A atriz contracena com Mariana Lima e Malu Galli, três amigas que tentam entender o suicídio da quarta integrante do grupo

Morte e vida se cruzam recheadas de espetáculo, muitas dúvidas e quase nenhuma certeza no palco do Teatro Poeira, no Rio. Foi na noite dessa sexta-feira (17), que Andréa Beltrão , Mariana Lima e Malu Galli estrearam para convidados a peça “Nômades”, um espetáculo que contém diversas referências pessoais e trata, do ponto de vista das atrizes, de começo, meio e fim.

No palco, Andréa, Mariana e Malu são três grandes amigas, como na vida real, que estão velando uma quarta integrante do grupo que acabou de se suicidar. Toda a ressaca moral e luto é desbravado nos 80 minutos em cena. Vestidas de preto, sim, mas com artifícios e dublagens que permitem deixar o tema funesto bem leve - e divertido.

De início, a personagem de Andréa é entrevistada por Mariana e Malu. “Como surgiu esse projeto?”, “esse projeto tem a ver com o momento que você está vivendo?”, “você tem uma dica de beleza para dar?”, “você usa cremes?”, são algumas perguntas da sabatina. A situação, adaptada, claro, chegou a acontecer, pois Andréa pediu para entrar no projeto de Mariana e Malu, e passou por “triagem”.

“Ali (no palco) foi uma improvisação que a gente fez e ficou nesse jogo de dizer essas coisas de uma certa vergonha, de um lugar que parte de uma certa timidez. Eu estava, nessa ocasião, muito tímida. Nesse dia, era o primeiro exercício que eu fazia com elas, e eu estava me referindo ao fato de também estar sendo entrevistada por elas. E a cena teve um jogo bom e acabou vindo. Mas eu não tenho o menor problema em dar entrevista, estou adorando falar com vocês (risos)”, brincou a atriz.

Mariana completou: “As personagens são atrizes. Então, a entrevista, a exposição, a foto no enterro, tudo isso faz parte, porque a gente está velando uma atriz que pode ser qualquer pessoa, mas pode ser a gente mesmo também. Tem a entrevista, tem a exposição, tem a vontade de dizer coisas, de ser livre… Tudo isso. É super intenso. É material nosso, tudo nasce de material da gente mesmo. Tem muito a ver com a gente”, afirmou.

Na plateia, um grupo de amigas do elenco formou coro ao texto. Fernanda Torres, que divide tela com Andréa em “Tapas & Beijos”, da Globo, chegou contando que a peça retratava a história de sua vida: "A peça fala de pessoas como eu. A gente tenta não pensar nesse tipo de coisa, mas o incomodo sempre vem. Pensamentos funestos pegam a gente sempre. Essa é mesmo a história da minha vida, porque fala de um grupo de mulheres nessa idade, pelo viram que o tempo passar, e fazem essa reflexão do tempo, da passagem, de como manter o elã da vida... São essas ideias que perto dos 50 nos começam a acometer".

Para equilibrar morte e vida, um pouco de loucura. Essas surgem em rompantes no palco com as atrizes caracterizadas como ícones da música mundial em interpretação afinada e divertidíssima. Andréa, por exemplo, vira Donna Summer e arrasa com “I Feel Love”. “O Marcio (Abreu, diretor) propôs um exercício durante o tempo de trabalho e a cada sexta-feira uma tinha que trazer uma dublagem surpresa. Eu escolhi a Donna Summer, porque eu acho uma felicidade aquela disco. Me lembra os meus tempos também. É uma coisa muito solar, gostosa…”, disse.

Já Mariana surge trêmula e desengonçada como Robert Smith, do The Cure, cantando “Close To Me”, e Malu vira Maria Bethânia interpretando “Um Índio”. Ainda sobra espaço para Amy Winehouse (“Valerie”), Nirvana (“Breed”), Tom Jobim (Dindi), Irene Cara (Flashdance… What a Feeling) e, para finalizar em grande estilo, Michael Jackson (Billie Jean) - com luvinha brilhante e tudo. “A gente se diverte muuuito. A gente adora fingir que é Michael Jackson. Nada mal, né?”, brincou Andréa. “Nômades” fica em cartaz no Poeira até dezembro.

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