Raquel Fabbri, a "Garota Celebrar" de "Alto Astral", da Globo, se diz de bem com seu corpo e conta ao iG como é fora das telas

Bia, irmã de Laura em " Alto Astral ", é uma menina tímida e introspectiva, que enfrenta o preconceito por estar acima do peso e busca se aceitar como é. Já Raquel Fabbri , a atriz que dá vida à personagem, é uma mulher bem-humorada e um pouco diferente do que vimos na tela. "Gosto de piercing, cabelo colorido e rock and roll. Tenho uma personalidade descontraída, sou solta, me aceito do jeito que sou", diz Raquel.

A personagem da trama das 19h não é a primeira experiência da atriz na TV. Ela fez duas novelas na Record - em uma delas também teve que lidar com a questão do peso - e participou da série " As Brasileiras " e do remake de " Gabriela ", na Globo. Enquanto prepara para se despedir da Bia, Raquel bate um papo com o iG e fala sobre preconceito, conta como emagreceu 15 quilos e mostra um pouco do que é na vida real. 

Raquel teve que perder peso para se adequar a Bia, que entraria em uma fase mais preocupada com a saúde e iria concorrer ao "Garota Celebrar". "Me perguntavam: 'se é para defender as gordinhas, porque eu emagreci tanto?'. Mas na TV, para parecer que você perdeu um pouquinho de peso, tem que emagrecer muito mais. No vídeo dá uma diferença bem pequena. E era a intenção do personagem emagrecer um pouco", explica. E ela segue na defesa as gordinhas. "Eu digo: ‘Vamos que vamos. Gordelícias somos todas nós’". 

A primeira etapa do emagrecimento foi mais fácil, mas exigiu disciplina. "Meu personal ralou muito com a minha pessoa e me botou para suar", conta aos risos. "Foi dieta, dieta e dieta e personal. No início foi bem radical e teve que cortar pão, farinha, chocolate, besteira. Aí aprendi a comer direito", detalha. "Depois que eu perdi os primeiros 10kg, para perder os outros cinco demorou mais. O corpo se acostuma, fica mais devagar, mas isso é normal para todo mundo", completa. 

Raquel diz estar feliz com os quilos a menos, mas não sabe se irá se manter assim. A novela "Altro Astral" acaba em 8 de maio e Raquel ainda não fechou um novo papel. "Eu estou feliz do jeito que estou, mas estou disponível esperando como vai ser o próximo trabalho. Se tiver que emagrecer mais, eu emagreço. Se tiver que ficar gordinha, eu fico. A minha saúde agora está ok, então é só esperar mesmo o próximo personagem. O que me pedirem, eu estou fazendo", afirma.

Preconceito na vida real

Na trama, Bia sofre com preconceito até do irmão por ser gordinha. Raquel já oscilou bastante de peso, sofrendo com anorexia na adolescência e lutando contra a balança mais velha, e teve também que encarar o preconceito. Hoje, aos 27 anos, já sabe lidar com tudo isso. "Eu variei sempre muito de peso. Era mais magrinha quando era mais nova, depois tive anorexia, depois ganhei peso, perdi peso. Acho que nunca tive o mesmo peso por mais de um ano", lembra. 

"Apesar de a gente lutar por uma sociedade cada vez menos preconceituosa, as pessoas estão se expondo mais. Você tem as redes sociais, cada um é dono da sua opinião, todo mundo é especialista em tudo e todo mundo sabe da vida de todo mundo. Só que ninguém para para ver que o julgamento não é correto. Você tem que simplesmente abstrair, tem que focar em quem é você para estar feliz independente de qualquer coisa que digam", analisa.

Mas Raquel reconhece que não é fácil entender todo esse processo. "Demorou um pouco e às vezes você vê que é uma paranoia sua. Nós mesmos somos os nossos maiores críticos. Na vida, qualquer uma vai reclamar do peso. Não adianta falar que está linda que não vai funcionar. É coisa da sua cabeça, que tem que estar de boa. Hoje eu estou feliz da vida porque consegui passar essa mensagem com meu trabalho", fala, citando a mudança de Bia em "Alto Astral". 

Em 2007, a atriz também viveu uma gordinha na TV. Ela foi Georgi na novela "Luz do Sol", da Record, o seu segundo trabalho na emissora. "Naquela época eu estava mais magra e tive que engordar 10 kg. Essa coisa de brincar com o corpo já vem de um tempo", afirma. Entretanto, para Raquel, as duas personagens são diferentes. "Lá (em "Luz do Sol") tinha outro foco. Era a patinho feio que ficava com o menino que ela gostava. A Bia tem mais a ideia de se gostar do jeito que é, de se aceitar. Esse personagem mostra como a auto aceitação de leva a um bem maior do que só uma mudança estética", compara.

"Morro de saudade do meu cabelo vermelho"

Raquel Fabbri com os cabelos vermelhos, antes de interpretar Bia
Reprodução/Instagram
Raquel Fabbri com os cabelos vermelhos, antes de interpretar Bia

Tanto Raquel quanto Bia aprenderam a lidar com o peso e estão de bem com a vida, mas as semelhanças podem parar por aí. A atriz na vida real é diferente da mocinha da novela. "Eu gosto de piercing, de tatuagem, dessas coisas. Eu tinha um monte de piercings, no nariz, vários na orelha, e hoje não tenho mais nenhum, a Bia não deixa", diverte-se.

Raquel ainda tem quatro tatuagens com desenhos de flores, andorinha e frases, mas todas ficam escondidas para não comprometer nenhum futuro personagem. Quem sabe isso não muda um dia... "Se eu não fosse atriz, eu acho que seria completamente rabiscada. Eu adoro, acho muito incrível. Meu sonho é fazer um personagem todo tatuado para eu poder usar aquelas tatuagens de mentira e matar essa minha vontade. Imagina uma personagem assim, que raspe  cabeça... Eu acho muito legal a oportunidade que a gente tem de brincar", se empolga. 

Para viver a Bia, Raquel teve que mudar a cor dos cabelos. Talvez essa brincadeira com o visual tenha sido um pouco dolorosa para a atriz. "Só adoro cabelo vermelho e morro de saudade do meu cabelo vermelho. Morro!", fala. 

De quenga a vilã

Antes de '"Alto Astral", Raquel Fabbri foi uma das quengas do Bataclã, o bordel comandando por Ivete Sangalo no remake de "Gabriela", em 2012. "Quando me ligaram eu falei: ‘gente, mas vocês sabem que eu sou gordinha, né?’. Mas eles falaram que era isso que queriam", conta. 

E aí foi o momento de deixar a timidez de lado. "Eu sou muito tímida e envergonhada, mas quando tem que fazer, a gente faz. Dá uma vergonha, mas não deixa de ser mais um trabalho e que vai me trazer uma experiência boa", afirma. Ela ainda tieta a "patroa" da ficção. "E adorei trabalhar com a Ivete Sangalo, ela manda superbem". 

Depois de moça de família e prostituta, Raquel sonha com um personagem diferente no futuro. "Eu faria uma vilã amarradona. Sabe aquela vilã bem vilã, malvada, tipo a Carminha, que o pessoal xinga na rua. Acho muito legal. É um processo muito diferente. Para a Bia foi uma coisa muito introspectiva e a vilã tem que colocar tudo para fora", comenta. 

Ela já fez suas maldades, mas no teatro. A sua primeira peça foi "Maroquinhas Fru Fru" e ela era a Dona Blandina, que tinha inveja da mocinha doceira da história. "Tive um pouco disso de ser vilã e já foi divertidíssimo". 

Final feliz em "Alto Astral"?

Por enquanto, Raquel curte a reta final da novela das 19h. "Estou triste que está acabando. Sou saudosista e estou fazendo chantagem com todo mundo dizendo que ninguém pode ir embora senão eu me mato", brinca. 

Ela ainda tem cenas para gravar e diz que não sabe qual será o desfecho de Bia e se a personagem conseguirá ficar com Israel ( Kayky Brito ). "Não sei! Estou ansiosa por isso. No começo da novela eu torcia para que ela tivesse pelo menos um amor. Agora estou na torcida por eles". Na vida real, Raquel está solteira. Será que terminará acompanhada na ficção?

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.