Atriz de "Chiquititas" relembra seus primeiros trabalhos na TV e explica os motivos de ficar tanto tempo longe da TV aberta


Virgínia Novick ganhou destaque na TV nas décadas de 1980 e 1990 ao assumir o posto de repórter do “Vídeo Show”, interpretar a personagem Vivian na série “Alô Doçura” e participar de episódios do “Você Decide”, entre outros trabalhos.

Mas, antes disso, protagonizou as propagandas comerciais das lojas Marisa, nas quais interpretava uma gerente. "Foi onde fiquei conhecida. E é muito bacana, ganhei vários prêmios com aquilo. Foi maravilhoso. Aconteceram tantas outras coisas depois. Não me impediu de fazer outras coisas, só abriu portas", afirmou Virgínia, sem esconder que este é o trabalho pelo qual é mais lembrada.

Curta a fanpage do iG Gente no Facebook e receba as últimas notícias nos famosos

Apesar de achar ótimo quando as pessoas se recordam que ela passou por outros papeis, seja como jornalista ou como atriz, ela declara não ter a menor vergonha do início de carreira. "Acho muito legal. E sei que essa campanha foi usada como case em várias escolas de propaganda e marketing. Naquela época, não tinha essa coisa de você parar e falar com o telespectador em casa, como eu fazia", relembrou Virgínia, que estava longe da TV aberta há cerca de dez anos antes de assumir o posto de Eduarda, da novela infantil "Chiquititas", do SBT.

Talvez o ‘Vídeo Show’ também esteja nessa fase de transição e não seja o que vai ficar. A TV pede mudança, mas ao mesmo tempo, o telespectador é muito conservador".

Presente e futuro

Parte desse afastamento foi opção, parte foi falta de um trabalho em que ela conseguisse administrar tanto a vida pessoal quanto a profissional. “Coincidiu com a história da gravidez mais tardia, então priorizei o tempo todo para curtir esse momento. Não queria nem pensar em sair de casa e deixar o bebê, porque não foi uma coisa tão simples de engravidar. Justamente porque deixei mais para frente. Então, a hora que aconteceu foi um encantamento e fui buscar outras oportunidades profissionais, outros espaços que eu pudesse conciliar com minha vida pessoal. E esse lugar não ia ser na TV aberta", contou a atriz.

Assim, durante este período, Virgínia escreveu o livro “Energize-se”, fez muitas palestras sobre saúde e bem-estar, um programa de artesanato com uma produção independente e outro sobre sustentabilidade para a TV Ideal. “Não estava parada”, declarou a mãe de Gabriel , de nove anos.

Com o filho já crescido, ela admite que gostaria de ter voltado para a TV aberta quando ele começou a frequentar a escolinha. "É obvio que queria ter voltado há mais tempo. Eu sentia que faltava alguma coisa. Mas, também, você fica mais seletiva. Acho que voltei na hora em que apareceu um projeto que me interessava mesmo”, contou.

De volta ao SBT, por onde já passou outras vezes, Virgínia comemora o retorno. Por diversos motivos. “O fato de ser em São Paulo, nesse momento que estou estabilizada aqui, é muito bacana. Agora, o prazer de ter voltado a interpretar foi uma grande novidade para mim. Minha formação é artes cênicas. Sou jornalista por paixão, por curiosidade. Me meti a pegar o microfone e acabou que descobri o prazer de fazer. E acho que estou fazendo direito nesses últimos 15 anos que estou à frente de programas. Achei que não iria mais voltar a interpretar. Estava tudo tão definido, outro caminho na carreira, que também me satisfaz”, contou a atriz, que está cheia de planos para TV.

Se antes sua ideia era levar um programa sobre saúde e bem-estar para o alcance do grande público, agora a ideia é engatar uma atração de culinária. A ideia inicial, focando qualidade de vida, foi apresentada por ela para alguns canais, há cerca de dez anos.

"O ‘Bem estar’ está aí há uns dois anos e agora que estão olhando para isso. Mas a TV aberta nunca acreditou, pelo menos os lugares que eu fui, que tentei vender. Nunca acreditaram que isso poderia dar Ibope”, lamentou Virgínia, que tem certeza de que os planos sobre gastronomia darão certo. Na mesa da sala de estar de Virgínia, vários livros mostram que a atriz e apresentadora está estudando e pesquisando bastante sobre o tema.

Sempre presente

De volta à TV, Virgínia mostrou não ter medo de correr atrás de trabalhos, mesmo com seu currículo. Garantiu, por exemplo, que participou dos testes para a personagem em “Chiquititas”. “Fiz como as outras atrizes. Eu também tenho humildade. Não é o papel principal? Claro que não. O principal da novela são as crianças. Vim, estudei, fui lá, encontrei com um monte de gente”, afirmou a atriz, que ainda completou: “Não é pedir um favor, é ir atrás de um trabalho e ver que você está a fim de trabalhar”.

Essa busca por oportunidades é um preço que Virgínia paga por não ter uma carreira constante. “Dou umas paradas, coisa que ninguém faria. Num momento em que estou superbacana, todo mundo fala: ‘você parou, você é louca’. Sinto necessidade de investir na minha vida pessoal. Muitas vezes também falo ‘vou ter que pagar o preço agora’. Porque fui investir no casamento e no filho. E paga mesmo. Demora mais para você voltar ao ar, as pessoas te esquecem um pouco, tem que fazer um megaesforço para marcar reuniões de novo. Se afastar da mídia tem isso, mas é assim que eu sou. Minha prioridade não é só minha carreira”.

“Vídeo Show”

Virgínia Novick foi repórter do “Vídeo Show” em uma época que Cissa Guimarães e Renata Ceribelli completavam o time de externas e Miguel Falabella era o apresentador. Sobre a queda da audiência atual do programa, Virgínia prefere não opinar. Mas por um motivo especial. “Vou ser totalmente sincera. Não estou assistindo agora para comentar. Sei que é o Zeca Camargo que está à frente, e ele é maravilhoso, e sei que mudou totalmente”.

Ainda assim, afirma que a queda nos números possa ser a falta de costume do telespectador por aquele novo formato. “Mas acho que a TV pede mudança. E os programas demoram um tempo para se ajustar”, avaliou Virgínia, que usou o “Encontro com Fátima Bernardes” como exemplo. "Sou fã do trabalho dela. Mas foi supercriticado no início. Claro, é um formato que tem que ser testado. E eu aqui rezando para que não tirassem do ar, porque você pode queimar um apresentador logo de cara. Às vezes você precisa de um tempo. Talvez o ‘Vídeo Show’ também esteja nessa fase de transição e não seja o que vai ficar. A TV pede mudança, mas ao mesmo tempo, o telespectador é muito conservador”.

É obvio que queria ter voltado há mais tempo. Eu sentia que faltava alguma coisa. Mas, também, você fica mais seletiva. Acho que voltei na hora em que apareceu um projeto que me interessava mesmo”.

Idade

Virgínia acorda às 6h30 para acompanhar a rotina do filho antes de ir para a aula. Às 22h, já está pronta para ir para a cama. Convites para eventos noturnos só aceita quando vale muito a pena. “Fiquei seletiva com isso. A hora que estou, eu adoro. Mas a hora de sair de casa... Estou mais diurna mesmo. E combina mesmo com meu momento atual”.

Esse momento inclui uma vida saudável e exercícios. O que reflete na aparência. "A verdade é que eu quero estar no meu melhor. No meu melhor dos 30, dos 40, dos 50. Não tenho a mínima pretensão de estar com uma cara de 20 nem um bumbum de 20 anos, com quase 50. Mas poder estar no meu melhor, ter energia para fazer as coisas e tudo". 

Em recente participação no “Programa Silvio Santos”, o apresentador brincou que a atriz, de 47 anos, havia sido agraciada pela Nossa Senhora das Plásticas. Mas a funcionária do SBT afirmou nuncar ter realizado nenhuma intervenção cirúrgica. Nem mesmo aplicação de silicone nos seios.

“Venci essa coisa de amamentar muito e estar com o mesmo peito. Realmente, não cedo fácil para esse tipo de coisa. Só se estiver me incomodando muito”, garantiu a atriz, que não descarta fazer alguma correção no futuro. “Não fiz plástica porque não senti necessidade. Mas quando aparecer a vontade, se houver necessidade de fazer algumas correções, não tenho problema”.

Achei que não iria mais voltar a interpretar. Estava tudo tão definido, outro caminho na carreira".

Ao falar da idade, Virgínia afirma ainda não ter medo de envelhecer, mas das limitações que surgem com o tempo. “Se tem alguma coisa que me pega é pensar se vai faltar energia, vontade, vai pintar dor. É medo da doença. Acho que é por isso que me cuido. Para prevenir e poder continuar ativa. Acho maravilhoso quando vejo um senhor ou uma senhora atuando com 70 anos. Isso é felicidade. Vou ser feliz se continuar atuando. Seremos todos longevos, então vai ter público para mim”.

Virgínia Novick
André Giorgi
Virgínia Novick



    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.