coisas diferentes e vejo isso como privilégio. Meus pais acham que é um pesadelo: 'essas condições de higiene, dormir em barraca, você não precisa disso', dizem. Mas é o que amo e eles sabem que não adianta falar. Eles me conhecem", diz. 

Terremoto no Nepal

Karina Oliani
André Giorgi
Karina Oliani

Karina já havia visitado cinco vezes o Nepal antes do terremoto. "Quando acordei no final de semana e vi aquela tragédia, fiquei muito triste e nem conseguia explicar. Sou uma pessoa muito de fazer, ainda mais sendo médica", afirma. Depois de alguns contatos com ex-professores e amigos e de ter conseguido passagens aéreas, Karina embarcou para o Nepal com mais quatro médicos. "Quando a gente chegou ao Nepal, a fase mais aguda do terremoto já havia passado. O nosso grupo fez alguns resgates e teve gente que nós atendemos na montanha e que se não tivesse recebido o antibiótico naquela hora na veia, não teria sobrevivido mais alguns dias. Eles tinham feridas infectadas gigantescas, fratura exposta", recorda Karina.

Ataque de urso

Até quem não tinha sido vítima do terremoto acabou sendo atendido pela equipe da médica apresentadora. "Era todo tipo de coisa que você pode imaginar, até um senhor que tinha sido atacado por um urso na face apareceu e nós ajudamos", detalha. 

Sufoco? Sim! Karina passou dias difíceis no Nepal. Mesmo com o preparo físico de uma atleta, não foi simples fazer escaladas e carregar peso porque ela não tnha feito aclimatação. Em um dia sabia que iria ao Nepal, no outro estava com os colegas médicos vendo o visto e embarcando. "Perguntam: 'Não ficou com medo do terremoto? Não passou fome? Andou 1500m de altitude, naquele frio? Não tem problema. É o que eu amo. Não foi nenhum esforço fazer isso", afirma. 

Médica fantasma

Karina já viajou para regiões remotas para fazer atendimento e até já foi tida como um fantasma em uma vila da Etiópia. "Quando cheguei, uma criancinha me viu e começou a gritar e não parava de chorar.Perguntei para a mãe dela o que estava acontecendo e ela disse que a criança pensava que eu era um fantasma. Fui a primeira pessoa branca na vida dela. Eles estão no interior do interior da Etiópia e nunca tinham visto alguém como eu", recorda. 

Nessas situações, ela ensina como quebrar o gelo com a população. "O que sempre faço é pegar as palavras que eu preciso, como ‘onde está doendo?', 'há quanto tempo está com essa dor?’ e jogar no tradutor, que já escreve do jeito que eu tenho que pronunciar Tenho umas 20 listas de dialetos da Uganda, da Etiópia", explica. 

Agradecimentos
Sweet Hair Moema
Visagista: Lilian Goçalves 
Cabeleireira:Lilian Gonçalves 
Maquiadora: Lilian Goncalves

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