Divulgando "Loucas Pra Casar", que estreia nesta quinta (8), atriz banca a postura de mulher independente, abre espaço na vida para o cinema e se consolida como autora da Globo

Suzana Pires
Priscila Prade
Suzana Pires

Suzana Pires não é mulher de ter medo de nada. Tem postura boa, é elegante, tem voz forte, opinião também e gosta de trabalhar. Para fechar o pacote, topa encarar a vida segurando as próprias rédeas sem grilo na cabeça (e sem homem para se apoiar). Fugindo do que ainda parece ser senso comum para toda mulher adulta, Suzana não sonha com altar, festa gigante, vestido branco, fotos, sociedade, vida perfeita, Instagram dos sonhos… “Ali todo mundo é lindo, diva, deusa, eu te amo… Ai, gente”, brinca ela, em conversa com o iG para divulgar “Loucas para Casar” , filme que estreia nesta quinta-feira (8) em todo País.

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A decisão de ser bem resolvida não anda de mãos dadas com a falta de amor. Pelo contrário. Suzana ama (e muito, e se demora com quem se importa), mas nada contra a correnteza quando esse amor vira obsessão e aparência. Com o filme de Marcelo Saback e Julia Spadaccini , com direção de Roberto Santucci , o assunto tomou conta do seu calendário de divulgação.

"Nunca acreditei muito (em casamento). Nunca foi meu objetivo. Na verdade, acho que tem uma confusão acontecendo. As pessoas estão acreditando e estão querendo casar com o casamento. E casar com o casamento é uma coisa. Ter uma relação é outra. Nós temos que ficar de olho - as mulheres, principalmente - se estamos fazendo escolhas porque os outros estão dizendo que temos que fazer, ou se estamos fazendo por nós mesmos. E assumir isso", disse.

Atualmente solteira, Suzana sempre teve longos relacionamentos (o último foi com o empresário Diogo Sacco ) e longos períodos sozinha. O atual, ela garante, é o mais legal que já viveu. "Estou me divertindo sem pensar se vou encontrar alguém." O que faz total coerência.

Em certo ponto, a falta de vontade de subir ao altar com todo aparato tradicional causou preocupação. "E um dia, conversando sobre isso com minha mãe, ela disse: 'mas nunca esperei que você fosse ter vontade de casar mesmo, porque quando você era pequena, a sua Barbie tinha mala de viagem. Então, minha filha, você está toda fazendo sentido' (risos)", disse, soltando uma gostosa gargalhada.

Sobre "Loucas Pra Casar", Suzana divide a tela com Tatá Werneck e Ingrid Guimarães  em uma disputa surpreendente pelo partidão Samuel, vivido por Márcio Garcia . Sua personagem, Lúcia, é uma dançarina de pole dance que acha que tem o homem na palma da mão por conta da sensualidade e das loucuras na cama. Na vida, Suzana não recusa o título de gostosa que a TV, sem querer querendo, a atribuiu. Mas 2014 provou que o horizonte vai além do rótulo. "Acho que fica a imagem, não tenho resistência a ela, mas tenho mais para dar, e teve gente que percebeu isso", falou.

Para 2015, como autora, ela entrega em fevereiro o texto da minissérie “Dama da Noite”, que escreve em parceira com Walther Negrão para a Globo. O projeto, inicialmente com quatro episódios, já foi esticado para dez. Além disso, em março ela estreia “Casa Grande”, elogiadíssimo drama de Felipe Barbosa que rodou diversos festivais de cinema em 2014. É só abrir a agenda para brotar trabalho. Suzana não reclama nadinha disso. Confira na entrevista abaixo:


iG: Você já acreditou em algum momento em casamento ou não?
Suzana Pires: Eu nunca acreditei muito. Nunca foi meu objetivo. Na verdade, eu acho que tem uma confusão acontecendo. As pessoas estão acreditando e estão querendo casar com o casamento. E casar com o casamento é uma coisa. Ter uma relação é outra. Nós temos que ficar de olho - as mulheres, principalmente - se estamos fazendo escolhas porque os outros estão dizendo que temos que fazer, ou se estamos fazendo por nós mesmos. E assumir isso. A minha mãe uma vez me falou uma coisa que foi muito bacana. Na época que todas as minhas amigas começaram a casar, eu ia nas festas e ficava preocupada porque não me dava vontade de casar. Sempre tive namoros longos, já morei junto… Mas a vontade de fazer aquilo não existia. E um dia, conversando sobre isso com minha mãe, ela disse: “mas eu nunca esperei que você fosse ter vontade de casar mesmo, porque quando você era pequena, a sua Barbie tinha mala de viagem. Então, minha filha, você está toda fazendo sentido, você tem coerência” (risos). Quer dizer, ela tirou uma questão minha com uma frase (risos).

iG: Mas a pessoa que fala “não quero casar” ainda causa um estranhamento?
Suzana Pires: Dentro da minha família, não. Mas na imprensa, causa. Quem mais me cobra são os jornalistas (risos). Mas preciso te falar que é assim que penso, e não tenho mesmo o menor problema em falar sobre isso.

iG: E com as mulheres?
Suzana Pires: As mulheres falam mais sobre filho, e não sobre casamento. E filho é algo que eu acho que gostaria mais. Gostaria muito mais de ser mãe do que esposa.

As mulheres falam mais sobre filho, e não sobre casamento. E filho é algo que eu acho que gostaria mais. Eu gostaria muito mais de ser mãe do que esposa

iG: Independentemente de como isso acontecer?
Suzana Pires: Essa é a questão, né? Estou com 38 anos. Mas tem muita coisa para pensar e não ficar frustrada.

iG: Hoje, o casamento - digo a celebração mesmo - para mim tem mais a pegada de prova de amor entre os dois, e não uma coisa para se provar para os outros. Você concorda com isso?
Suzana Pires: Totalmente. Se fosse para acontecer comigo, teria que ser totalmente assim. “Nossa, então vamos fazer uma festa para o nosso amor, uma festa, sei lá, no Cristo Redentor?”. Não estou dizendo que tem que ser num lugar assim, mas é uma aventura junto. Esse é o sentido.

iG: É mais fácil encontrar parceiros com esse pensamento?
Suzana Pires: Não, é mais difícil. É mais fácil encontrar quem quer a instituição. Acho que a gente ainda está em transformação. Então, às vezes, a gente compra gato por lebre. Você acha que é uma pessoa superlivre, e quando você vê a pessoa está toda amarrada em crenças.

iG: Você está solteira hoje?
Suzana Pires: Estou solteira, curtindo horrores (risos). Estou curtindo meeesmo. Estou curtindo observar a vida, estou curtindo não ter pressa de ter alguém. Eu tenho longos namoros, e longos períodos solteira. A minha vida sempre foi assim, desde os 16 anos, quando comecei a namorar. E esses longos períodos solteira pode ser uma pegadinha, né? Eu venho aprendendo a não lidar com ele com a pegadinha, e sim a me fazer crescer. Esse, talvez, seja o período solteira mais legal, porque estou me divertindo sem pensar se eu vou encontrar alguém.

iG: Existe mesmo essa autocobrança, né?
Suzana Pires: Existe… Existe aquele negócio que fala baixinho “olha lá, está voltando sozinha para casa”, “Toda poderosa, toda isso, toda aquilo, mas e aí? Está sozinha, meu bem”. Quando você começa a perder isso, você se dá conta que isso não é mais nada para você. Deixa de passar pela cabeça. Estou nesse momento agora.

iG: Traz uma superconfiança também?
Suzana Pires: Total, e traz um espírito mais livre, sabe? Eu acho que esse caminho para os 40 anos pode ser muito legal. Não importa se você tem 35 ou 47… Você está vivendo, e isso que importa.

iG: Esse momento dá espaço para você aproveitar de qualquer forma, ou mergulhando no trabalho ou mergulhando em você mesmo…
Suzana Pires: Exatamente. Eu, por exemplo, viajo muuuito. Trabalho no Brasil todo, tenho duas casas (Rio e São Paulo), tenho novos negócios acontecendo…

iG: Você sempre foi multitarefas assim?
Suzana Pires: Sempre, desde os 15 anos, quando comecei a trabalhar. É a minha prioridade, sempre foi. Por isso que minha mãe falou que eu estava coerente. Você precisa fazer sentido. Sempre estive envolvida em um monte de coisa… Coisas muito legais, graças a Deus (risos). É pesado, mas é tão leve ao mesmo tempo. É natural. Eu sempre escrevi e atuei, não tenho como separar uma coisa da outra. É uma soma. Não vou deixar de fazer nenhuma das duas.

iG: Agora, quando entra uma novela no meio fica puxado, né?
Suzana Pires: Fica. Fazer uma novela hoje como atriz fica complicado para mim. Isso tudo tem que ser planejado junto com a Globo. Hoje, a gente está dando mais prioridade para eu escrever do que fazer. Talvez fazer seja mais seriado, coisas menores. Ou então, vai ter um ano que a gente pode decidir parar para fazer alguma novela… Enfim, tudo é planejado. Não tomo decisões sozinha na minha carreira, principalmente dentro da TV Globo.

iG: Sobre a minissérie “Dama da Noite”, que você escreve com o Walther Negrão, vocês já entregaram o texto?
Suzana Pires: Na verdade, não. A gente entregou, e a Globo dobrou o número de capítulos. Por isso, estamos reescrevendo tudo. Seriam quatro capítulos, e agora serão 10. Só que de quatro para dez é uma grande mudança. É preciso reestruturar toda história. Devemos entregar em fevereiro.

iG: Você também vai atuar?
Suzana Pires : Não, e está fazendo mais sentido para mim assim, porque algumas histórias eu quero contar e outras eu quero viver. É melhor para o trabalho, sabe? Essa minissérie é um exemplo de trabalho que é melhor que eu não me envolva como atriz, que eu fique como autora. Eu quero contar essa história e quero ter a experiência, como autora, de ver uma atriz fazendo.

iG: Já tem essa atriz (a minissérie é baseada na história de Eny Cezarino, famosa cafetina dos anos 60)?
Suzana Pires: Não. A gente nem pensa ainda. Qualquer coisa que digam é especulação. A gente ainda nem pensa nisso, não tem nada nem ninguém escalado.

iG: Bom, fevereiro entrega “Dama da Noite”, e em março estreia o filme "Casa Grande". Como foi essa experiência com o drama?
Suzana Pires: Olha, está incrível. O filme foi para mais de 40 festivais internacionais esse ano, foi bem bacana. O cinema está, de fato, tendo lugar para entrar na minha vida. Como antes eu estava em uma novela atrás da outra, eu não tinha tempo para topar fazer cinema. E nesses dois últimos anos eu consegui. É muito bom para exercitar sua atriz. Eu sempre gostei de mudar.

iG: Você acha que a TV te colocou muito como a mulher fatal, sex symbol, gostosa, etc?
Suzana Pires: Não… Quer dizer, tem essa coisa, mas sou tranquila com isso. Acho que fica a imagem, eu não tenho resistência a ela, mas eu tenho mais para dar, e teve gente que percebeu isso. Não foi uma batalha minha. O diretor viu que eu podia fazer e me chamou. É trabalho que você mostra e que vai conquistando. Não é querer quebrar uma imagem. O grande lance da carreira de longo prazo é o público chegar num ponto de dizer assim: “pô, eu acho que se esse trabalho é com ela, é bom”. É para isso que eu trabalho. No dia em que eu chegar nesse ponto, vou ser uma profissional muito realizada.

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