Em entrevista ao iG, atriz de "Sexo e as Negas" fala sobre preconceito, a força da mulher negra e sua nova paixão, a TV


Maria Bia
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Maria Bia

Ser protagonista negra na emissora de TV mais importante do País. É neste momento em que se encontra Maria Bia , uma das estrelas de "Sexo e As Negas", seriado de Miguel Falabella  que a Globo exibe nas noites de terça-feira. Este é seu primeiro grande trabalho na TV, veículo com o qual já vinha flertando...

"Eu já estava paquerando esse veículo há algum tempo e posso falar? Deu namoro, sim (risos). Mal sabia ela, entretanto, que o programa, mesmo antes da estreia, passaria por um episódio inesperado: foi taxado de racista e preconceituoso, com direito até a ação na Justiça. Em entrevista ao iG , ela fala sobre o assunto e decreta: todo mundo vai aprender que black is beautiful (negro é lindo).

Ação na Justiça contra o seriado

"Em uma palavra: preconceito. A gente usa essa palavra há tanto tempo que já nem sabe o real significado. E acha que está relacionada só à raça negra. O que essas pessoas estavam fazendo era nada mais, nada menos do que um juízo pré-concebido, uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério, ou seja, preconceito. O programa ainda nem tinha começado e já teve essa enxurrada de críticas. Para mim, isso só prova que o assunto tem que ser mesmo discutido e tem que estar na pauta. Que as pessoas estão insatisfeitas e que querem falar."

Brasil, um país racista

Impossível, então, não dizer que o Brasil, infelizmente, ainda é um país preconceituoso. "Podemos ver isso em casos como esse da torcedora do Grêmio, que chamou o goleiro Aranha de macaco. Tenho certeza de que não era só ela, mas ela teve o azar de ganhar o close da câmera e dessa imagem rodar o Brasil e o mundo inteiro. Mas ódio só gera ódio e não é isso que eu quero ensinar para os meus filhos. É com amor, carinho e respeito que se ensina isso.

"Sexo e as Negas" e sua ação social

Além disso, ela diz acreditar que é justamente por meio de um programa de humor na televisão que pode ensinar as pessoas a serem mais tolerantes, a abrirem suas cabeças para um mundo mais razoável, menos preconceituoso.

"Acho até que já estamos fazendo isso colocando vários assuntos em pauta. É um programa de ficção com o objetivo de entreter, mas coloca assuntos importantes na pauta e faz pensar, discutir. Sutilmente e ludicamente (o seriado) se aprofunda em várias questões. Acho que as pessoas vão aprender que black is beautiful, sim."

Para ela, estão sendo colocadas em pauta várias questões que concernem a mulher, principalmente a negra. "Estamos falando com muito humor de coisas que ainda são tabus. E de forma nunca antes vista na televisão brasileira. Acho que a busca do prazer feminino não pode mais ser encarada como tabu. E não só pelas mulheres negras, mas por todas as mulheres."

Lenha na fogueira

Vinda de uma carreira brilhante no teatro, principalmente nos musicais, Maria não se deixou abater, nem ela e nem ninguém do elenco. Foi apenas um carregamento de lenha nessa fogueira que está dando o que falar na televisão.

"Se quer saber, essa repercussão toda só serviu para colocar o programa mais ainda na pauta de discussão de todos os veículos. Nunca se falou tanto em preconceito, racismo, negros e no "Sexo e as Negas". Somos personagens ativas e donas das nossas próprias histórias. Coisa rara ainda na teledramaturgia brasileira em se tratando de personagens negros."

Feliz no trabalho, espera conseguir encorajar mulheres como ela a ter sucesso na vida. Em todos os sentidos. "(Como a personagem que interpreta) Sou essa mulher que passa por dificuldades, mas que tem tanta certeza dentro do coração das coisas que quer, que não desiste. Que está sempre levantando a cabeça, sacudindo a poeira e dando a volta por cima."

'Sexo e as Nega': as quatro atrizes principais - Lilian Valeska, Karin Hills, Maria Bia e Corina Sabbas entre Miguel Falabella
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'Sexo e as Nega': as quatro atrizes principais - Lilian Valeska, Karin Hills, Maria Bia e Corina Sabbas entre Miguel Falabella

Televisão: uma paixão fulminante

A transição para TV abriu novos horizontes para a atriz. "Me sinto muito mais plena artisticamente. É como se estivesse aprendendo um ofício novo, totalmente diferente. Lembro de me sentir assim quando entrei na faculdade de jornalismo, onde um mundo novo de conhecimentos se abriu para mim. É assim que me sinto nesse trabalho."

Não é por acaso que ela deseja investir com tudo na carreira televisiva. “Estou apaixonada pelo veículo e pela linguagem. Espero que esse trabalho em "O Sexo e As Negas" me traga outros convites e oportunidades. Sou artista da pontinha da unha do meu pé até o último fio do meu cabelo crespo. Não me vejo de outro jeito."

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